A SK Gaming ainda tem o que precisa para voltar a vencer

A SK Gaming ainda tem o que precisa para voltar a vencer

Mais um torneio que passa, mais um tropeço dos brasileiros.

Dessa vez, a SK Gaming falhou em conseguir uma vaga para as finais da ELEAGUE Premier 2017. Após uma derrota na primeira partida do grupo, contra a Heroic, os brasileiros sabiam que teriam um caminho duro pela frente, precisando vencer duas séries MD3 para chegar nos playoffs.

A primeira partida contra a Liquid foi tão tensa quanto imaginávamos. Depois de duas derrotas para os norte americanos na ESG Tour Mykonos 2017 e na ESL One New York 2017, essa era a chance para Fallen e os demais provarem que ainda são os melhores do mundo. Porém, a vitória não viria fácil.

A equipe Twistzz e EliGE deram muito trabalho, levando a primeira partida na Inferno de forma convincente (16×08) com destaque para o awper JDM64, mais uma vez sendo o carrasco dos brasileiros nesse mapa. A segunda partida, no entanto, a SK Gaming apostou em um de seus mapas favoritos (e um dos menos jogados por outros times) e venceram pelo mesmo placar de 16×08 na Overpass, onde o nosso garoto TACO, depois algum tempo e críticas duras, mostrou um bom desempenho. A última partida aconteceu na Mirage, mapa forte para as duas equipes.

E como não poderia deixar de ser, tivemos muitas emoções, clutches de JDM e fer, rounds com 4 kills de EliGE e Twistzz, etc. Uma partida tão pegada não poderia ficar sem prorrogação, e foi justamente o que aconteceu. Graças a uma perfomance divina de Fer, acumulando 36 kills e apenas 22 mortes, um K/D de +14 e 105.8 de ADR, os brasileiros sairam vitoriosos por 19×17 e com muito suor e sufoco, foram para a partida decisiva que, pasmém, seria novamente contra a Heroic.

(Galerias/HLTV.org)

A partida decisiva contra a Heroic tinha tudo para colocar a SK Gaming nos playoffs da competição. O time, essencialmente dinamarquês (mais um para a lista), é apenas o 16º colocado no Ranking e bateria de frente contra o atual top 1, em uma MD3, sem qualquer chance de zebras como vemos geralmente em um MD1. Mas não foi bem o que aconteceu. Empolgados pela vitória contra os norte americanos, Fallen e demais deram uma surra no primeiro mapa (16×8), que obviamente foi Overpass, a carta na manga dos brasileiros. Pela segunda vez no mapa, TACO teve um bom desempenho. Se os brasileiros mostraram como se joga Overpass, os dinamarqueses deram uma aula e mostraram porque a SK Gaming está sendo abusada pelos outros times a jogarem Inferno. Vitória por 16×5, com destaque para o time inteiro. Um verdadeiro passeio, assim como foi na série passada.

E a partida decisiva ficou novamente para Mirage, onde precisaríamos mostrar um nível de jogo e de concentração ainda maior do que contra a Liquid, tendo em vista que o cansaço provavelmente começara a bater. Mas dessa vez, a atuação divina de Fer não apareceu, aliás, de praticamente ninguém. O time foi completamente negado pela Heroic, com destaque para o desempenho monstruoso de JUGi e MODDII, com clutches e até aulas de como segurar um retake, respectivamente. 16×8, um resultado não só inesperado, mas de certa forma, vergonhoso para os padrões de um time top do mundo.

A decepção foi grande. Não só para nós, torcedores, mas principalmente para a própria line da SK. O abalo ficou visível pelos desabafos dó próprio coldzera e felps após os resultados. Para um time que superou os limites no passado, chegou a Major, ganhou dois, chegou ao topo do mundo e fez um primeiro semestre sensacional… uma sequência de cinco torneios “decepcionantes” pode ter começado a piscar a luz de alerta na cabeça de Fallen. Qual seria a solução, então? Um coach? Uma troca de players? Mais tempo de paciência?

A comunidade sai atirando para todos os lados na busca para entender o que podemos fazer para a SK se manter no alto, quando na verdade, temos que enaltecer outras equipes também. Ainda sem termos a certeza absoluta de que a FaZe será a nova dominante do cenário, esse pode ser o momento mais interessante de CS:GO desde seu início como e-Sport. Favoritismo sempre vai existir, mas estamos vendo cada vez mais zebras, resultados inesperados e surpreendentes. Em condições normais, a Heroic jamais venceria a SK, aliás, ouso dizer que se eles jogassem outra MD3 logo em seguida, sairíamos vencedores. Mas os times hoje estão muito mais equilibrados, veja só o que a Liquid tem feito nos últimos torneios, ou mesmo a North e a própria NiP que estavam desacreditadas até algumas semanas atrás.

A SK está com problemas, sem dúvidas. Se os brasileiros não se adaptarem ou correrem atrás do prejuízo, logo logo serão ultrapassados. Por ora, não acredito que a SK precise de um coach ou uma troca de jogadores.

Apesar de insistirem nessa tecla, a vinda de um Coach pouco teria a somar para a equipe, a não ser a divisão da carga e trabalho em cima do Fallen nesse quesito. E se ELE diz que não é necessário um coach, devemos acreditar. O próprio Fallen faz o trabalho de um coach, ele mesmo impõe um estilo de jogo, estuda como counterar adversários, faz leituras de jogos, passa instruções para a equipe, além de ter o trabalho de motivar os demais jogadores. Dado em conta que as novas regras da Valve limitam a atuação de um coach, a inclusão de um na SK Gaming se torna ainda menos necessária.

Quanto a troca de players, talvez ainda não seja o momento. Geralmente TACO é o personagem principal quando esse assunto surge, e o motivo disso é o baixo desempenho apresentado pelo brasileiro em diversos torneios. Alguns o defendem dizendo que TACO faz uma função “x” no time, que isso ajuda a equipe de outras formas que não aparecem em estatísticas. O fato é que nem TACO nem felps tem se destacado ultimamente, além de fazerem jogadas questionáveis.

(Galerias/HLTV.org)

Mas ambos são importantes para o time de formas diferentes. TACO era uma peça vital (tanto dentro como fora do jogo) para uma mentalidade e line da SK, que hoje, não é a mesma. E felps, com o tempo, tem a skill necessária para elevar o jogo da SK. Porém, ter boas peças num tabuleiro de xadrez não te faz um vencedor automático. Não apenas os dois, mas o time inteiro da SK precisará reavaliar a abordagem que eles têm no jogo, para que todos possam se aproveitar ao máximo do que suas skills permitem.

Fallen precisa de um tempo para redefinir a forma e até mesmo a mentalidade de jogo. Os brasileiros precisa estudar melhor como se readaptarem para algumas mudanças necessárias. Por exemplo, a insistência de Fallen em manter fer e felps no bombsite B da Inferno, uma dupla que não tem mostrado muitos resultados juntos, e que tem características, de certa forma, similares. A SK Gaming terá pela frente três semanas e jogos da ESL Pro League S6 para tentar efetuar algumas dessas mudanças antes do próximo grande torneio na Rússia, na EPICENTER 2017. Esse é o momento dos brasileiros se reinventarem, pois a cobrança quando se é um time aspirante a vaga de Major é infinitamente menor à cobrança exigida de um time bicampeão de Major e Top 1 do mundo. E isso não é questão de ser torcedor “raiz” ou não. Profissionais precisam saber lidar com esse tipo de cobrança nesse ramo.

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