BGS 2018: André “Meligeni” Santos comenta sobre o Major de Paris, a evolução do Rainbow Six competitivo e o Circuito Feminino

BGS 2018: André “Meligeni” Santos comenta sobre o Major de Paris, a evolução do Rainbow Six competitivo e o Circuito Feminino

Rainbow Six Siege é um dos esportes eletrônicos que mais tem crescido em popularidade com o público brasileiro em 2018. Após quase termos [a comunidade brasileira] um campeão da Pro League ano passado com a Black Dragons e a Team Liquid finalmente ter conquistado o troféu para a nação verde-e-amarela este ano, o jogo ganhou mais seguidores nas redes sociais (e mais jogadores também, consequentemente).

Além, claro, das equipes que participam dos vários campeonatos promovidos pela Ubisoft ao longo da temporada, há figuras bastante marcantes no cenário de R6. Algumas destas figuras até mesmo se fazem presentes desde o começo da jornada desse esport no Brasil. Uma dessas figuras é o narrador André “Meligeni” Santos, que já figurou em outros jogos como Battlefield 4, onde ganhou grande notoriedade no seu trabalho de casting.

A figura de Meligeni foi tão importante para o desenvolvimento do Rainbow Six no Brasil que, juntamente com Nicolle “Cherrygumms” Merhy, ganharam um episódio cada um para si do documentário “Another Mindset”. Este documentário foi produzido pela própria Ubisoft, com o objetivo de retratar a rotina de algumas das pessoas mais relevantes do cenário mundial do R6, como o atual campeão mundial Niclas “Pengu” Mouritzen. E durante a BGS 2018 o eInsider conseguiu algumas palavras do caster com o melhor “O-VER-TIME!” do mundo.

Seguem as perguntas e respostas da entrevista na BGS 2018 na íntegra:

eInsider: Boa tarde a todos, consegui aqui uma palavrinha com André “Meligeni”, um dos grandes casters do Rainbow Six Siege. E primeiramente eu gostaria de agradecê-lo pelo seu trabalho, porque é louvável o que você faz pelo cenário. Eu gostaria de começar com um retrospecto, o que você acha que veio de mudanças no cenário como tava no ano passado e veio para cá em 2018.
Meligeni: Assim, é, agradecer né, a você também pela oportunidade de a gente poder falar um pouquinho mais sobre Rainbow Six. Olha, o que, o que mudou muito de 2017 para 2018 foi a dedicação da própria Ubisoft em relação a querer modificar cada vez mais como funciona o esports em si dentro do Rainbow Six. Então essa mudança de regra [do BR6], melhorias dentro do jogo focado para o esports era importantíssimo pro Rainbow Six. E não basta você querer ter um jogo focado em esports e você não se dedicar tanto pra esse trabalho também dentro dele. Então houve mudanças de operadores, de mapas, redesign, que eles viram que estavam pecando, que eles estavam errando, e tentaram corrigir, principalmente dentro dos campeonatos né, as mudanças de regras, com a mudança de calendário, até o aumento de premiações. Isso tudo influenciou pro crescimento absurdo que a gente está tendo hoje em dia, né? Em 2017 já era muito bom, em 2018 cresceu cada vez mais, porque a Ubisoft continuou se dedicando, ela não simplesmente pegou “pronto, não vou fazer mais nada, e agora a gente vai deixar a comunidade andar sozinha”. Isso não funciona em esports nenhum.

eInsider: Bom, em relação mesmo ao competitivo, aproveitando a mudança, a gente viu que ano passado a gente [comunidade brasileira] “bateu na trave”, especialmente com a Black Dragons aqui [em São Paulo] na Pro League, e esse ano a gente conseguiu! Mas aí depois teve o Major em Paris e aí acabou que meio que “desandou”, digamos assim, meio que teve uma queda de expectativa. O que que você acha que acabou afetando mais os jogadores, o que foi exatamente esta “queda”?
Meligeni: Ah, a gente sabe muito bem que o psicológico é muito importante dentro de um campeonato, né? Então fica difícil às vezes se conseguir manter esse psicológico através de uma derrota, a recuperação é difícil. E não é desmerecendo os jogadores não, de maneira nenhuma, qualquer pessoa tá passível de acabar sendo abalada psicologicamente. Aconteceram coisas desse tipo: derrotas, falhas dentro do jogo, e isso é uma coisa que ainda tem que ser muito trabalhada com os jogadores. Não é só os brasileiros, não. Tem muito time que não fez tudo o que deveria fazer, dentro do Major. Acho que não foi só o Brasil que acabou, vamos dizer assim, deixando a desejar. Mas, de qualquer maneira, esse é um trabalho que vai melhorando de acordo com o tempo, os times do Brasil tão melhorando em relação a isso, o Major é um campeonato mais longo, a [final da] Pro League é mais rápida, você joga, ganha, tá, “tô na próxima fase”, então assim, é um campeonato de dois dias. Isso também influencia, não te dá tempo de se desesperar, não te dá tempo de perder o ritmo, então como o Major é mais longo, a preparação tem que ser melhor né, e isso o Brasil tá começando a melhorar em relação à esta questão de preparação. Então acho que, quem sabe aí no Invitational do ano que vem no Canadá, eu acho que eles vão tar (sic) com uma cabeça melhor. Psicológico é complicado cara, não é fácil ficar dez dias fora do seu país, longe da sua família, longe das pessoas que você ama, e também abdicando de várias coisas pra tar (sic) naquele local. É uma série de fatores que você tem que levar em consideração, mas com certeza a dedicação é a mesma. Então os times brasileiros ainda vão conquistar um Major.

André “Meligeni”, durante a narração de uma das rodadas do Brasileirão de R6 da última temporada (2017/2018). (Facebook / André Meligeni TV)

eInsider: Concordo contigo nisso, e isso acaba também [permitindo] a gente fazer paralelo com outros jogos. League of Legends por exemplo, teve a fase inicial do Mundial, em que o time da KaBuM! foi selecionado, foi a pior…
Meligeni: Foi a pior campanha de um time de League of Legends brasileiro dentro de um Mundial, né? Então, isso aí influencia.

eInsider: Exatamente, acho que cai muito nessa reflexão, também. Agora, voltando para o Rainbow Six mesmo, a questão por exemplo, do Circuito Feminino, foi uma iniciativa que foi louvável por parte da Ubisoft, dando mais espaço [para as jogadoras]. O que você acha que, para as próximas etapas, o que eles [a Ubisoft] podem trazer, o que eles podem inovar? Porque os formatos da primeira e segunda etapa foram bem parecidos, só que a visibilidade mesmo delas foi mais nas fases finais, que eram presenciais, transmitidas, e as fases eliminatórias, eram mais, digamos, online, então não tinha transmissão.
Meligeni: É como se fosse offline, porque não teve transmissão, né?
eInsider: Isto mesmo.
Meligeni: Mas assim, uma coisa muito importante que tem que deixar claro, antes de mais nada, é que o Circuito Feminino, na verdade, é uma porta de abertura pras jogadoras se sentirem à vontade de participar do Circuito Misto [as competições principais da Ubisoft]. Então, na verdade, tem muita gente que entende que Pro League, Invitational, esses campeonatos, é um campeonato do cenário masculino. Não existe isso, tá? É misto, qualquer jogadora pode participar, um grande exemplo disso foi a Cherry, que participou dos campeonatos da Elite Six no início de 2016, e agora a Goddess, que ela é líder, capitã da Cloud9, que é um dos times com provável classificação também para o presencial do Rio de Janeiro em novembro. Então, é pra deixar bem claro pra galera que não existe isso de segregação, o Circuito Feminino na verdade é só uma maneira de incentivar e ajudar essas mulheres que são, com certeza, atacadas constantemente dentro do jogo, e pra elas verem que são tão importantes como qualquer pessoa dentro do competitivo.

eInsider: Agora uma última pergunta, tivemos uma reformulação do Brasileirão [de R6], agora tem mais uma estrutura, um campeonato bem mais longo, mantivemos as rodadas divididas em duas semanas [cada], tivemos as séries-de-dois (md2), e também agora a pontuação é diferente. O que você acha que vai ter de impacto essa mudança do Brasileirão, como é que ele vai impactar os outros campeonatos que vão ser disputados ao mesmo tempo, como a Pro League?
Meligeni: É, essa mudança de regra dentro do Brasileirão foi importante também, porque um mapa só é… É injusto, né? A gente tem que ser bem sincero. Você não tem tempo de recuperação, às vezes. Então, com essa melhor-de-dois, cada mapa vale, cada mapa conta, porque se você não ganha os dois mapas você não ganha os três pontos. Se você ganhar um mapa e empatar ou perder, você vai indo por empate, você ganha um ponto só; se você ganha um mapa e empata o outro você ganha dois pontos, então cada mapa vale a pena, então a mudança é importantíssima pra de repente criar um conceito diferente de competitivo até nos outros campeonatos.

eInsider: Agora, fique à vontade para deixar uma mensagem pros fãs, pra galera.
Meligeni: Então, pra galera que acompanha o Rainbow Six eu queria agradecer que, é… O carinho que eles têm pela gente é maravilhoso. Eu tô aqui na BGS contigo, a gente praticamente não consegue ficar quieto aqui, né? Então, é muito gostoso ver que as pessoas se importam com a gente, gostam do nosso trabalho, e no final das contas é pra isso que a gente tá aqui, é pra ver essa galera e mostrar pra eles que tudo que a gente faz aqui é por eles.

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