Seria a CubeTV uma Azubu 2.0?

Seria a CubeTV uma Azubu 2.0?

Poucos meses após o seu lançamento no país, a CubeTV já foi centro de polêmicas no Brasil. O medo de uma nova Azubu pode ter afastado a transferência de alguns criadores de conteúdo, porém a promessa de bons contratos e grande retorno financeiro levou uma migração em massa para a plataforma. Apesar de conversas iniciais animadoras, o panorama contratual do serviço, segundo fontes, começava a se mostrar fraudulento.

Os contratos embrionários da CubeTV no Brasil apresentaram grande rentabilidade, oferecendo valores acima dos apresentados pela concorrência. Um de seus pontos mais importantes era o retorno garantido por horas transmitidas, desconsiderando qualquer tipo de métricas para avaliar o rendimento do streamer. Era uma aposta para entrar no mercado brasileiro com força total. Alguns dos primeiros contratados do site afirmaram que o primeiro contrato oferecido oficialmente possuía um caráter malicioso, apresentando cláusulas que eram incompatíveis ao acordo feito inicialmente. Seguindo um padrão de pagamento, o valor ofertado era astronômico, razoável para uma empresa visando entrar no mercado retirando clientes da concorrência. Entretanto, isso não foi honrado integralmente em alguns casos.

Logo após a matéria de estréia da plataforma ter sido lançada em nosso site, fomos procurados por uma pessoa contratada da Cube, que preferiu não se identificar, alegando não ter tido uma experiência agradável. Tendo isso em vista, nossa equipe foi atrás, e as informações a seguir foram baseadas nos depoimentos que recebemos.

Segundo as fontes, os contratos mais primitivos da CubeTV no país foram “leiloados” para agentes ou agências que fariam o contato e trâmite entre streamer e plataforma, “facilitando” a relação e chegada da empresa no Brasil. O valor pago pela Cube era repartido entre agente e novo cliente, na maioria dos casos sem o conhecimento do contratado, acarretando em falhas de comunicação e, principalmente, pagamento. Ainda segundo as fontes, diversos contratos grandes do país foram firmados através de um agente que se passava por funcionário da plataforma (sem que a Cube soubesse) e, inadvertidamente, modificavam acordos sem o aval do contratado. Ou seja, a Cube tinha uma pessoa para fazer essa ponte mas o streamer não sabia que a pessoa que se reportava a ele não era de fato um agente da Cube, e sim um intermediário.

“Foi fechado um contrato ‘fraudulento’: Contrato que foi fechado em nome da Cube com uma pessoa e depois de 15~20 dias foram avisados que o contrato não tinha validade por não ter sido aprovado na China. Demitiram a pessoa responsável pelo contrato e “anularam” os contratos”, alegou uma de nossas fontes.

Uma das promessas iniciais de agentes e membros do próprio serviço de streaming, em alguns contratos de duração total de 6 meses, foi o pagamento parcelado ao longo do mês, com um adiantamento do 50% ao início do mês e 50% ao final, assim que cumpridas as horas de transmissão fechadas no acordo. Após longa demora em silêncio e alegando problemas, a plataforma não honrou com o pagamento em duas etapas logo no primeiro mês, mas teve aprovação de grande parte dos contratados com a condição de pagamento integral do valor, em alguns casos com correção, ao final de uma data pré-estabelecida.

Após a primeira recusa, foi oferecido um novo documento que contradizia a proposta inicial de horas transmitidas. O novo contrato se baseava no pico de popularidade do streamer, métrica utilizada exclusivamente por plataformas chinesas de transmissão que não teve seu funcionamento informado aos contratados. Ou seja, todo aquele lance de ser recompensado por receber apoio da comunidade e não por receber views cairia por terra já nesse segundo contrato.

“(a) Cube não informou o cálculo. Queriam fechar o contrato sem explicar o cálculo e os números de como chegar lá, a gente tinha 400 de número e a Cube queria que eles tivessem 5000 pra continuar o mesmo valor antigo…”

A proposta da empresa desde o início, apesar dos grandes nomes anunciados e dos contratos de peso que foram divulgados, era voltada aos entusiastas, certo? Aos novos streamers, pessoas que não tinham um público estabelecido na área de transmissão de jogos e estariam criando por meio desse vínculo com a plataforma. Então como seria possível, nesse caso, cumprir um contrato em que o retorno viesse somente das views e não das interações? Como isso poderia abrir portas para os novatos?

Após recusa do contrato que informava a mudança repentina e inexplicada de indicadores de retorno, um novo acordo dentro de termos que agradavam ambas as partes foi oferecido. A última investida da CubeTV para recuperar os parceiros possivelmente perdidos contou com tratativas de vantagens para streamers que permanecessem na plataforma, porém contradisse seus próprios argumentos ao apontar cláusulas de exclusividade e não competição com duração de três meses, onde o contratado não poderia participar de transmissões em outros serviços de streaming.

Em um TwitLonger, o comentarista Tixinha revelou sua insatisfação com a plataforma, confirmando uma série de alegações expostas nesse post.

Até o presente momento o eInsider não conseguiu contato com a CubeTV para saber seu posicionamento em relação às acusações. De acordo com um representante brasileiro, a parte chinesa da empresa está incomunicável desde segunda-feira, sendo o segundo corte de comunicações da plataforma com a imprensa ou contratados diretos e indiretos.**

A equipe eInsider está aberta a novos depoimentos e esclarecimentos por parte da empresa em questão sobre tudo que foi exposto neste post.

**Nota da Redação: O último parágrafo foi alterado para maior clareza dos fatos apresentados pelo representante.

Atualização (12h12): Um representante brasileiro da CubeTV procurou nossa equipe na manhã de sexta-feira (28) afirmando que em breve teremos um posicionamento oficial da empresa.

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