A Crônica do Derrotado – Uzi, o Perseverante

A Crônica do Derrotado – Uzi, o Perseverante

O ano é de 2013. Em um Mundial até então cercado de dúvidas quanto à próxima região campeã, fato grande parte devido à surpreendente vitória da Taipei Assassins no ano anterior, a simpatia de uma equipe chamava a atenção enquanto trilhava seu caminho até a grande final.

Liderados por Tabe, uma figura carismática que, durante as diversas entrevistas que concedia, conquistava os telespectadores de todo o mundo com seu discurso pé no chão, humilde e com estilo descontraído, a equipe chinesa Royal Club havia batido a lendária OMG, à época com Cool e Gogoing, e uma embalada Fnatic, que havia chegado à semifinal sofrendo apenas duas derrotas, e uma coisa era repetida por seus membros durante todas as fases da competição internacional: a qualidade e potencial de seu atirador Uzi.

O início de uma lenda

Menos de um ano após sua estreia profissional e no auge de seus 17 anos, Jian “Uzi” Zi-Hao, já demonstrava sua capacidade com uma ascensão meteórica que o levou ao título da liga chinesa e uma vaga direta para as quartas de final do Mundial 2013. De outubro de 2012 até o começo da maior competição internacional do ano seguinte, o carregador chinês despontou nos índices de popularidade e se tornou uma das faces a serem observadas com cuidado na corrida pelo título mundial.

Carregado com as esperanças de sua equipe, dos torcedores chineses e com o hype de diversos fãs ao redor do mundo, Uzi vinha correspondendo dentro de jogo à todas as expectativas colocadas em suas costas, traçando um caminho promissor e vitorioso para a Royal Club no Mundial daquele ano. Enquanto atuava brilhantemente dentro do Rift, fora do jogo seus companheiros continuavam com as afirmações de que ele era um dos melhores do mundo, ficando atrás somente do sul-coreano Piglet, de acordo com seu próprio parceiro de botlane, Tabe, em entrevista.

Esse era o começo da história de um dos adcs mais respeitados e temidos do mundo, mas, como na vida nem tudo são rosas, a glória veio acompanhada de um grande infortúnio.

A primeira queda

Porta-voz da equipe, Tabe apontou durante todo o Mundial que havia apenas uma equipe que ele não gostaria de enfrentar: SK Telecom T1 K. Os campeões sul-coreanos eram um pesadelo para a equipe chinesa, apesar dos constantes scrims entre eles e da grande carga de estudos dedicados para analisar e parar a equipe de outra grande promessa, Faker. O destino foi cruel, a bela campanha da Royal Club iria cruzar o caminho da SK Telecom T1 K justamente na grande final. As esperanças da equipe chinesa estavam, mais uma vez, em seu carregador que, com uma atuação impecável, seria o último recurso para levar o título de campeões mundiais, pela primeira vez, para a China.

Na Grande Final de 2013, a derrota foi inevitável. Enquanto a Coréia do Sul se lançava como a maior potência do mundo, uma maldição caíra no jovem atirador chinês logo em sua primeira participação em Mundiais. O primeiro tropeço em finais era só o começo.

Uma segunda chance

Desmembrados para 2014 após a perda do meio Wh1t3zZ e do suporte Tabe, a Royal Club passou por uma repaginação para o ano, mudando seu nome para Star Horn Royal Club e adquirindo dois jogadores coreanos para a temporada, inSec e Zero, numa tentativa de se reerguer e alcançar o Mundial novamente.

Apesar de uma temporada inconsistente, a renovada Star Horn Royal Club atingiu seu objetivo e conseguiu uma vaga para o Mundial 2014. A segunda chance de Uzi havia chegado rapidamente. Se domesticamente a equipe apresentava problemas, a campanha no Mundial daquele ano era grandiosa. Com apenas uma derrota na fase de grupos e dois dificílimos adversários chineses, EDG e OMG, nos playoffs, Uzi e sua equipe alcançaram a final, sagrando o atirador como o primeiro jogador da história a alcançar duas finais de Mundial consecutivas.

Em um golpe do destino, o adversário da final era uma poderosa Samsung Galaxy White, outra equipe sul-coreana que separava Uzi do sonho de um título mundial. Dessa vez com dois coreanos em sua equipe, a ex-Royal Club tinha que enfrentar um (quase) dream team, que havia perdido apenas 2 partidas em toda a competição, jogando em casa para um Seoul World Cup Stadium lotado.

A derrota, novamente aconteceu, Uzi amargara a segunda falha em finais de Mundiais. Uma história de superação jogada fora após uma derrota por 3 a 1 na Grande Final. Todo um ano de reformulação e instabilidades que, após uma campanha magnífica durante grande parte do Mundial, foi esquecido e substituído por uma chama de esperança, se tornou a repetição do ano anterior.

O segundo lugar no pódio, duas vezes seguidas, quebraria qualquer jogador, mas não Uzi.

O Retorno

Os dois anos seguintes ao segundo fracasso foram conturbados, mas a grande promessa chinesa nunca desistiu. Diversas trocas de equipe, péssimas colocações na LPL e uma série de problemas entre companheiros marcaram os anos de 2015 e 2016 para Uzi, porém um retorno à Royal Club na segunda etapa de 2016 foi a mudança que ele precisava para sua carreira.

O filho pródigo retorna e, com ele, as glórias também reaparecem. De volta para casa, para a equipe que o formou, onde alcançou duas vezes a final de um Mundial, Uzi agora era parte de uma nova Royal Club, que havia passado por outra mudança de nome, dessa vez com um nome perfeito para o atirador com maior perseverança do mundo: Royal Never Give Up.

Com a Royal Never Give Up, Uzi reencontrou o caminho para a vitória no ano seguinte. Campeão da Demacia Cup e duas vezes segundo lugar da LPL em 2017, o atirador da equipe aurinegra garantiu presença no seu terceiro Mundial, dessa vez com mais sede de título do que nunca.

Mundial 2017: passado, presente e futuro se encontram

Para Uzi, a história em Mundiais é de repetição. Todos os anos em que esteve presente, sua equipe sempre apresentava campanha promissora, porém esbarrava em equipes sul-coreanas. Em 2017 não poderia ser diferente. Assombrado pelos fantasmas do passado, contando com a torcida chinesa ao seu lado e visando o título, a Royal Never Give Up tinha um caminho brilhante pela frente. Tinha…

Nas semifinais do Mundial 2017, dois confrontos entre equipes chinesas e coreanas, SKT vs RNG e SSG vs WE, decidiriam o que poderia ser a melhor storyline da história do League of Legends competitivo. Com a possibilidade de enfrentar, na mesma ordem em que disputaram os títulos, as equipes que impediram seu sonho de ser campeão mundial, Uzi era colocado como a peça principal para uma campanha vitoriosa da RNG. Suas mecânicas eram uma das principais chaves para a Royal Never Give Up atropelar seus adversários, porém sua maldição também o acompanhava.

Nada de storyline bonita, nada de trégua dos infortúnios. Três anos após a segunda derrota em finais, a volta de Uzi aos Mundiais seria marcada por outra campanha com “gostinho de quero mais”. Caindo na semifinal para a SKT, Uzi assistirá outra equipe sul-coreana levantar sua tão sonhada taça dentro de seu país natal, completando mais um ano do roteiro trágico que é sua vida competitiva. Apesar da perseverança inabalável, esforço descomunal e com um objetivo em mente desde 2013, o futuro de Uzi parece já estar escrito como uma espécie de “Crônica do Perdedor”.

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