E o Mundial no Brasil?

E o Mundial no Brasil?

[Nota da edição: o artigo “E o Mundial no Brasil?” fora publicado em 3 de março de 2018, e atualizado após o anúncio dos locais dos Mundiais de 2019, 2020 e 2021, em 1 de novembro de 2018]

Por coincidência ou tradição, todo país que recebera em um ano o MSI sediava no seguinte o Mundial de League of Legends. Isso aconteceu desde 2015, quando o mundialito foi criado, mas nesse ano o padrão foi quebrado, o Brasil foi deixado com o Rift Rivals latino e a Coreia a hospedeira do Worlds 2018.

Será que não passamos no teste? A invasão de palco na final pesou na decisão? Nunca saberemos, mas organizar um evento desse porte e importância vai além de superstições e tradições, e 2018 talvez seja o melhor ano para a Copa do Invocador pousar no país que a conquistou 5 vezes.

O último Mundial deixou claro que a Coreia é a casa do League of Legends. Não importa onde elas jogaram, as equipes coreanas dominaram o cenário nos últimos anos e mostraram que já passou da hora de receberem novamente o torneio mais importante da modalidade. O cenário, a transmissão e a infraestrutura avançaram muito desde 2014, quando Coreia e SEA sediaram o torneio, e com os investimentos da Tencent/Riot crescendo a cada edição, o show de 2018 deve ser inesquecível.

(Divulgação | Riot Games)

Mas o fator decisivo para o Mundial 2018 provavelmente reside na China. De acordo com o site Esports Charts, a Grande Final do ano passado, entre SK Telecom T1 e Samsung Galaxy alcançou um pico de 75,5 milhões de espectadores, 73,5 milhões do país-sede, e foi apenas a quarta maior audiência do torneio. Foram mais de 104 milhões de chineses acompanhando a disputada Semifinal entre SKT e RNG, contra meros 1,5 milhão de pessoas no resto do mundo. Com uma diferença de apenas uma hora entre os dois países, a Riot pode contar tranquilamente com o público Chinês sintonizando para acompanhar o torneio, e com sangue nos olhos para retribuir uma Final sem nenhum time da casa.

Por outro lado, o Brasil coleciona alguns problemas para receber o Mundial, principalmente em 2018. Além do fuso horário ingrato para o público oriental,  as eleições para Presidente e Governador caíram na mesma época do Mundial: 1º turno no dia 7 de outubro e o 2º no dia 28, com o evento acontecendo entre outubro e novembro. É impossível sediar um evento do porte do Mundial simultaneamente à eleição mais importante do país.

Outro problema é que o Mundial passa sempre por pelo menos 4 cidades, e não dá para centralizar tudo em São Paulo e Rio de Janeiro. Vimos durante o MSI que o público variava muito dependendo das partidas do dia, portanto, passar por cidades “menores” como BH ou Recife poderia machucar a Fase de Entrada/Fase de Grupos do torneio.

No entanto, nada disso exclui a possibilidade do Mundial acontecer no país futuramente. O MSI foi uma boa demonstração da capacidade da Riot Brasil e de que sabemos muito bem como dar um show, e pedir uma ajuda para o LAS/LAN resolveria o problema das cidades-sede. O alcance de público do LoL no Brasil, devido ao acordo de transmissão com o SporTV, certamente é um diferencial e seria ampliado para cobrir mais horas de um eventual Mundial por aqui. Mas fica o questionamento, como adaptar os horários de jogos para o público chinês?

Essa pergunta fica mais pertinente após a decisão da Riot de definir as sedes dos próximos 3 anos antes mesmo das Finais do Mundial de 2018. O Brasil ficou longe de ser um dos nomes, com o Mundial 2019 acontecendo na Europa, o 2020 na China e o 2021 nos EUA, dois deles ótimos para os asiáticos.

Após a fraca atuação dos vencedores do CBLoL nos últimos Mundiais e MSI, que já discutimos tanto em texto próprio quanto na entrevista com o Peter Dun, até os mais otimistas acabaram se distanciando da ideia do Mundial no Brasil. Os próximos anos seriam essenciais para se arrumar a casa, para que depois de 2021 o país volte a ser cogitado.

No entanto, essa perspectiva não anula a possibilidade das regiões emergentes receberem um MSI ou um All-Star. Vietnã e Turquia preenchem os requisitos básicos e devem estar famintos para acolher as equipes internacionais, e seria uma ótima forma de reconhecimento para as mesmas, principalmente após o Vietnã conquistar até vaga direta para o Mundial.

  1. Um adendo que faltou: o evento não é rentável no país. A Riot prática preços na casa dos 15 Euros no ingresso, e tentou praticar essa política no Brasil, que definitivamente não deu certo, já que ingressos a R$ 80 equivalem a quase 10% de um salário mínimo. A Riot até ofereceu descontos de 80% para a fase de grupos para que a arena não ficasse vazia (o que tirou muitas das pessoas que já tinham comprado do sério). Claro, os cariocas disseram que o local também era ruim no quesito acessibilidade, mas creio que isso não fez com que os ingressos encalhassem da forma que foi.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *