A crônica de uma Final

A crônica de uma Final

Os recém-promovidos do Circuito Desafiante contra o plantel mais vitorioso e com maior experiência internacional do cenário brasileiro. A Final da primeira etapa do CBLoL 2018 foim duelo improvável, mas construído ao longo da temporada regular e com gosto de revanche para os novatos da disputa.

Kabum eSports e Vivo Keyd chegaram à grande final de uma primeira etapa reformulada e extremamente competitiva. Do lado laranja, a vaga direta na final é a coroação de um trabalho a longo prazo feito desde o início da última etapa do Circuito Desafiante onde, com a chegada do técnico canadense Nuddle e um voto de confiança a jogadores antes questionados pela torcida de times onde passaram, montaram um projeto para consolidar uma equipe forte e mortal. Já os guerreiros viram na história do CBLoL uma saída para a reformulação de uma equipe que havia flertado com a parte inferior da tabela na etapa passada. Ao contratar o resto do “Exodia”, a Keyd conseguiu reeditar o sucesso de outras temporadas do quinteto ex-INTZ.

O aguardado duelo se iniciou antes mesmo do anúncio de boas-vindas a Summoner’s Rift. Em confronto válido pela sexta semana da fase regular, os guerreiros da Vivo Keyd quebraram a sequência de invencibilidade da Kabum, colocando-se como a única força capaz de parar a sensação do campeonato. O sonoro 2 a 0 no primeiro encontro entre as equipe serviu para alavancar as expectativas para a grande final.

Com os jogadores já posicionados em seus computadores, a série melhor de cinco que decidiria o campeão da primeira etapa de 2018 começou em velocidade máxima. Uma escolha de Nidalee para Ranger, campeão que necessita de extrema agressividade nos primeiros momentos do jogo e tido por muitos como uma ótima resposta para a escolha precoce de Trundle da Vivo Keyd, justificou todos os votos de confiança de sua equipe no caçador que, na fase regular, foi o principal ponto explorado na derrota contra os guerreiros na série válida pela fase regular.

Em poucos minutos a escolha se pagou. Apesar da grande volatilidade do campeão, podendo se tornar completamente inútil se anulado no early game, o caçador laranja conseguiu grandes ganks na rota inferior e, consequentemente, abates que aceleraram seu crescimento. Devido à força da escolha contra o Trundle de Revolta, somada à vantagem adquirida, o jogo foi rapidamente resolvido para o lado da Kabum, não dando chances para o retorno dos guerreiros ao jogo.

No decorrer da série, a intensidade dos duelos foi aumentando. Vitórias sendo concretizadas devido a pequenos espaços cedidos, poucos erros cometidos e todos jogadores em sua melhor forma foram o cartão de visitas dos três primeiros confrontos da série. Grandes atuações de Dynquedo, Riyev e Titan, esse último causando mais de 45 mil de dano com Ezreal em uma única partida, foram a chave das vitórias da Kabum. Do lado dos guerreiros, Micao, Yang e Tockers conseguiram levar sua equipe para a vitória.

Com um placar de 2 a 1 para a Kabum, a chegada da quarta partida foi, talvez, o ponto mais importante da grande final.

Irreconhecível, a Kabum acostumada a vencer e, mesmo em derrotas, sempre reativa, não apareceu. Uma grande quantidade de erros no early game, nervosismo e outros fatores, que não haviam aparecido em nenhuma outra partida da equipe, ficaram escancarados e foram devidamente explorados pela Vivo Keyd onde, com magistral atuação, seu atirador Micao superou a marca de 1000 abates, a maior entre os atiradores brasileiros. A série ficara empatada e iria para seu último jogo. A resiliência da equipe estava em cheque.

Alguns questionamentos eram inevitáveis. O gás havia acabado? Logo em sua primeira experiência de melhor de cinco na elite do LoL brasileiro a equipe iria quebrar? A vasta experiência de anos dos membros da Vivo Keyd, que trouxe adaptabilidade para sua equipe durante a série, seria o diferencial para essa final? A Kabum, que tanto embalou na fase regular, teria nadado todo o campeonato para morrer na praia? Será que a vara do GSTV é desnecessariamente grande?

Durante as prévias da grande final, a grande narrativa criada para a série era “Experiência x Ousadia”. Diversas discussões giraram em torno disso e argumentações de ambos os lados sustentavam diferentes possíveis resultados. Enquanto o 2 a 1 nas três primeiras partidas apoiava o lado da superioridade da Kabum e toda sua ousadia, a derrota na quarta partida, com a Kabum totalmente fora da disciplina e mentalidade esperadas, embasava a teoria de que a Vivo Keyd teria maior resiliência em séries longas. Era possível sentir um clima apreensivo para o jogo decisivo, principalmente devido a uma atuação completamente fora da curva de ambos os atiradores na recém terminada partida. Micao acima da curva e Titan bem abaixo.

Após o breve intervalo nos bastidores, jogadores e técnicos voltaram ao palco. Feições calmas dos dois lados. Era agora ou nunca para ambas as equipes. Na plateia, majoritariamente composta de torcedores da Kabum, o clima era tenso após a derrota no quarto jogo.

Oito minutos. Esse foi o tempo que a Kabum precisou para começar a construir uma vantagem esmagadora na quinta partida. Do minuto seis até o décimo quarto minuto de partida, a equipe conseguiu cinco abates, em sua maioria, devidos a grande roaming de Dynquedo, além de duas torres e um dragão. Tudo devido a um controle perfeito de mapa e noção completa da posição de seus adversários. A irreconhecível Kabum havia ficado no quarto jogo. A Kabum da quinta partida era imbatível.

Sentando na vantagem de 4 mil de ouro construída durante os oito minutos citados, a Kabum estourou. Impondo-se de maneira espetacular, destruindo qualquer chance da Vivo Keyd, o plantel que veio do Circuito Desafiante fechou a partida e sagrou-se campeão. Uma história de Cinderela. Um conto iniciado meses atrás, com planejamento a longo prazo, baixas expectativas para o atual semestre e grandes sonhos.

A Kabum venceu uma temporada atípica e disputada, uma temporada repleta de grandes reforços, uma temporada onde grandes nomes caíram, uma temporada onde sonhos acabaram. A Kabum chegou ao topo e, contrariando prévias do campeonato onde batalhariam pelo meio de tabela ou contra o rebaixamento, provou que são os melhores. A mesma Kabum que havia feito história em um Mundial e, anos depois, tido problemas de habitação, de contratos, rebaixada e quase terminada, havia se reerguido.

A Kabum voltou.

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