A necessária renovação da narração brasileira de LoL

A necessária renovação da narração brasileira de LoL

Inúmeras equipes e jogadores passaram pelo CBLoL desde sua estreia em estúdio, no início do 2015. Ao mesmo tempo, a equipe de transmissão só teve uma mudança até o fim de 2019: a substituição de P3po por Skeattt.

Por isso mesmo, os anúncios de saída de Toboco e Dócil da transmissão deixaram boa parte do cenário em choque. Dócil era o mediador do campeonato, fazia todo o meio de campo com os analistas, e Toboco dispensa comentários, sendo pioneiro e sinônimo de narração de League of Legends no Brasil.

Sem dois dos grandes nomes do torneio, ficaria o CBLoL desfalcado para 2020? Bom, a Riot respondeu rápido:

Apenas esse anúncio já risca diversos itens da listinha de desejos do público. Ex-jogadores entrando na transmissão com Takeshi, Nappon, MiT, Baiano e Mylon, Gruntar recebendo chance de se provar no CBLoL, Dudu construindo mais seu nome no Circuitão e novos nomes, com mais representatividade, entrando no cenário com Ravena, Letícia, Rafaela Tomasi e Vecet. Hoje, no entanto, é dia de falar sobre a narração.

Ao invés de seguir o modelo inspirado usado no exterior desde as IEMs de mesa de análise e grupo de narração segregados, o CBLoL passa a apostar em narrador, comentarista e dois analistas conversando pré e pós-jogo, com um dos analistas se afastando durante a partida para permitir uma narração tripla. É um modelo totalmente inspirado em esportes tradicionais, justificado pela experiência da equipe técnica do CBLoL na transmissão televisiva, e, até o momento, encaixou muito bem no torneio.

Tanto Nappon quanto Takeshi trazem muita experiência e informação para as transmissões, e ter sempre um deles debatendo até o fim dos picks e bans, principalmente com gstv e Skeattt, engrandece muito a transmissão e permite análises mais profundas para o público. Já a narração tripla permite que cada membro foque em sua função: narrador e comentarista têm mais espaço para cobrir o que acontece de imediato, enquanto que o analista do momento traz pontualmente uma visão mais detalhada das estratégias aplicadas.

Ao mesmo tempo, é notável que houve uma queda de sinergia entre a equipe. O ritmo da narração é mais natural quando o trio comentando é dos veteranos do CBLoL, mas é algo que deve ser suavizado a medida que se passam as semanas.

Além disso, ainda que Gruntar ganhe pontos no quesito entretenimento e jargões – menos o “pega que é ladrão” -, dá para notar uma dificuldade um pouco maior para carregar um jogo do CBLoL com os parceiros novos. A falta de uma visão um pouco mais rápida durante as lutas, alguns comentários não tão pertinentes e poucos cortes em seus companheiros mostram um nervosismo no narrador.

Enquanto isso, no Circuitão, Dudu acabou ficando órfão após a saída de Gruntar, Camilota e Colossimus, mas logo foram substituídos por Vecet e MiT para compor um novo trio fixo de narração. MiT dispensa comentários, chegou até a ser técnico anteriormente e tem um carisma enorme, e Vecet é dono de uma voz poderosa e já tinha experiência no LoL e era membro da principal dupla de narração de Overwatch no Brasil.

O trio trouxe um novo ar para o Circuito Desafiante nessa primeira semana, com altos e baixos bem parecidos com os do CBLoL. O nível do conteúdo durante a transmissão aumentou muito, em troca da baixa na sinergia que deve ser construída ao passar das semanas e de um conhecimento ainda em construção do Vecet. A principal crítica que ficaria para o MiT seria a de que no primeiro dia de torneio ele falava mais rápido que o Eminem, mas já no dia seguinte o tom ficou mais ritmado.

Fala-se muito em renovação de jogadores e times no Brasil, mas a transmissão dos torneios também não pode estacionar. Novas caras, ex-jogadores se envolvendo na narração e novos modelos de transmissão eram desejados há tempos, e com duas semanas de CBLoL e uma de Circuitão já é notável o quão necessárias elas eram.

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