Desafio UniLoL 2018: UFABC Storm se consagra e jogadores comentam suas experiências

Desafio UniLoL 2018: UFABC Storm se consagra e jogadores comentam suas experiências

No último fim de semana, nos estúdios da Riot Games em São Paulo, quatro equipes disputaram o Desafio UniLoL 2018. Minerva E-Sports (UFRJ), UTFPR Azure Jays, UFABC Storm e UFRPE Blackbulls Gaming jogaram uma série melhor de 3 no sábado para decidir os finalistas, que se enfrentariam numa MD5 já no dia seguinte.

Minerva E-Sports x UTFPR Azure Jays

Na primeira série do dia, os cariocas da Minerva venceram os paranaenses da Azure por 2×1 no placar. Foi certamente a série mais acirrada, com um dos picks mais inusitados até agora por parte da UTFPR: Brand como jungler (que, por sinal, deu bastante trabalho para os jogadores da Minerva).

“Faísca”, jungler da Azure, comentou um pouco da experiência de jogar o Desafio UniLoL, bem como a escolha do campeão para a selva:

“Estar aqui é fantástico, os outros campeonatos universitários não tem nem metade dessa estrutura. É realmente uma experiência de pro player, se você jamais sonhou em ser pro player, aqui você tem uma ideia, um gostinho de como é isso. Sobre a série contra a Minerva… nós tínhamos uma ideia do que eles iam pegar e conseguimos pickar grande parte do que queríamos. Eles surpreenderam com a escolha de Azir e Sion, mas, de modo geral, foi mais um problema de execução nossa, principalmente porque ficamos afobados.”

“Sobre o pick de Brand, é algo bem interessante… porque já faz um tempo que eu jogo jungle, sempre fui jungler…e eu já mudei de lane algumas vezes, pra mid e suporte. Comecei a jogar muito de Brand e Xerath.. o Xerath acabou não rolando, mas era um pick que eu poderia mostrar também, se eu tivesse oportunidade… se eles tivessem pego uma Taliyah. Mas eu sempre gostei de jogar de Brand e eu vi um vídeo do Kami jogando de Brand jungle no Challenger, e aí eu achei interessante e decidi testar. Acabei jogando com ele na solo queue, gostei bastante e o pessoal até zoava “Você não vai pegar Brand jungle na scrim”, mas acabou dando certo, principalmente porque eu estava confortável com o boneco. No último patch, por exemplo, a Taliyah estava muito forte… e eu não tinha uma resposta pra ela na jungle, não conseguia jogar contra. Aí eu descobri que o Brand era muito bom contra ela e contra o Graves, porque ele dá outrange neles, domina mais facilmente o rio, pega as scuttles pra sustain…”

Em seguida, foi a vez do suporte da Minerva, Puporr4uga”, comentar a série:

A gente começou meio por acaso e agora estamos aqui, tendo tratamento de pro player (risos). É muito organizado, muito regradinho. Eu já tinha a experiência de outros campeonatos, mas a estrutura da Riot é realmente muito boa. É uma experiência que poucas pessoas vão ter, mas quem tem não esquece.”

“Sobre a série contra a Azure…acho que eles são um time muito forte. Acho que fizemos uma boa série, mesmo com alguns problemas. A gente não esperava o Brand na jungle, mas conhecemos o campeão, sabemos basicamente como funciona a jungle, então surpreendeu… mas não consideramos um problema, tanto que não banimos nos outros jogos. Ele deu muito trabalho nas fights, principalmente por causa do dano, mas fora isso não foi tão complicado de jogar contra.”

“Eu acho que sobre seguir carreira de pro player, é uma experiência muito pessoal de cada um. No nosso time, especificamente, eu não acho que alguém tenha esse sonho. Eu e o Frozenfrost estamos mais no final do curso e já tentamos seguir essa carreira, mas acabou que não deu certo. Mas eu não duvido que essa experiência possa fazer com que os meninos mais novos tenham vontade disso. Pra quem joga LoL e acompanha o competitivo, a sensação de estar aqui é surreal.”

Sobre o Desafio ter sido no final do semestre letivo, o jogador acrescentou:

“Ficamos sabendo um pouco em cima da hora, então não teve necessariamente um preparo específico, até porque a gente já tinha algum conhecimento dos outros times. Mas por estarmos em final do semestre foi muito complicado. No hotel tive que parar pra escrever artigo…e assim que eu voltar pro Rio na segunda feira eu tenho prova no mesmo dia e na terça feira. Todo mundo está com várias provas e isso dificultou muito do nosso preparo com antecedência.”

UFABC Storm x UFRPE Blackbulls Gaming

A Storm novamente consagrou sua hegemonia no cenário universitário, vencendo a Blackbulls por 2×0. Mesmo com uma primeira partida bastante dominada pelos meninos do ABC e um segundo game muito mais acirrado, os pernambucanos mostraram que vieram para executar bons jogos e bater de frente.

A respeito da série, o top laner “Crossover” da Blackbulls, comentou:

“Nós tínhamos analisado o perfil da Storm, até porque eles são o time que mais joga e vence os torneios. No primeiro game não sabíamos que eles jogariam com o Sion no mid e isso frustrou um pouco da nossa estratégia. Para o segundo game, viemos já com outro mindset. Fizemos a nossa comp, conseguimos virar o jogo, tínhamos a vantagem…mas infelizmente não conseguimos vencer.”

“Participar do Desafio UniLoL foi uma experiência muito boa pra gente. Nós não tínhamos jogado contra a UFABC, nosso time é o provavelmente o mais novo daqui, já que nos formamos no final do ano passado. Vamos levar muito dessa experiência contra a Storm, porque realmente tivemos uma chance muito grande de vitória no segundo game.”

“Aqui na Riot tem uma estrutura muito boa, os computadores, os casters… tudo é muito diferente. Nós somos um time do Nordeste (Pernambuco), lá a gente joga com um ping muito alto (60 a 80 ms) e quando chegamos aqui e jogamos com 9 ms… cara, é muita diferença. É algo que eu acho que atrapalha bastante os times do Nordeste, além de que está tudo concentrado aqui no Sudeste e Sul, em termos de campeonatos.”

Posteriormente, foi a vez do top laner “Sidera” da UFABC Storm comentar a série, abordando uma das jogadas mais bonitas do segundo game, um 1v2 na bot lane entre seu Urgot e o Kassadin e  Lissandra de “Limão” e “Crossover”.

“Quando apareceu os dois no bot o meu time já deu a call do Baron, então eu já sabia que eu só tinha que ganhar tempo ali, porque eles iram forçar o outro lado do mapa. O Kassadin e a Lissandra acabaram dando um over ali, gastaram tudo e não me mataram.. vieram pro dive, aí eu segurei sabendo que conseguiria matar eles porque eles já estavam sem nada. Acho que foi muito bom, foi a jogada que terminou com o jogo, porque se eu ficasse sem o buff do Baron eu não conseguiria tanta pressão na side.”

“No segundo jogo a nossa composição não estava tão boa. A gente pickou Kayn, que é uma escolha meio diferente. Eles tinham uma composição que divava muito na backline e nós não tínhamos um tank primário… nosso suporte era um Pyke e o Kayn não é um tank, então eles conseguiam forçar muito rápido. Mas quando eles deram um missplay nós conseguimos pegar o Baron e finalizar a partida.”

Quando questionado sobre a hegemonia da Storm no cenário, Sidera afirmou:

“A gente está sempre treinando, sempre buscando evoluir. Acho que os outros times estão correndo muito atrás, mas a gente treina junto há muito tempo, somos muito amigos, muito unidos e basicamente não temos problemas dentro de jogo. Nós geralmente só nos adaptamos ao meta e vamos levando.”

Recentemente, a UFABC foi representar o Brasil no “Mundial Universitário”, que aconteceu na China. Sobre essa oportunidade, o top laner acrescentou:

Acho que a principal experiência que trouxemos da China foi sobre finalizar partida em torno dos 15-20 minutos. Todos os times que estavam lá, principalmente os times chineses… e nós vimos isso na solo queue, com 15-20 minutos de jogo, eles pegavam uma pressão de 2 ou 3 mil de ouro, juntavam numa lane com o Arauto e usavam isso pra já abrir inibidor, puxar o GG com muita pouca vantagem de ouro. Acho que a gente conseguiu absorver isso bem, trouxemos isso pra cá, tanto que na LUE, que foi o campeonato logo depois, nós conseguimos finalizar a maioria dos jogos nessa marca de tempo.”

“Lá fora os times universitários montam um draft muito bom e jogam muito em cima disso. Já aqui a principal coisa que falha é porque o draft costuma não ser muito bom e a champion pool dos jogadores não é muito boa. É muito difícil também achar um coach no universitário, porque normalmente os coachs são remunerados e aí se a faculdade não dá nenhum apoio, acaba sendo muito difícil… não só em termos de draft, mas sobre um feedback pós jogo, que é algo que ajuda bastante. Acho que os outros times precisam melhorar mais da parte estratégica, porque o pessoal joga bem.”

Já no domingo, confirmando o favoritismo, a Storm venceu mais um Desafio UniLoL, batendo os cariocas da Minerva por 3×0 na melhor de 5, comprovando que eles são, de fato, o time com o maior conhecimento estratégico do cenário. Será que alguma outra equipe vai ser capaz de bater essa invencibilidade? Saiba mais da história da UFABC Storm, aqui.

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