Dissecando a EVO 2016 – WHY SO MELEE???

Dissecando a EVO 2016 – WHY SO MELEE???

Guest post por Ricardo Filho

Em seu aniversário de vinte anos, a EVO presenteouos fãs de fighting games com uma surpresa. Não estou falando do fato de todo o evento ser transmitido ao vivo na ESPN nos Estados Unidos e no Brasil. Também não estou falando do número de inscritos, que quebrou recordes para todos os jogos disputados nessa edição.

A sensação do evento foi um jogo de quinze anos, esquecido pela desenvolvedora, renegado pela distribuidora e sem nenhuma atualização desde seu lançamento, ter alcançado o pico de mais de duzentos mil espectadores pela internet sem esquecer dos doze mil fãs apaixonados que lotaram o Mandalay Bay Center. Deixando grandes nomes dos jogos de luta como Justin Wong, boquiabertos com sua paixão, Super Smash Bros Melee definitivamente superou as expectativas dos fãs e organizadores do evento quanto à sua repercussão.

A pergunta que não quer calar é: como um jogo sem nenhuma atualização, com duas versões mais atuais e completamente desbalanceado pode se tornar o jogo mais assistido e amado na EVO 2016?

Conceitos básicos:

Para você que não conhece fighting games e caiu de paraquedas, aqui uma definição que eu gosto de dar: “É o Mario batendo no Pikachu”. That’s it! That’s the game… Bem, não é tão simples assim, mas é o conceito que fez com que a série tenha sobrevivido por vinte anos e recebeu três novos títulos após seu lançamento original.

Diferente de outros jogos de luta onde você tem uma barra de vida, a mecânica usada no Super Smash Bros é baseada em porcentagens e knockbacks, ou seja, quanto mais dano você recebe, maior a sua porcentagem e maior será o knockback sofrido até que você saia dos limites da tela, as chamadas blastzones.

Melee, o segundo título da franquia, tem seu roster formado por 26 personagens das maiores franquias da Nintendo, sendo que quase metade desses pode ser considerada viável em campeonatos, além de 29 stages, sendo que apenas seis desses são permitidos em torneios (incluindo Congo Jungle 64 para doubles).

Não vamos entrar nos quesitos de match-ups, ports priorities, advanced techniques, hitboxes estranhas, desbalanço de personagens, bugs, glitches e exploits, isso é assunto para outro post. O que torna o Melee único é seu gameplay rápido e altamente punitivo para quem comete erros, exigindo precisão e excelência dos jogadores, o que resulta em partidas emocionantes e de altíssimo nível.

Metagame e sua evolução orgânica:

Ao contrário do que se imagina, o jogo sofreu várias mudanças de metagame mesmo sem receber atualizações. As descobertas de novas ADT (Advanced Techniques) resultaram em novos personagens sendo viáveis, puxando junto com eles seus respectivos counter picks. Acredite se quiser: em 2015, catorze anos após o lançamento do jogo, ainda foram descobertas novas técnicas que causaram mudanças no metagame do cenário competitivo.

Outro fator importante é um jogador descobrir o potencial de um personagem sozinho. Um bom exemplo foi a Puff Storm ou Purin Meta, mudanças causadas após a ascensão do jogador HungryBox como um “Deus” (título dado para os cinco melhores jogadores de Melee da atualidade). Durante a subida do jogador do Team Liquid, vários outros players começaram a jogar com a Jigglypuff, tentando reproduzir a fórmula de seu sucesso.

Smash e a EVO:

Com apenas uma edição solitária em 2007, o Melee entrou na pool de votação como último game da EVO 2013, a reta final da votação ficou entre SSBM e Skull Girls. O jogo da Nintendo levou a votação beneficente e entrou no main stage ao lado de grandes títulos da época como Street Fighter IV e UMVC 3.

Depois de quebrar a barreira de entrar na EVO, o jogo recebeu outro golpe: A Nintendo, criadora do jogo, havia acabado de anunciar sua mais nova entrada na série, o SSB4, e queria barra a entrada da segunda versão do game na competição para que não tirasse o foco da novidade. Felizmente a investida da empresa falhou e após sangue, suor e lágrimas, também foi liberada a transmissão ao vivo do torneio.

Hoje, três anos depois de seu retorno para a EVO, Melee alcançou o posto de 3º maior número de inscritos vencendo até os tradicionais Tekken e Mortal Kombat.

Game Inscritos
Street Fighter V 5,107
Super Smash Bros. for Wii U 2,662
Super Smash Bros. Melee 2,372
Pokkén Tournament 1,180
Guilty Gear Xrd Revelator 910
Ultimate Marvel vs. Capcom 3 782
Mortal Kombat XL 713
Tekken 7: Fated Retribution 549
Killer Instinct 546

Muito além dos recordes:

Muito além da quebra de barreiras, paradigmas e números impressionantes, a EVO 2016 foi a prova concreta de que uma comunidade apaixonada pode sim manter um jogo vivo independente das adversidades, tempo ou até mesmo boicote de sua criadora.

O criador da franquia, Masahiro Sakurai disse em uma entrevista: “Melee foi criado como um party game, não um jogo competitivo”. Ou seja, o objetivo do jogo nunca foi que os jogadores gastassem horas a fio aperfeiçoando e descobrindo novas técnicas, muito menos que grandes organizações investissem seu dinheiro em jogadores para representar seu nome.

Mesmo assim, o singelo projeto que começou como “Dragon King: The Fighting Game”, adaptado para abrigar os carismáticos personagens da Nintendo, foi carregado através de anos por seus fãs e pela comunidade.

Foi assim que o Melee saiu das pools de votação em 2013 para dominar o main stage da EVO 2016 com duzentos e trinta mil espectadores assistindo pela internet e ao vivo. Mas se você ainda não está convencido da paixão da comunidade e jogadores, recomendo o documentário “The Smash Brothers”, criado pelos próprios fãs para contar a história do fighting game que se levantou com as próprias pernas.

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