A matilha em números: destrinchando os campeões do CBLoL 2017

A matilha em números: destrinchando os campeões do CBLoL 2017

Após uma temporada quase perfeita e com diversas surpresas, a RED Canids se sagrou campeã da primeira etapa do CBLoL 2017. A matilha está nos holofotes do cenário brasileiro e internacional para a disputa do MSI e, nada mais justo, do que destrinchar a equipe individual e coletivamente a fim de identificar como a mais nova campeã se destacou sobre seus adversários e alcançaram a vitória. A seguir, vamos mostrar alguns segredos da matilha, como ela sobrevive, como dominam a selva, como alocam recursos, isso e muito mais, só aqui no Esports Insider.

A máquina de tankar

É evidente a maestria de Leonardo “Robo” Souza com campeões tanques que executam um bom trabalho de linha de frente. Os números só confirmam: o topo da RED soma 13 vitórias com esses campeões e apenas 1 derrota, opondo 4 vitórias e 3 derrotas quando jogando com campeões que não são tanques.

Já num cenário geral, os números de Robo se mantém na média de seus adversários, não apontando um destaque estatístico, porém explicitando sua importância estratégica para a equipe. Cedendo recursos para as outras rotas, o topo da RED Canids abriu espaço e foi essencial para que seus companheiros de time pudessem crescer e, juntamente com a utilidade/linha de frente das usuais escolhas para o topo, serem campeões da primeira etapa.

BUGando a selva inimiga

Carlos “Nappon” Rücker teve grande destaque em sua posição nessa temporada. Dentro e fora de jogo, conseguiu superar grandes nomes como Gabriel “Revolta” Henud e, na série da grande final, tomou controle dos jogos desde o início e guiou a RED Canids à vitória. Seu campeão principal nessa temporada foi o Kha’zix, com o qual garantiu 9 vitórias e 2 derrotas, apesar de também ter tido uma alta porcentagem de vitórias jogando com outros campeões – 8 vitórias e 2 derrotas.

Na média, Nappon causa o mesmo dano que os outros caçadores e recebe a mesma quantidade de ouro que eles, porém, ele apresenta cerca de 3% a menos de farm que os adversários (11% contra 14% da média de farm aos 15 minutos de jogo dos outros caçadores do CBLoL).

O grande motivo que evita que o caçador da selva da Red Canids fique atrás da média de ouro de sua posição é que Nappon está, constantemente, executando jogadas com seus companheiros de equipe, sendo o catalizador que gera muitos abates para a equipe, acelerando o jogos para si e outros jogadores da matilha.

“O Nappon, para mim, é o MVP (no sentido real de jogador mais valioso) da temporada; ele fez o que nenhum outro caçador conseguiu fazer: ser muito cooperativo, ceder farm e ser eficiente em dano. ” – João Vitor “Fokinha”, ex-analista e redator do Esports Insider.

O melhor do campeonato

Não obstante ter recebido o prêmio oficial de Melhor Jogador da temporada, Gabriel “tockers” Claumann pode ser considerado o motor da RED Canids durante a temporada regular e nos dois últimos jogos da grande final. O ex-jogador da INTZ, onde não tinha tanto destaque quanto seus companheiros a época, Felipe “Yang” Zhao e Revolta, devido à temporada espetacular que ambos fizeram, provou ao decorrer da primeira etapa de 2017 que ele não era apenas fruto de uma equipe boa.

O impacto de tockers foi notável, tendo 34,5% dos abates da RED Canids. O meio da matilha também alcançou uma AMA de 4,3 (8 de AMA na fase final) e 9 CSpm (tropas abatidas por minuto), números dentro da média para os jogadores da rota meio nessa temporada, porém se destacando por aplicar mais dano que todos os outros adversários da posição (cerca de 3% – 29% contra os 26% de média do CBLoL).

Vale ressaltar seu recorde invicto com dois campeões: Cassiopeia, com 4 vitórias, e Syndra, com 3.

Uma vez estrela, sempre estrela

Depois de um ano na reserva e diversos comentários maldosos pedindo sua aposentadoria, Felipe “brTT” Gonçalves voltou com tudo e mostrou que ainda tem muita lenha para queimar. O atirador teve quase todas as suas estatísticas acima da média da temporada e “carregou” a matilha às finais, onde cedeu seu espaço e, pela primeira vez em sua carreira, foi substituído por Gustavo “Sacy” Rossi. brTT se destacou em sua posições no decorrer do CBLoL com seus números: em CSpm (30% contra 26% da média), em ouro (25% contra 23% da média) e em mais dano causado (27,3% contra 25,94% da média).

A alocação de recursos em seu atirador permite à RED Canids ter um “carregar” com maior eficiência e maior quantidade de dano causado.

Apesar de ter um recorde perfeito jogando de Ashe (4 vitórias e nenhuma derrota), a escolha de Ezreal para brTT é importantíssima e, de certa maneira, mais impactante. A escolha de Ezreal liberava a pressão da matilha de se forçar a escolher um atirador em sua primeira rotação do lado vermelho e, com ótima versatilidade, é um bom campeão contra diversos match-ups, dando mais flexibilidade para a fase de escolha da RED Canids.

Karma is a b*tch

Com estatísticas abaixo da média de sua posição exclusivamente causadas pelos campeões jogados, praticamente não tendo jogado com campeões mais agressivos e que causam mais dano como Zyra e Malzahar, o suporte Hugo “Dioud” Padioleau brilhou como ninguém nas duas últimas partidas da grande final e iniciou jogadas que garantiram a vitória para sua equipe.

O francês mais querido do Brasil teve como escolha principal nessa primeira temporada de 2017 a Karma, com 6 vitórias e 2 derrotas. No entanto, o campeão que sagrou o título para a RED Canids e, historicamente já famoso nas mãos de Dioud, foi o Thresh, sendo, sempre que pickado, peça chave nas vitórias e mantendo um recorde de 4 vitórias e nenhuma derrota.

O holandês voador genial

A temporada 2017 não foi só de surpresas no plantel da RED Canids: outra grata surpresa foi a consistência e ótimo trabalho do técnico holandês Fayan “Gevous” Pertijs. Sua atuação nos bastidores da equipe foi essencial para que a matilha levantasse o caneco da primeira etapa em Recife.

Na fase de escolhas, a RED Canids de Gevous apresentou alguns fatos bem curiosos. Dois campeões frequentemente banidos durante o CBLoL, Ashe e Varus costumavam passar ilesos pela fase de banimento da equipe, e se tornaram os dois campeões que ela mais enfrentou. Deixar passar escolhas de prioridade dessa forma e terminar o campeonato com maestria mostra que, dificilmente, a matilha tinha uma escolha que eles não sabiam jogar com ou contra – eles possuíam estratégias com e contra tais personagens.

Outro fato curioso foi a presença constante de escolhas fortíssimas da equipe em suas escolhas: Kha’Zix (11 vezes), Karma (8 vezes) e Maokai (7 vezes) – mesmo sendo campeões “característicos” de jogadores da RED, eram ignorados nas fases de banimento e tinham suas escolhas priorizadas.

A matilha como um todo

Analisando os campeões com maior presença nas escolhas da RED Canids e aliando às atuações e sucessos da equipe com eles, a composição “icônica” dos canídeos vermelhos seria:

Maokai
Kha’zix
Cassiopeia ou Syndra
Ezreal ou Ashe
Karma

Ou falando genericamente:

Topo: Campeão com capacidade de ser linha de frente resistente (com bastante controle de grupo)
Caçador: Campeão com capacidade de ser linha de frente assassino (finalizador)
Meio: Campeão para a linha de trás de dano mágico e alguma utilidade
Atirador: Campeão para a linha de trás de dano físico e “independente”
Suporte: Campeão para a proteção da linha de trás

A equipe da RED Canids apresentou, durante essa etapa, extremo conhecimento de seus jogadores e estilo de cada um, aliado a fases de escolhas quase sempre impecáveis, mostrando que uma equipe de estrelas “renegadas” pode sim ceder os tronos individuais e focar no coletivo, se tornando uma potência do cenário e se cercando de grandes (e reais) expectativas de bons resultados em um palco internacional.

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