As finais da Rainbow Six Pro League e os underdogs asiáticos

As finais da Rainbow Six Pro League e os underdogs asiáticos

As finais da ESL Rainbow Six Pro League 2017 – Season 3 aconteceram no final de semana dos dias 18 e 19, na MAX5, aqui em São Paulo. Pela primeira vez, o país recebeu uma final internacional de Rainbow Six Siege, game cada vez mais popular no Brasil.

Admito que meus conhecimentos de Rainbow Six Siege deixam a desejar, mas o que vale ressaltar é o sucesso do evento e o crescimento do jogo no cenário competitivo. O evento em si foi incrível e a experiência, tanto para jogadores quanto torcedores, foi algo único.

Tivemos times poderosos e referências como PENTA e ENCE, além da dupla brasileira Team Fontt e Black Dragons. Infelizmente, a Black Dragons caiu nas finais perante ao time da ENCE, que conquistou pela primeira vez, o título da liga, mas os brasileiros conseguiram derrubar a potência do R6 que é a PENTA.

Se por um lado tivemos uma exibição dos talentos europeus e sul americanos, o evento contou com presenças muito simpáticas dos “underdogs” asiáticos, represetandos por eiNs (Japão) e Mantis FPS (Coreia do Sul). Tive a oportunidade de entrevistar rapidamente o jogador profissional Onichan (Hyun Ho Park) e ele nos contou um pouco sobre a experiência de estar nas finais de um evento internacional desse porte, o público brasileiro e as dificuldades dos times asiáticos de competirem em alto nível.

(Divulgação/ESL)

eInsider: Estando pela primeira vez nas finais da Pro League e no Brasil, como é a diferença de sentimentos e de energia se comparado a outros eventos que vocês já participaram?

Onichan: Na Coreia, temos tantos times em e-sports populares como League of Legends e Overwatch, mas mesmo assim eu nunca vi uma atmosfera tão impressionante quanto essa aqui. É insano!

eInsider: Vamos falar um pouco sobre o gênero FPS. Há alguns times coreanos crescendo em jogos FPS, como MVP Project em CS:GO e vocês da Mantis FPS em Rainbow Six Siege, mas ainda nada comparado a outros títulos em seu país, como League of Legends. Por que você acha que o nível é tão diferente entre esses gêneros? Você sente que Rainbow Six Siege precisa de mais popularidade?

Onichan: Eu acho que nosso país tem ficado mais forte em títulos de FPS, só que na Coreia há um costume de jogarmos sempre os jogos mais populares. Quando League of Legends apareceu, todo mundo só jogava League of Legends. Quando Overwatch saiu, todos só jogavam ele também. E agora, todos estão jogando bastante Playerunknown’s Battlegrounds. Então o nível dos nossos times geralmente está alinhado com a popularidade do título.

eInsider: Vamos falar no desempenho de vocês aqui nas finais. Vocês esperavam chegar mais longe nesses playoffs, ou apenas ter chego as finais aqui em São Paulo já foi uma conquista? Quais eram suas expectativas ao chegarem no Brasil?

Onichan: Pra ser sincero, sabíamos que não seríamos capazes de vencer o time da PENTA. Então nós viemos simplesmente para dar o nosso melhor, e de manter a confiança em nosso estilo de jogo. Acredito que faltou um pouco dessa confiança, mas o que é normal porque é nossa primeira experiência nas finais em um palco desses e não conseguimos nos preparar muito bem. Outro ponto que dificulta um pouco o nosso avanço, é que não conseguimos fazer bons treinos com times de alto nível. Nós somos muito limitados pela nossa região, e o ping alto impossibilita fazermos treinos com times europeus, por exemplo. E os treinos com times asiáticos não é a mesma coisa. Com certeza precisávamos de mais tempo e de mais experiência.

(Divulgação/ESL)

eInsider: Com essa participação de vocês em um evento internacional tão importante quanto a Pro League, imagino que muitas pessoas na Coreia do Sul assistiram sua partida. Vocês acham que com essa exposição, a popularidade do jogo aumentará e como consequência teremos mais talentos chegando de seu país?

Onichan: Com certeza. Eu sinto que muitos coreanos tem interesse em Rainbow Six Siege, e o jogo está crescendo cada vez mais. Porém, há uma base muito grande de jogadores atualmente em Playerunknown’s Battlegrounds, então não tenho certeza se a popularidade por lá está crescendo de acordo com o jogo.

eInsider: Já que você mencionou PUBG, eu tenho essa opinião de que o jogo e o gênero em si é algo mais casual do que um jogo que exija um alto nível de coodernação, dedicação e teamplay como Rainbow Six Siege. Você acha que PUBG, por ser mais casual, acaba atraindo mais jogadores. Você sente que as pessoas ficam um pouco mais “assustadas” em aprender um jogo tão competitivo e com tanto teamplay?

Onichan: Sim. Acho que talvez esse seja um motivo. Outro ponto é que há tantos times coreanos, mas nenhum deles gostam de nos desafiar ou de treinar conosco, porque não querem perder. Sinto que eles não possuem um nível de estratégia para isso e acabam ficando com medo de perder. É por isso que não conseguimos bons treinos ou um cenário tão forte.

Antes de me despedir de Onichan, ainda conversamos um pouco sobre o público brasileiro, a arena, a sensação de estar na frente de uma torcida tão vibrante. Quando perguntado para qual time ele torceria e acharia que levaria o título, Onichan cravou o time da Black Dragons (a entrevista havia sido conduzida antes das finais).

Para ele, o time da Black Dragons além de ser muito talentoso, tinha a grande vantagem de estar em território nacional com uma torcida incrível apoiando eles, e que isso os motivaria a vencer. E apesar da MAX5 não ser exatamente o local mais estruturado para receber uma final do porte de uma ESL Pro League, para Onichan, a vibração e o apoio de uma torcida é mais importante do que uma arena, palco ou mesmo equipamentos melhores. Onichan chegou a comparar a torcida na MAX5 como a de esportes tradicionais, como se estivesse presenciando um jogo de futebol em um estádio, e que nunca havia presenciado nada igual assim em outros eventos. Nas palavras dele: isso é insano!

(Divulgação/Ubisoft)

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