KaBuM e-Sports – Do Inferno à Vitória

KaBuM e-Sports – Do Inferno à Vitória

A KaBuM e-Sports chocou o Brasil ao vencer o Campeonato Brasileiro de League of Legends um ano após seu rebaixamento para o Circuito Desafiante. Sua ótima campanha na fase de pontos garantiu uma vaga direta na final, mas a conquista do título não foi nada fácil. O time precisou de cinco mapas para se consagrar campeão e o primeiro time a bater o Exódia (line-up formada por Yang, Revolta, tockers, micaO e Jockster) em uma série MD5 em território nacional.

Como que uma equipe recém-rebaixada e desacreditada por muitos (inclusive eu) consegue realizar um feito dessa grandeza? Como gosto de dizer, não existem respostas simples para perguntas complexas e é necessário analisar todos os fatores relevantes à esse acontecimento.

A própria KaBum:

Pra começo de conversa, vamos compreender a KaBuM por completo: seu estilo de jogo, suas forças e fraquezas.

Luccas “Zantins” Zanqueta fez sua estreia no CBLOL na 2ª etapa de 2015. Mesmo com cinco splits de bagagem, essa foi a primeira vez que o jogador se destacou ao atuar com carries, porém o mérito não é apenas dele. Durante o draft, o campeão do top laner foi escolhido na segunda fase em 12 dos 16 jogos. As informações adicionais sobre a composição adversária foi uma das condições que aumentou o conforto de Zantins com damage dealers. Outro ponto importante é que ele normalmente jogou com champions que tinham o potencial de dominar seu oponente em uma side lane e que também podia auxiliar seu time em cenários de lutas 5 contra 5. A versatilidade e a capacidade de se adaptar dentro de uma partida de Zanqueta foi essencial para o título brasileiro da KaBuM.

Enquanto o top laner dava ao time dano e pressão em uma rota lateral, coube a Filipe “Ranger” Brombilla a tarefa de ser o iniciador e linha de frente da equipe. O caçador sempre esteve confortável nesse estilo de jogo, mas surpreendeu com suas atuações de Olaf e Kha’Zix, onde ele efetuou as funções básicas da posição e foi capaz de dominar os junglers adversários, permitindo que seus companheiros jogassem de maneira agressiva. Ranger não teve o mesmo destaque individual, mas foi a massa que fez essa line-up dar liga e ser uma rocha sólida.

Já que estamos falando de solidez, o momento é perfeito para conversar sobre Matheus “Dynquedo” Rossini. Durante o campeonato ele teve boas atuações de Ryze, Azir, Galio, Zoe e Taliyah, os cinco campeões mais contestados do mid no ano de 2018. A champion pool vasta garantia seu conforto e permitia que seu campeão fosse escolhido na primeira rotação, dando um match-up favorável para outra lane. Além de ser o sonho de qualquer treinador, o jogador não sentiu a pressão de disputar uma final e manteve o nível mesmo contra o experiente Gabriel “tockers” Claumann.

Alexandre “TitaN” Lima é a revelação da KaBuM. Contratado pela organização no final de 2016, ele presenciou três momentos marcantes: o rebaixamento, a volta ao CBLOL e a conquista do título. Durante o torneio, ele se destacou ao jogar de Tristana e Ezreal, campeões que permitem que ele siga sua natureza agressiva, mas que minimizam possíveis mortes. Ainda assim, ele cometeu uma série de erros durante a final, mas isso não tirou sua confiança nem mudou seu estilo de jogo. A champion pool rasa e o nervosismo são problemas normais no desenvolvimento de um jogador, mas o sistema de jogo e o talento de TitaN foram suficientes para superar essas barreiras e garantir o caneco para a equipe.

Por último, mas não menos importante, vamos falar do capitão Marcelo “Riyev” Carrara. Apesar dos 21 anos, o jogador é muito experiente e viveu altos e baixos ao longo de sua carreira. Presente no split inaugural do CBLOL em 2015 e banido por elo job no mesmo ano, Carrara atuou como analista da KaBuM Black durante seu ano de suspensão. O carioca voltou à organização em 2017, foi rebaixado e participou de todo o processo de reformulação da equipe. Seus números não são impressionantes e suas jogadas plásticas foram raras, mas ele foi o grande responsável pela implementação das ideias de Jean “Nuddle” Caron dentro do servidor e no auxílio do desenvolvimento de seu parceiro de lane.

O novo formato:

A mudança da temporada regular de MD2 para MD3 fez com que a KaBuM jogasse dois mapas a mais. Pode parecer uma diferença pequena, mas cada partida disputada a mais auxilia no desenvolvimento de jogadores novos como é o caso de TitaN.

Apesar de contradizer o ponto anterior, a alteração dos playoffs para o formato de escalada permitiu que a KaBuM analisasse 8 mapas da Keyd antes da final. Com isso, a equipe teve muito material para avaliar e preparar seu plano de jogo enquanto seus adversários não tiveram a mesma oportunidade.

A receita para o sucesso:

Semelhante ao efeito dominó, o título da KaBuM veio com a combinação de uma sequência de acontecimentos. Isso não tira os méritos da organização, pois foi ela que enfileirou as peças e derrubou a primeira, dando início à uma campanha de sucesso. A manutenção da line-up permitiu que os jogadores evoluíssem individualmente e como unidade, isso também fez com que a comissão técnica tivesse o tempo necessário para criar sistemas e resolver problemas que apareceram ao longo da jornada. Ainda, a mentalidade e a perseverança da equipe foram necessárias para vencer um adversário que, além da experiência, tinha um histórico praticamente impecável e um trabalho em equipe que foi modelo para o sucesso de muitos outros times. Agora, é hora de dar o próximo passo, e ver como que eles continuarão evoluindo à caminho do palco internacional.

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