A influência dos Dragões na proatividade de equipes profissionais

A influência dos Dragões na proatividade de equipes profissionais

A presença de Dragões Elementais em Summoner’s Rift influencia completamente o comportamento de equipes durante uma partida. Times mudam a preparação de visão, a organização do time e fazem diversos ajustes para preparar para contestar o objetivo neutro ou responder com uma jogada em outro lugar do mapa. Além disso, a presença do Dragão no mapa também influencia a proatividade de equipes.

Este estudo sugere um formato de coleta de dados para ajudar analistas a ter mais informação sobre a mudança de comportamento de diferentes times em relação à presença do Dragão no mapa.


O Formato

Quando se trata de Dragões Elementais, times costumam se comportar de formas diferentes de acordo com quatro situações mais notáveis:

  • Antes de nascer o primeiro Dragão (antes do relógio do jogo chegar a 5 minutos)
  • Quando há um Dragão no mapa
  • Quando não há Dragões no mapa
  • Quando um Dragão está para nascer (aproximadamente um minuto antes de o Dragão surgir)

Times também reagem a vários outros elementos do jogo, mas a maioria deles tem estatísticas próprias que não invalidam os números mostrados nesta pesquisa, e também não são invalidados por eles.

Levando isso em consideração, coletei dados das partidas da fase eliminatória dos finalistas do Mundial 2019 G2 e FunPlus Phoenix. Estas estatísticas estão separadas de acordo com as situações mencionadas acima, como demonstrado nas planilhas.

FPX

Os campeões do mundo FunPlus Phoenix foram um time extremamente proativo e agressivo durante o Mundial 2019. Enquanto a maioria das equipes luta e pressiona rotas para contestar um objetivo ou visão ao redor de um objetivo neutro, a FPX lutou e pressionou rotas simplesmente por ver oportunidades.

Um fator que passou despercebido para muitos, porém, foi que o time chinês frequentemente tentava abater o Dragão Elemental logo após ele nascer. Isto pode ser ligado ao fato de que a FPX é quase independente de ter um objetivo neutro no mapa para criar jogadas. Ao tirar o Dragão do mapa o mais cedo possível, a FPX tem que se preocupar com o objetivo por menos tempo. Além disso, esta estratégia diminui as oportunidades de equipes adversárias que costumam armar jogadas em função do Dragão.

As estatísticas que coletei apoiam as análises que indicam que a FunPlus Phoenix é melhor quando não há Dragões vivos. Especialmente as estatísticas relacionadas ao Barão. Durante a campanha vitoriosa nos playoffs, a equipe chinesa viu 14 Barões abatidos.

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Nenhum foi abatido enquanto havia um Dragão no mapa.

Nenhum foi abatido quando faltava um minuto ou menos para um Dragão nascer.

Todos foram abatidos quando não havia Dragões em Summoner’s Rift. E 11 destes 14 foram a favor da FPX.

Os números também indicam que a FunPlus Phoenix foi um pouco dependente de ter boas performances quando não havia Dragões vivos. Nas duas derrotas dos chineses nos playoffs, eles ainda foram bem quando jogavam em função de Dragões. Porém, caíam muito de produção quando não havia um no mapa.

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Com acesso a tal informação, é possível que os adversários da FPX tivessem se adaptado e tivessem mais chance contra eles, punido-os ou evitando lutas quando não havia Dragões vivos.

G2

Os vice campeões G2, apesar de serem aclamados como um time extremamente proativo e agressivo durante o ano, foi muito menos durante os playoffs do Mundial 2019. Ao contrário da FPX, os europeus buscavam lutas e pressão quase apenas quando necessário, não sempre que podiam. Notavelmente, foram muito dependentes de fazer jogadas em função de objetivos neutros. Entre eles, é claro, Dragões Elementais.

De volta às estatísticas do Barão, mais uma vez demonstra uma mudança no comportamento da equipe em relação à presença de um Dragão no mapa. Em contraste com o controle de Barão da FPX quando não havia Dragões vivos, a G2 foi bem ineficiente neste aspecto. Um total de 13 Barões foram feitos nessas circunstâncias nas partidas da G2 da fase eliminatória, mas somente 2 a favor da equipe europeia. Nas cinco derrotas do time nos playoffs, 8 Barões foram abatidos quando não havia Dragões vivos, todos contra a G2.

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O lado positivo para a G2 é que, quando havia um Dragão no mapa, a equipe conseguiu o buff 2 vezes, e só o cedeu uma vez nestas circunstâncias. Os europeus também venceram todas as partidas em que o Barão foi feito enquanto um Dragão estava vivo.

Nos playoffs do Mundial 2019, a G2 foi mais ativa do que a FPX quando o primeiro Dragão ainda não tinha nascido, quando havia um Dragão vivo, ou quando faltava menos de um minuto para o objetivo neutro surgir. Também ao contrário das tendências da equipe chinesa, a G2 parecia depender de haver muita atividade em função do Dragão. Isto fica ainda mais claro pelo fato de que o time não só teve mais abates, barricadas e torres em seu favor nas vitórias, mas também pelo fato de que cedeu menos abates, barricadas e torres em suas derrotas do que em suas vitórias nestas circunstâncias.

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Comparando os Finalistas

Os dados coletados neste estudo se tornam ainda mais reveladores e relevantes quando colocamos alguns números da FPX lado a lado com estatísticas da G2. Aqui estão algumas comparações interessantes:

Infográfico comparação
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Em resumo, a FPX era muito melhor do que a G2 quando não tinha Dragões vivos, enquanto os europeus eram mais competitivos quando jogando em função do objetivo neutro. E os números apoiam estas informações. Mas para estas estatísticas serem realmente relevantes, tais padrões teriam que se repetir na grande final. A FunPlus Phoenix venceria a G2 em partidas mais ativas quando não havia dragões no mapa, e a G2 teria mais chance de vencer os chineses em partidas em que o oposto acontecesse.

E foi exatamente o que aconteceu. A FPX venceu a série por 3 a 0, e em todas as partidas a maioria das lutas e objetivos estavam acontecendo quando os Dragões já estavam mortos. Todos os quatro Barões abatidos durante a final foram a favor da FPX, todos quando não havia Dragões vivos ou próximos de nascer. Das 31 barricadas destruídas durante a série, 23 caíram quando não havia Dragões em Summoner’s Rift. O número de abates e torres também foi muito maior quando não havia Dragões para contestar.

O Veredito

Há muitos fatores que influenciam o resultado de um jogo, e este estudo não os invalida ou ofusca. Mas o fato de que existe um padrão significa que proatividade em relação à presença do Dragão no mapa pode ser um dos fatores determinantes em diferentes partidas.

Se tal proatividade é realmente um fator, este formato de coleta de dados pode ser útil para antecipar o comportamento de equipes em certas partidas, o que pode facilitar análises pré-jogo. Além disso, pode apoiar análises que já existem, mas que não tinham validação ou argumento estatístico.

As comparações entre G2 e FPX mostram que os dados coletados nesta pesquisa corrobora com as observações feitas por analistas durante a fase eliminatória do Mundial 2019. Analistas apontaram que a FPX prefere tirar Dragões do mapa o mais rápido possível, e este estudo nos ajuda a compreender o por quê. Foi observado que a G2 jogou em função dos objetivos neutros durante os playoffs do Mundial, e esta pesquisa apoia tal análise. Ao utilizar e continuar desenvolvendo este método de coleta de estatísticas, amantes do League of Legends e analistas terão ainda mais conhecimento e embasamento.

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