Depois da Tempestade: Uma história sobre os tetracampeões do universitário

Depois da Tempestade: Uma história sobre os tetracampeões do universitário

Sempre gostei bastante da emoção dos campeonatos presenciais. Talvez esse tenha sido um dos principais fatores que me aproximaram do esport, a paixão que existe na competitividade. Não obstante, passei a me apaixonar pelas histórias que permeiam os bastidores desse cenário, especialmente, o universitário.

Aposto que muitos já ouviram falar sobre a UFABC Storm, um time da Federal conhecido e temido por suas principais qualidades: estudo, treino, dedicação, garra. Sem surpreender ninguém, a equipe de League of Legends formada por Sidera (top), Closer (jungle), Raposa (mid), Matzera (adc) e LWZ (suporte) foi capaz de conquistar o seu quarto título universitário ao vencer o mais recente split do TUES há duas semanas atrás.

Eu mentiria se dissesse que não fui cativada por sua torcida. Uniformizados com capas de chuva e guarda chuvas, o som que ecoava na arena dizia ‘’O tempo vai fechar’’. O arrepio que senti me fez reviver o momento em que me apaixonei pelo esport, o momento em que eu sabia que estava no lugar certo. Não demorou muito para que eu quisesse conhecer esses jogadores, sua história, suas paixões, seus sonhos.

Me fascina a ideia de que por trás de tanto treino e dedicação existam inúmeras narrativas, e essa que eu trago hoje é uma dentre muitas. Para poder contar essa história, conversei diretamente com seus protagonistas: Matheus (Matzera), Gabriel Henrique (Raposa), Vinícius (LWZ), Pedro Henrique (Closer) e Leonardo (Sidera).

Quem são os tetracampeões?

Após me apresentar brevemente, pedi para que os meninos comentassem um pouco sobre o contexto de surgimento do time. Mais que depressa, os veteranos Raposa, Matzera e Closer começaram a relembrar os momentos em que se conheceram e entraram para a equipe de LoL da faculdade: “O time surgiu em meados de 2016, numa época em que o cenário universitário era praticamente inexistente. Foi como um time de LoL mesmo, não como Storm’’, rememorou Raposa, que já era amigo de Matzera, e continuou “Entramos na faculdade e ficamos amigos, ninguém manjava muito do competitivo, era um ou outro que tinha algum conhecimento.”

Éramos ‘bichos’ e jogávamos pela Atlética da Faculdade, na época. Nos conhecíamos da sala de aula. Chegou um momento que precisamos nos diferenciar, foi então que pensamos, vai ser só UFABC mesmo? É meio ruim!” comentou Raposa, refererindo-se à busca pelo nome oficial da equipe. Aos risos, acrescentou “Resolvemos fazer um brainstorming, num grupo do whats mesmo”. Closer prontamente se manifestou “Acho que eu tinha falado algo sobre Rain.. aí de Rain foi pra Storm’’.

Então os questionei sobre as motivações por trás da participação no time, e Matzera afirmou com bastante certeza  “Nem imaginávamos onde isso tudo ia dar. Eu pelo menos, só queria conhecer pessoas que gostavam das mesmas coisas.” Raposa concordou, acrescentando “Como eu já jogava LoL, vi a oportunidade de fazer algo que gostava. O objetivo era expandir, conhecer a galera que joga.” Sempre bem humorado, Closer comentou “Eu não sei pro resto dos meninos mas, pra mim, poder representar a faculdade é algo muito estimulante’’.

É claro que não foi pela premiação. Alguém lembra da premiação do primeiro TUES?”, perguntou o jungler para os demais. “Eu lembro que o prêmio pro MVP era uma caixinha de Redbull”, mencionou o próprio Closer aos risos, acrescentando “Ganhamos um mês de assinatura pra Gamers Club de LoL e da Redbull Player One, a gente jogava porque gostava mesmo”.

De forma bastante espontânea, relembraram também alguns dos sentimentos que fizeram parte do início da jornada. “Começou a ser mais interessante estar na faculdade, porque as vezes dá uma desanimada. Era mais um motivo pra estar lá”, disse Matt. Logo em seguida, Raposa adicionou “O jogo só aproximou a gente. E ganhar nos tornou ainda mais próximos.

O top laner Sidera e o suporte LWZ chegaram mais tarde na competição. Mesmo assim, relembraram alguns de seus primeiros momentos: “Quando eu cheguei me sentia deslocado porque o pessoal já se conhecia.. mas com o tempo viramos todos amigos”, colocou Sidera. Com bom humor, LWZ afirmou “Joguei muito mal na seletiva, mas só tinha eu de suporte. Foi meio assim que eu entrei.”

Nem tudo são flores…

Foi então que resolvi questioná-los sobre os problemas da equipe, “Sabemos que vocês já ganharam muitos títulos e é claro que tiveram muitos momentos felizes. Mas e quanto às dificuldades? Que problemas vocês já enfrentaram?”

O capitão Raposa foi o primeiro a abordar o assunto “Tivemos bem poucos problemas até hoje, nada que tenha nos afetado muito. E quando temos alguma dificuldade, resolvemos até que bem rápido. Somos muito maduros.”

Creio que o que a gente mais sentiu dentro do time foi a saída do nosso primeiro coach, o Patron. A gente ficou sem conversar direito e nem todo mundo esperava que ele fosse sair. Por mais que ele ainda fosse nosso amigo, ninguém esperava. Ficamos um pouco perdidos e tivemos até problemas com resultados em decorrência disso.” Patron deixou a Storm oficialmente no último split de 2017, mas já não atuava mais como coach desde o primeiro split do mesmo ano, segundo os jogadores.

O coach tem uma função bem importante dentro do time, de trazer esse aspecto mais técnico, do competitivo mesmo. Não tinha ninguém pra preencher esse papel, isso ficou nas nossas mãos”, apontou Raposa.

Mas acho que isso nos ajudou, porque hoje em dia a gente consegue lidar com esse problema mais facilmente. Acho que quando o time se mantém unido, é muito mais fácil fazer qualquer coisa”, finalizou o mid laner.

União

Desde a primeira hora de conversa, eu só conseguia pensar “É inquestionável o entrosamento desses caras, eles realmente se conhecem muito bem”. Isso ficava cada vez mais evidente a cada novo tema abordado. Foi então que decidi explorar mais essa relação de amizade, perguntando “Como essa relação de amizade e união entre vocês foi construída?”

Acho que o Patron foi importante em relação a isso, porque ele se tornou muito amigo nosso e até hoje temos esse tipo de relação com todo mundo”, disse Raposa, acrescentando em seguida “Somos muito amigos dentro e fora de jogo, a gente conversa o dia todo. Temos o costume de ficar no discord conversando sobre o jogo, sobre outros jogos.”

Closer mencionou a importância dos amigos para sua rotina universitária “Já não é mais só um time, a gente é colega de faculdade e está o tempo todo junto. É como se fosse uma segunda família.”

Acho que nosso entrosamento faz muita diferença. Nos conhecemos tanto que sabemos o que o outro vai fazer antes mesmo dele falar. Ou mesmo o que ele vai fazer daqui a alguns minutos, e isso faz uma enorme diferença dentro do jogo”.

Quando falam sobre a rotina juntos, mencionam muitas vivências fora do jogo: “Jogamos muitas coisas além do LoL, que na verdade é o jogo que menos gostamos de jogar”, diz Raposa enquanto ri. “Temos rotinas pesadas em época de campeonato, de ficar estudando muito o jogo.. então vivemos esse jogo por muito tempo. No tempo livre, aproveitamos pra dar uma esquecida do LoL, fazemos qualquer coisa que não seja sobre LoL.”

Além disso, os cinco também saem juntos para se divertir. Comer, ver filmes, jogar outros jogos e ir pra algumas festas, são algumas das atividades que realizam fora de Summoner’s Rift.

Família, Futuro e Sonhos

Alguns jogadores são unânimes em afirmar que já tiveram alguns problemas familiares em função do empenho no cenário competitivo. Num tom meio descontraído, o jungler lembrou de suas dificuldades pessoais “Depois de muita conversa e depois de ter que provar que não era só um joguinho, consegui um apoio maior. Acho que muito por conta das viagens que conseguimos.”

Para LWZ, ter conciliado bem os estudos e o jogo foi algo bastante reconhecido pela família “Eles sempre viam eu me dedicar aos estudos, então minha mãe e meu pai sempre apoiaram e até zoam quando eu vou mal.”

Já o pai de Sidera é figura carimbada na torcida e sempre citado pelos meninos em meio a risos e comentários carinhosos “Desde que eu saí da reserva, meu pai já estava lá torcendo. Ele super apoia a Storm, comenta os posts do time, manda mensagens no inbox da página.”

Outro fator em comum na Storm são as namoradas, todos do time namoram e os jogadores até brincam “Para ser titular tem que namorar”. Todos compartilham de sentimentos parecidos em relação as companheiras, ressaltando a importância do apoio das garotas nos eventos presenciais. “Acho que ninguém aqui tem problemas com a namorada não aceitar o jogo”, mencionou Raposa.

Então resolvi perguntar sobre seus sonhos e planos futuros: “Com que sonham os tetracampeões universitários?”

Todos ressaltaram que o principal objetivo é se formar na faculdade, já que não almejam o cenário profissional: “Somente se houver uma proposta muito boa. Não vale a pena abandonar a faculdade, ganharíamos mais realizando um estágio do que em um time profissional no tier 2, por exemplo”, afirmam Raposa e Closer em uníssono.

Como principal realização, concordaram que a viagem para Portugal foi um dos momentos mais felizes que viveram juntos: “Foi o momento em que vimos que as milhões de horas no LoL valeram a pena. Fomos para Portugal representar o Brasil em um campeonato universitário e aprendemos muita coisa lá“, completou novamente Raposa, como capitão da equipe.

Ohana

Por fim, pedi para que definissem o grupo em uma palavra. Após várias risadas e comentários para que chegassem a uma conclusão, a resposta foi até que rápida: Ohana, um conceito da cultura havaiana que significa família. Para mim, após quase três horas de uma conversa bastante honesta e espontânea, não restaram dúvidas de que Matheus, Gabriel Henrique, Vinícius, Leonardo e Pedro Henrique sejam uma das equipes mais unidas e fortes dentro do universitário. Sua amizade é cativante, além do carinho e respeito que demonstram ter uns com os outros. Isso não precisava ficar mais evidente, mas ficou quando pedi para que falassem uns sobre os outros.

Sidera: “O LW é o meu irmão gêmeo, a gente ri sempre das mesmas coisas. O Matt é o good guy, muito calmo e gente boa, você pode contar com ele no que precisar. O Raposa é o mais são no meio da gente (risos), o capitão mesmo. E o Closer é o cara fica mais perto de mim no jogo, como eu jogo no top. Também é um irmão pra mim, o cara que eu mais passei tempo conversando fora do jogo. Consigo contar com ele a qualquer hora.” 

Closer: “Vou tentar definir em poucas palavras cada um deles. Raposa é o capitão, LWZ é um herói que não veste capa (risos). Matt é o carisma em pessoa e o Sidão é o irmão mais novo, que muitas vezes você não gosta mas faz muita falta (risos).”

Raposa: “Sidão é muito teimoso, é difícil pra ele ouvir o que você tá falando, mas ele é muito presente e companheiro. O Closer foi uma pessoa bem distante no começo do time, porque logo que montamos o time ele não tinha tanto interesse em participar, mas é uma pessoa muito importante, principalmente em função do conhecimento que passou pra gente. Como jungler não gosto tanto dele porque ele rouba o blue e farma a wave (risos), mas tirando isso é uma boa pessoa. O Matzera é o cara que conheço há mais tempo, a gente passava perrengue nas aulas juntos. Ele é tímido e não fala muito mas é um ótimo amigo e está sempre presente. E o LW eu definiria como turista, porque some e aparece sem a menor explicação (risos), mas é muito gente boa  e ótimo amigo, é o palhação da equipe.”

Matzera: “Sid é o irmão mais novo, um cara que me faz rir quando manda um vídeo sem noção (risos); já o Raposa é realmente o líder, o cabeça. Todo mundo tem umas ideias meio bobas as vezes e ele é o cara que bota os pensamentos no lugar. Foi também meu primeiro amigo fora do time. O Closer é um cara que eu admirei muito sempre, porque eu era muito leigo em termos de competitivo e ele já sabia de tudo isso. Você olha pra ele e sabe que ele não vai perder pra ninguém. E o LW por estar no bot comigo é meio que o meu irmão e acabamos criando uma relação muito próxima juntos.”

LWZ: “Primeiro queria dizer que admiro todos vocês. Quando eu entrei na Storm já estava num momento de que isso não desse certo, eu não iria continuar. Mas isso deu certo por causa de vocês, vocês me acolheram como se eu fosse parte de vocês há muito tempo. Vocês tem um carinho enorme por mim e não tem porque eu não ter o mesmo carinho por vocês. O Sid é muito engraçado, uma pessoa que você pode sempre contar. O Matt é meu irmão na bot lane e a gente gosta das mesmas coisas, vê o jogo do mesmo modo, cometemos os mesmos erros. O Raposa é o capitão, o cara que fala pela gente e eu tenho muita admiração pelo jeito que ele mantém as coisas em ordem. O Closer é a estrela e acho que todo mundo sente isso. Ele nunca decepciona e sempre que precisamos dele, ele está lá. Acho também que ele é o mais competitivo de nós.”

A UFABC Storm é formada por:

Matheus Carvalho Chagas, 21, Engenharia biomédica
Gabriel Henrique Ribeiro, 21, Engenharia Aeroespacial
Vinícius Bueno de Morais, 20, Ciência da computação
Pedro Henrique de Paula, 21, Engenharia biomédica
Leonardo Biazzuto Pironccelli, 20, Ciência da computação

  1. Sou apaixonada pelo Lwz, ele ainda não sabe q eu existo mas sou a maior fã dele, assisto todos os jogos presenciais, e meu sonho um dia é encostar naquele nariz lindo e grande dele!

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