Challenger Approaching? As investidas da Nintendo sobre o competitivo

Challenger Approaching? As investidas da Nintendo sobre o competitivo

A E3 é indiscutivelmente a maior vitrine ocidental dos videogames, e nos palcos do Los Angeles Convention Center, ninguém foi mais icônico ao longo dos anos que a Nintendo. De apresentação de orquestra a Miyamoto de Master Sword e Hylian Shield, a Big N marcou o evento com apresentações históricas, mas nos últimos anos as conferências acabaram deixando muito a desejar, quando sequer existiam.

Com o anúncio da abertura do evento para o público geral pela primeira vez em duas décadas, a edição de 2017 era a oportunidade perfeita para apagar a imagem turva da empresa nos últimos anos, e a aposta da Nintendo foi das mais inusitadas. As conhecidas demonstrações e entrevistas do Nintendo Treehouse Event, dessa vez, dividiram os holofotes com torneios de seus mais recentes jogos: Splatoon 2, ARMS e Pokken Tournament DX.

Ainda que apenas o ARMS Open Invitational fosse aberto ao público – o Splatoon 2 Inkling Invitational e o Pokken Tournament DX Invitational foram jogados por convidados -, os três campeonatos fugiram um pouco do habitual da E3 e mostraram uma Nintendo um pouco avant-garde em relação ao seu passado um pouco recente.

Essa guinada em direção ao competitivo tem um motivo muito específico para parecer estranha, e remete à EVO 2013. Naquela ocasião, o oitavo jogo do evento seria definido a partir de uma disputa de qual comunidade conseguiria arrecadar mais dinheiro para a caridade. Super Smash Bros. Melee ganhou com folga, colocando em seu nome mais de U$90 mil dos U$200 mil arrecadados no total, mas a Nintendo não quis cooperar e tentou impedir a adição do game. Quando percebeu que não ia conseguir, derrubou a stream no primeiro dia de torneio. A repercussão foi tão ruim que ela acabou liberando a transmissão no final de semana.

Após o ocorrido, a Nintendo deixou esse protecionismo extremo um pouco de lado, e até 2016 era apoiadora oficial da EVO: desde 2014, tanto Melee quanto Smash 4 fazem parte da lista de jogos do evento. Ela começou a liberar cada vez mais os torneios de seus jogos, e agora que o mercado está maior que nunca e ela possui um console muito mais poderoso que o fraco Wii U – em termos técnicos e de vendas -, a abertura de seus jogos para o cenário competitivo é natural.

Voltando à E3 2017, o Presidente da Nintendo of America, Reggie Fils-Aimé, foi bombardeado por perguntas dos mais diversos portais sobre essa mudança de postura, e as respostas sempre giravam em torno de um ponto-cahve: a diferença entre jogos competitivos e eSports. O essencial para a Nintendo, segundo Reggie, é “encorajar e empoderar” a comunidade, aumentar a parte social dos jogos através da competição, mas sem que essa nova faceta se torne maior que o jogo em si.

Desde as primeiras propagandas do Switch isso já estava implícito, com as disputas entre amigos acontecendo dentro de casa, em festas ou em cafés – disputas reais, mas sempre destacando o social. Até mesmo os invitationals mostram um pouco disso, com os times sendo selecionados para representar um número maior de pessoas e manter um equilíbrio entre competição e diversão.

“[…] talvez seja uma abordagem mais ‘jogos competitivos para as massas’ do que a do ‘profissional’ que está ai pelos grandes cheques e coisas do tipo. Essa não é uma área tão interessante para nós – pelo menos no ponto de vista dos nossos investimentos.”

– Reggie Fils-Aimé para o Glixel

Num mar de desenvolvedoras que apostam todas as suas fichas na tentativa de elevar seus jogos ao status de eSports, o grande desejo da Nintendo é que seus títulos não ultrapassem a linha que separa “competição” e “profissão”, e esse pode ser um cenário tão desafiador quanto. Como você mantém um cenário competitivo engajado e ativo, quando seus membros olham para os lados e observam premiações surreais no League of Legends, no Counter-Strike, no Dota? Qual é o atrativo para o jogador migrar do seu game favorito para Splatoon, Pokken Tournament ou ARMS? O hype merecido que circula o Nintendo Switch em seus poucos meses de mercado pode sustentar por um algum tempo essa estratégia, mas será preciso mais do que um troféu ou uma medalha bonita para que eles não sejam ultrapassados por alguma “next big thing” dos eSports que surgir.

Imagens por @NintendoVS

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