Lendas Nunca Morrem

“Lendas nunca morrem. Quando o mundo chama por você, consegue escutá-los gritando seu nome?”

A música do Mundial 2017 não poderia ser mais precisa. O fim da maior competição internacional do ano foi uma tradução, em jogos, perfeita para o tema composto especialmente para a edição, que se encerrou de maneira espetacular.

De um lado, a tri-campeã mundial SK Telecom T1. Vinda de uma campanha árdua onde, pela primeira vez, foi levada ao limite diversas vezes seguidas. Do outro, a equipe que apontava maior evolução ao longo da competição, surpreendendo o mundo, e vice-campeões do ano anterior, Samsung Galaxy. Em uma reedição da decisão de 2016, SKT e SSG travariam uma batalha de lendas, após ambas superarem outras lendas em seu caminho até a grande final de 2017.

Enquanto eram levados ao seu máximo, as estrelas da SKT aparentavam se distanciar de sua forma, exceto uma delas.

“Lendas nunca morrem, elas se tornam uma parte de você toda vez que você sangra para alcançar a grandeza.”

Com campeões que, teoricamente, reduziam sua capacidade de brilhar devido às características que raramente possibilitavam alguma grande jogada individual, Faker contrariava a todos e, de maneira inigualável, abria o caminho para sua equipe avançar até a grande final. As lendas da SKT sangravam, mas seu midlaner se demonstrava resiliente e inabalável.

Cada partida, cada jogada, cada segundo que se passavam iam fortalecendo ainda mais o nome de Faker na eternidade. Suas atuações eram magistrais, apesar de sua equipe estar irreconhecível, ele aparentava estar em um auge nunca antes alcançado por algum outro jogador, mas a hemorragia não havia sido estancada.

(Reprodução/Riot Games)

“Eles estão escritos na eternidade, mas você nunca vê o preço pago – as cicatrizes coletadas por todas suas vidas”

O lado desafiante também tinha suas próprias sinas. Marcadas por falhas, desconfiança e voltas por cima, as carreiras dos membros da Samsung Galaxy eram repletas de cicatrizes, marcas de guerra que eles carregariam para a grande final de 2017 como experiência para buscar a vitória.

Com destinos que se cruzariam diversas vezes até os dias atuais, em 2013 Ambition tinha pela frente um novato prodígio. O primeiro confronto entre o veterano, já quase com status de lenda, e o recém-chegado Faker, mancharia para sempre a carreira de Ambition após um abate solo sofrido de maneira surreal embaixo de sua própria torre. Carregando o peso de ter sido uma das ferramentas da ascensão meteórica de Faker, Ambition viveu anos instáveis em sua carreira até sua mudança do mid para a jungle e sua chegada à Samsung Galaxy. Apesar da escassez de títulos, a carreira do novo jungler da SSG já poderia ser considerada como a carreira de uma lenda,que, mesmo com altos e baixos, conseguiu se manter entre os melhores jogadores do mundo por anos.

Outro nome da equipe finalista almejava o status de lenda. De um início difícil bem longe de casa, jogando no Brasil, até o palco da grande final do Mundial, o midlaner Crown é a personificação do espírito da Samsung Galaxy. Com uma carreira marcada por um rápido crescimento, o ex-jogador da Kabum Black, assim como sua atual equipe, se apoiava no trabalho duro para alcançar o topo. Em 2016, todo o esforço foi recompensado com uma vaga na final do Mundial e, no ano seguinte, a história se repetiu.

(Reprodução/Riot Games)

“Quando tudo está perdido, eles recolhem seus corações e se vingam da derrota
Antes de tudo começar, eles sofrem com o mal apenas para tocar um sonho”

A final de 2016 foi um golpe duro para a Samsung Galaxy. Empatados por 2-2 na série, a primeira chance real de derrota para a SKT em decisões de título mundial surgia. O resultado, até então, já era surpreendente – uma equipe levando a favorita SKT ao quinto jogo de uma final – mas, de maneira assustadora, os donos do trono buscaram a vitória e seu tricampeonato, deixando a Samsung no “quase”.

A derrota ecoaria pelo mundo. Questionamentos sobre a existência de uma equipe capaz de bater a SK Telecom T1 em Mundiais surgiram e, alguns analistas, apontavam que havia sido a primeira e última chance desse plantel da Samsung Galaxy erguer a Summoner’s Cup. Os olhos dos fãs estavam voltados para a hegemonia de Faker e companheiros, mas um recado havia sido dado: a SKT também sangra.

Em 2017, o sangramento da SKT continuou. Havia se tornado uma hemorragia. Atuações abaixo do esperado durante todo o ano, mesmo com um título de MSI, colocavam a equipe com o rótulo de “pior SKT de todos os tempos”. Mesmo assim, o sonho do tetracampeonato ainda estava vivo, pois após a segunda colocação nos playoffs da LCK, a SKT embarcaria para seu quarto Mundial.

Do outro lado, a Samsung saía dos holofotes. A vice-campeã de 2016 parecia ter gastado todas suas energias na disputa do título no ano anterior, correndo o risco de não se classificar para o Mundial seguinte.

Mais uma vez, o fator que levou a SSG à final de 2016 seria o trunfo da equipe. Enquanto organizações montavam dream teams, a aposta no mesmo plantel e no trabalho árduo se pagariam nos qualifiers regionais da LCK. Após derrotar uma poderosa kt Rolster, Crown, Ambition e parceiros teriam uma chance de se redimir.

Ambas as equipes traçaram seus caminhos até a grande final. Diferentes obstáculos estiveram no caminho de SKT e SSG, mas na decisão enquanto uma equipe pensava em defender o título, a outra buscava sua vingança e afirmação.

Crown, em 2016, após derrota na série Samsung Galaxy vs SK Telecom T1 – Final Mundial 2016 (Reprodução/Riot Games)

“Levante-se, porque…
Lendas nunca morrem!”

Uma frase havia marcado o Mundial antes mesmo do início de sua fase principal. Em um vídeo promocional para a competição, Faker afirmara que “para se tornar uma lenda, você precisa derrubar alguém como ele, diversas vezes”. O resultado da grande final seria uma prova disso.

Contra as expectativas de grande parte da torcida, a Samsung Galaxy fez história ao derrotar a SK Telecom T1 por 3 a 0. Enfim, a redenção pela derrota na final de 2016 havia chegado. Dessa vez o título não escapou entre os dedos da SSG: seus jogadores o agarraram com todas as forças e não deram a mínima chance para os tricampeões mundiais. Erguiam a segunda taça da organização – a primeira para um plantel desacreditado por muitos. As 3 vitórias seguidas e primorosas sagrariam os jogadores da Samsung Galaxy como novas lendas.

(Reprodução/Riot Games)

Enquanto os jogadores adversários comemoravam, uma cena chamava a atenção. Em uma situação atípica para jogadores asiáticos, a maior lenda do League of Legends mundial deixava suas emoções explodirem, aos prantos, imóvel em sua cadeira. Essa imagem marcaria a história da final, uma série unilateral para a Samsung, porém com o melhor jogador do mundo tentando de tudo e jogando seu melhor para impedir a derrota.

No final, novas lendas surgiram e cravaram seu nome na história. Mas, como a música tema aponta perfeitamente, as lendas nunca morrem. O futuro guarda muitas coisas para os campeões mundiais, mas guarda ainda mais surpresas – e desafios! – para as lendas.

(Reprodução/Riot Games)

 

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