LPL: a liga que deveria ser maior

LPL: a liga que deveria ser maior

O LPL é uma liga em constante crescimento. A implementação do modelo de franquia aumentou o investimento das organizações e atraiu grandes patrocinadores como a Mercedez-Benz. A expansão do número de participantes incentivou mudanças no formato e a construção de arenas para cada time. Além disso, as partidas emocionantes garantem a boa audiência das transmissões ao vivo.

Os avanços recentes não apagam o histórico decepcionante da China. Desde 2012 algumas equipes conquistaram bons resultados, mas raramente alcançaram as expectativas de seus fãs. É difícil justificar o enorme interesse pela região quando percebemos a sua falta de triunfos e consistência. A história do LOL chinês pode ser dividida em quatro capítulos que representam os seus altos e baixos.

A era das lendas (2012):

Em 2012 o League of Legends competitivo era um circuito aberto com vários campeonatos disputados ao longo do ano. Ainda assim, a participação de esquadras chinesas em torneios internacionais foi pequena. Mas não se deixe enganar: apesar das poucas aparições, Invictus Gaming e World Elite deixaram sua marca. Se você acompanha LOL há algum tempo, já deve ter ouvido falar do Rumble de PDD, do Twisted Fate de Misaya e da atuação de gala de Weixiao no lendário IPL5 (competição com ótimo formato e times de calibre mundial) . Lembrar deles após tantos anos é a prova que eles são lendas do esport.

Team World Elite vence o IPL5
A World Elite de Caomei, ClearLove, Misaya, Weixiao e FZZF dominou o IPL 5

A geração LPL (2013 – 2014):

A criação do LPL causou uma revolução no cenário chinês. O Team WE e a IG, até então favoritos, ficaram de fora da final do primeiro Split. Novos times chegaram ao topo, porém a capacidade de produzir talentos se manteve. Demorou pouco para NaMei, Cool, Gogoing e Uzi se consolidarem como os novos protagonistas da liga.

Somente duas equipes chinesas disputaram o Season 3 World Championship: a Star Horn Royal Club e a Oh My God. A OMG começou sua jornada na fase de grupos e foi a única a bater a SK Telecom T1 nessa etapa do torneio. O ingrato sorteio dos playoffs forçou o duelo regional entre OMG e SHRC nas quartas-de-final. A esquadra de Uzi levou a melhor e avançou até as finais, onde perdeu para a SKT de Faker.

Em 2014 a Edward Gaming nasceu e formou um supertime que dominou todas as competições domésticas. Enquanto isso a OMG e a Royal Club se classificaram para o mundial pela segunda vez consecutiva. No season 4 World Championship, as três organizações passaram do Group Stage, mas caíram no mesmo lado da chave de mata-mata. Após vencer a EDG nas quartas e a OMG nas semifinais, a SHRC de Uzi, InSec e Zero amargou novamente o vice-campeonato.

Edward Gaming 2014
Dominante na China, a EDG de Koro1, ClearLove, U, NaMei e FZZF não impressionou no mundial de 2014.

A invasão coreana (2015 – 2016):

O relativo sucesso da Star Horn Royal Club e o segundo título mundial coreano transformou o LPL. Várias equipes contrataram atletas de outras ligas e seis dos oito times nos playoffs do Spring Split de 2015 contavam com peças importadas em seu plantel. A chegada de Deft e PawN deu novas ideias e a conquista do Mid Season Invitational para a EDG.

As esquadras do LPL chegaram no mundial cercadas de favoritismo e expectativas, porém a realidade era outra. LGD Gaming e Invictus Gaming foram eliminadas na primeira fase enquanto a EDG se despediu do torneio após perder para a Fnatic por 3 a 0. Um ano se passou e as organizações melhoraram a integração dos jogadores estrangeiros, mas isso não trouxe nenhum resultado relevante.

Edward Gaming 2015
A Edward Gaming surpreendeu a SKT e foi a campeã da primeira edição do Mid Season Invitational

Voltando às origens (2017 – presente):

O volume de coreanos jogando no LPL permaneceu alto em 2017, apesar disso já era possível ver mudanças na mentalidade de algumas equipes. Naquele ano, a Royal Never Give Up levou uma formação totalmente chinesa para o mundial, fato que não ocorria desde 2014. O caneco não veio, mas a RNG foi o melhor time do LPL na competição.

Dando continuidade ao trabalho, a Royal manteve sua proposta em 2018. Liderada por Uzi, a equipe venceu o LPL Spring e dominou o MSI. Com uma performance segura e jogadas de encher os olhos, essa line-up lembrou o mundo que as organizações do LCK não são imbatíveis.

Royal Never Give Up vence o MSI
Eliminado em 4 campeonatos mundiais, Uzi quebra o tabu e conquista o MSI

As glórias da China no League of Legends não podem ser ignoradas, mas são poucas quando levamos esses fatores em conta:

A região tem muitos investidores:

O volume de capital circulando no esport chinês é surreal. São dezenas de plataformas de transmissão ao vivo sendo que muitas delas são donas (ou patrocinadoras) de equipes do LPL, como a BiliBili Gaming. Outro exemplo de investimento em larga escala é a Invictus Gaming, fundada pelo filho de Wang Jialin (nomeado o 3º homem mais rico da China pela Forbes).

A China tem a maior playerbase de League of Legends:

Infelizmente a Riot não divulga dados oficiais, mas podemos ter uma boa noção da quantidade de usuários em cada servidor. Portais de notícias reportaram mais de 100 milhões de contas chinesas registradas em 2017. Nenhuma outra região do mundo conseguiu atingir esse número até então.

Talento não falta:

O limite de dois jogadores “não-nativos” por time aumenta a importância do desenvolvimento de estrelas locais. Produzir talentos é um dos maiores problemas do NA LCS, mas não é uma barreira pro LPL, que constantemente revela bons players.

Agora, a pergunta importante: como a China pode alcançar o seu potencial?

O sucesso não é a ausência de falha, mas a superação delas. Entender isso é o primeiro passo. Outra etapa importante é aceitar é impossível superar alguém que você copia. Logo, o sucesso também depende da capacidade de criar e abraçar uma identidade própria.

As equipes chinesas já aprenderam essas lições, mas conveniente se esquecem delas e saem em busca de atalhos para a vitória. Essa filosofia errônea é um dos principais fatores que separam o LPL do LCK na contagem de títulos. Enquanto a China não deixar essas ideias de lado, ela nunca conseguirá alcançar o seu potencial.

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