A Ascensão de Jisu

A Ascensão de Jisu

Badalado em sua vinda ao Flamengo, o sul-coreano Park “Jisu” Jin-cheol chegou ao Brasil como uma grande aposta por sua pouca idade e grandes atuações no All-Stars de 2017. Mesmo com hype em sua chegada, a trajetória da carreira de Jisu, que teve alguns momentos difíceis e uma pitada de sorte, mostrou a garra e força de superação do possível topo campeão do CBLoL 2018.


A Origem

Revelado pela Quvic E-Sports em 2015 durante uma das eliminatórias para o Desafiante sul-coreano, à época sob a alcunha de 민지수, Jisu era visto como mais uma promessa de um cenário extremamente vitorioso. Grandes jogadas de Gnar, que além de o elevarem ao patamar de um dos melhores de sua posição no torneio, ajudaram a Quvic alcançar o terceiro lugar da disputa. Após uma pausa de quase um ano e um novo nick, dessa vez Jay, o jovem topo foi incorporado ao elenco de uma reformulada Winners, agora chamada Ever8 Winners, para a disputa da segunda etapa do Challengers Korea 2016. O plantel, que contava com nomes que viriam a se tornar grandes personalidades do LoL mundial tais como o meio Park “Cepted” Wi-rim e o atirador Park “Teddy” Jin-seong, conseguiu a classificação para os playoffs da competição, caindo somente para a Kongdoo Monster em disputa válida pela semifinal.

O Talento

Duas passagens (quase) bem sucedidas pelos palcos secundários do League of Legends sul-coreano foram o suficiente para atrair a atenção do cenário europeu, garantindo uma transferência para o time de base da recém-formada Misfits, a Misfits Academy. Em sua primeira temporada na Europa, Jisu teve pela frente uma Challenger Series extremamente complicada e, mais uma vez, com jogadores que futuramente se tornariam referências do cenário. Apesar da classificação soada e decidida na última rodada, a MSF Academy cresceu nos playoffs onde derrotaram, a até então invicta, equipe do FC Schalke 04 e, juntamente com a Fnatic Academy, seguiram para a disputa de duas vagas na EU LCS. Após vencer toda a winner’s bracket do torneio de promoção, Jisu pela primeira vez atingia o palco principal de uma liga.

(Reprodução/Riot Games)

Seu estilo de jogo, que no início de carreira possuía certo foco em campeões com maior potencial de “carregar”, começou a passar por mudanças durante sua estadia na Ever8 Winners e, após uma temporada na Europa, havia sido completamente modificado. Campeões como Gnar, Ryze e Ekko, antes chave na pool de Jisu, passaram a dar espaço para campeões com características mais voltadas ao estilo de jogo tanque e iniciador. Durante o Challengers Korea 2016 e a EU Challenger Series 2017, o leque de campeões de Jisu era composto majoritariamente por escolhas de Maokai, Shen, Nautilus e Gragas. O reflexo da mudança de estilo era visível nos números. Onde antes esbanjava dados como winrates superiores a 67%, chegando a 100% em alguns campeões carry, as estatísticas do jogador apresentaram quedas em todos os frontes. Apesar dos resultados, a estrela de Jisu era apagada por um estilo de jogo que o impedia de brilhar.

2016 Jogos Winrate (WR) Mortes
(média por jogo)
KDA
Challengers Korea Maokai 3 0% 3.67 1.45
Ekko 3 66.7% 2 5.33
Trundle 3 100% 1 7
Ryze 2 100% 2 4.5
Gnar 1 0% 1 1
2017 Jogos Winrate (WR) Mortes
(média por jogo)
KDA
EUCS + EULCS Nautilus 6 66.7% 2.1 3.1
Shen 5 60% 2.4 5
Rumble 4 75% 3 2.7
Gragas 3 33% 4.6 1.3
Maokai 2 0% 3.5 1.4
Kled 2 0% 4.5 0.4

A Queda

A promoção para a EU LCS não pode nem ser comemorada, ela trouxe mudanças e uma maré ruim para o sul-coreano. Agora defendendo uma nova bandeira, a da Mysterious Monkeys, que assumira a vaga da Misfits Academy na primeira divisão europeia, a equipe de Jisu amargou um começo com 4 derrotas seguidas logo nas primeiras séries da competição, sem ao menos vencer uma partida. Os fracassos, aliados à uma média de quase 6 mortes por jogo, 0.8 de KDA e outros números que o colocavam no ranking de pior da posição dentro das estatísticas (apenas para jogadores com mais de 5 jogos na posição) forçaram o afastamento da jovem promessa, cedendo a posição para Mateusz “Kikis” Szkudlarek. Era um período sombrio na carreira de Jisu, uma queda em meio a um histórico apenas composto por constantes crescentes.

Durante seu período na Mysterious Monkeys, Jisu encabeçou a lista de piores estatísticas para topos da competição. Seus números eram tão baixos que eram comparáveis a jogadores que nunca haviam jogado pela posição profissionalmente ou com quantidade de jogos inferior a 5, fato que explicita como a passagem pela EU LCS foi o pior momento de sua carreira.

Em um slump, Park “Jisu” Jin-Cheol se viu sem opções dentro do cenário europeu. Em busca de uma nova casa, um projeto ambicioso e igualmente promissor.

(Reprodução/Riot Games)

A Ascensão

De volta à Ásia, a nova casa de Jisu seria a Tailândia. Incorporado ao grupo da Ascension Gaming, o sul-coreano se juntou aos nomes mais vitoriosos do cenário tailandês e, possivelmente, do sudeste asiático. O projeto da Ascension era bem claro: dominar o cenário local e se sagrar campeã da GPL, quebrando a hegemonia vietnamita que duro por alguns splits na competição que une o sudeste asiático.

O topo sul-coreano encaixaria como uma luva na equipe. Sua chegada, anunciada apenas três dias antes do início dos playoffs da LCS Tailândia (NR: sim parece meme, inacreditável, mas realmente se chama LCS TAILÂNDIA), substituindo o topo Renrin foi tida pelos fãs da Ascension como o gás que faltava para subir toda a escalada e vencer o título. E o resultado não poderia ser outro: 3 séries MD5 vencidas, apenas 2 partidas com derrota, taça erguida e herói da torcida. Jisu se reencontrara em um dos locais mais improváveis do LoL mundial, em uma liga onde alguns considerariam que seria obrigação do jogador se destacar, mas suas atuações e queda nas graças da torcida seriam recompensadas. Era um recomeço, uma nova crescente, porém a verdadeira segunda chance não veio somente com o título da TLCS, o grande golpe do destino viria de maneira inesperada no final daquele ano.

(Reprodução/Ascension Gaming)

O All-Star 2017 talvez tenha sido o verdadeiro turning point da carreira de Jisu. Após problemas com os vistos de CINCO membros da delegação do SEA (Sudeste Asiático), Park “Jisu” Jin-Cheol foi convocado às pressas para integrar a equipe da GPL na competição que aconteceria em Los Angeles. Sua escolha não foi aleatória. Seguindo critérios baseados no desempenho dentro da competição de all-star local, a GPL All-Star, e na elegibilidade para o visto a fim de competir em território norte-americano, o topo sul-coreano substituiu Phạm “Hope” Trung Hiếu e foi à Califórnia para, mais uma vez, brilhar.

A Estrela no All-Star

Marcada por grandes resultados internacionais em suas campanhas recentes, a GPL não poderia ter feito diferente no All-Stars de Los Angeles. Mesmo passando por mudanças colossais no plantel e se comunicando apenas por pings durante a competição, a equipe liderada pelo magnífico Đỗ “Levi” Duy Khánh fez história nos Estados Unidos.

Contrariando as expectativas do público geral, os representantes do sudeste asiático atropelaram a equipe de estrelas da NALCS e, com grande noções individuais e de macro, bateram o plantel galático do CBLoL. Apesar de derrotas duras para a LPL e LMS, a segunda já nos playoffs, as atuações consistentes de Jisu o colocaram no mapa mundial novamente. A competição do sul-coreano não ficou marcada apenas pelas batalhas entre equipes, nas disputas 1×1, onde teve gigantes como oponentes, o topo conseguiu alcançar a semifinal onde caiu para o meio Søren “Bjergsen” Bjerg, mas levando pra casa vitórias sobre grandes nomes como Tristan “PowerOfEvil” Schrage e Tian “Meiko” Ye.

Jisu, Omo e Levi (Reprodução/Riot Games)

O Presente e o Futuro

A trajetória de Park “Jisu” Jin-Cheol no Brasil é de conhecimento geral. Desde sua chegada ao Flamengo, o jogador apresenta constante crescimento a cada partida e, com maior liberdade para explorar seu leque de campeões, se apresenta como um dos melhores da posição no país, mas ele talvez não seja o suficiente para a final. Ainda.

Considerado por alguns especialistas, técnicos e jogadores como o melhor jogador (mecanicamente) do CBLoL, Jisu ocupa a terceira posição, em média, das melhores estatísticas da temporada. Apenas atrás de Robo e Zantins, o primeiro com jogos espetaculares, porém privilegiado em algumas situações pelo sistema de afunilamento de recursos e estilo de jogo flexível de auto-fill da CNB e-Sports Club, enquanto o segundo se mantém consistentemente como um dos melhores da posição desde a primeira etapa de 2018, o topo sul-coreano apresenta números melhores do que os de outros momentos de sua carreira.

EUCS EUCS (playoffs) EULCS CBLOL CBLOL (playoffs)
WR
(Winrate)
50% 75% 0% 63.2% 100%
KDA 3.0 3.2 0.8 3 4.8
CSPM
(CS por minuto)
8.1 7.5 7.4 8.6 8.3
GPM
(Ouro por minuto)
363 374 324 401 401
GOLD%
(% de ouro total
da equipe)
20.8% 20.7% 21% 21.5% 20.6%
KP
(% participação em abates da equipe)
62% 63.3% 51% 67% 52.8%

Assim como nas estatísticas, Jisu e Zantins travarão o duelo de rotas mais importante da Final. A proximidade em  úmeros e o retrospecto do último duelo entre os dois são a prova de que, caso a balança do topo se incline para algum dos lados, a partida pode (e será) decidida por lá. Em confronto válido pela segunda semana da fase regular, apesar de substituição e um jogo 3 com estratégia duvidosa pelo lado da Kabum, o confronto entre as duas forças do topo ditou o ritmo das duas primeiras partidas da série. A escolha de Urgot, no primeiro jogo com o rubro-negro Jisu e no segundo jogo com o atual campeão Zantins, foi peça chave no duelo de rota e na transição do midgame para o lategame.

Marcado por altos e baixos, com a sorte e trabalho duro ao seu lado e um quê de superação, Park “Jisu” Jin-Cheol tem papel fundamental na Final em Porto Alegre. Caso continue sua grande fase e crescente, o sul-coreano pode ser uma grande arma do FLA eSports para segurar o ímpeto da KaBuM! e-Sports e se sagrar campeão.

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