A redenção da Misfits

A redenção da Misfits

Antes do início da segunda etapa das competições de League of Legends de 2018, escrevi um artigo sobre as expectativas para cada time da EU LCS no Summer Split. Neste artigo, separei os times em categorias: “Os Esquecidos” (UOL, Roccat e Giants), os que estavam “em busca de redenção” (Misfits, Schalke 04 e H2k), os que estavam “a caminho do mundial” (Splyce, Vitality e G2), e “os donos da bola” (Fnatic).

Após seis semanas de Summer Split e doze partidas para cada time, algumas previsões foram precisas, mas outras surpreenderam. A Fnatic e a G2 continuam jogando como favoritos, e parecem ainda estar com as vagas no mundial nas mãos. Splyce e Vitality também se mantém na briga pela terceira vaga, apesar de mostrarem algumas inconsistências. Mas é da categoria “em busca de redenção” que vieram as maiores surpresas do segundo semestre: Misfits e H2k.

A primeira etapa foi frustrante para a Misfits: tiveram uma fase de pontos inconsistente e não se classificaram para o mata-mata. A H2k também não teve um Spring Split muito bom, mas pelo menos foram aos playoffs, onde foram desclassificados na primeira série contra a Vitality. Mas na segunda etapa, tudo mudou. A Misfits encontrou sua redenção, venceu os nove primeiros confrontos do semestre, tem dez vitórias e apenas duas derrotas e no momento lidera a liga. Já a H2k não só não alcançou redenção como cavou a própria cova, e bem fundo. A equipe ainda não venceu na etapa. É isso mesmo: depois de 6 semanas, 12 partidas e muitas oportunidades de sair do zero, a H2k se encontra com uma vergonhosa marca de 0-12. Mas o que aconteceu? Onde foi que a Misfits acertou para se redimir e onde foi que a H2k errou para estar tão mal?

Um split só de sorrisos para a Misfits. (Divulgação/Riot Games)

O melhor jeito de resumir a diferença entre estas duas equipes e suas performances no momento é assistindo o encontro entre elas, em que a Misfits manteve seus adversários sob controle durante todo o confronto e quase fez dele um jogo perfeito. Aos quatro minutos de partida a H2k já tinha cedido três abates, e a Misfits não hesitou em aproveitar a vantagem para fazer uma excelente rotação aos seis minutos de jogo para garantir mais duas kills e a primeira torre na bot lane. Depois disso, foi só seguir o protocolo: a Misfits sufocou seus oponentes negando sentinelas no mapa, utilizando a falta de visão adversária para fazer rotações sem problemas e garantir uma vitória fácil. Ao final do stomp de 24 minutos, a H2k tinha apenas um abate, uma torre e um dragão das nuvens em seu favor.

Os outros jogos dos dois times não foram muito diferentes. A Misfits consegue, na maioria das suas partidas, conquistar vantagens logo cedo no jogo e, o mais importante, transformá-las em vantagens ainda maiores e, subsequentemente, vitórias. Enquanto isso, a H2k frequentemente falha em criar jogadas produtivas nos primeiros 15 minutos de jogo e também não consegue se recuperar de grandes déficits, o que é uma receita para a derrota.

A Misfits é um excelente exemplo a ser seguido por outras equipes ao redor do mundo sobre como explorar ao máximo seu potencial, sem precisar de grandes contratações ou mudanças de elenco em geral. Adaptabilidade, mentalidade construtiva, foco no que precisa ser melhorado e um ambiente de trabalho tão livre de toxicidade quanto pode ser foram os caminhos que a organização seguiu para chegar à redenção, e uma mudança tão rápida e tão positiva deve ser observada com cuidado por organizações que queiram seguir os passos da equipe europeia. Dentro de Summoners Rift, a Misfits também é referência no momento, mostrando que proatividade e coordenação entre os jogadores são essenciais para alcançar o sucesso dentro de jogo.

A este ponto não importa se você tem um time de amigos do bronze na flex queue ou uma equipe de CBLOL: siga o exemplo da Misfits e, se o fizer corretamente, os resultados virão.

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