MSI 2019: a chance da G2 de trazer um título para o Ocidente

MSI 2019: a chance da G2 de trazer um título para o Ocidente

O Mid-Season Invitational é o segundo torneio internacional mais importante do League of Legends desde 2015. Até hoje, times do Oriente dominaram a competição, com dois times chineses levando títulos e a SKT T1 vencendo os outros dois para a Coréia. Porém, o MSI 2019 pode ser a melhor chance até hoje para uma equipe do Ocidente levar a taça, e a G2 Esports é o candidato mais provável para atingir este objetivo.

A transferência mais impressionante da pré-temporada do LoL em 2019 foi a ida de Caps para a G2. O time também moveu Perkz para a bot lane e adicionou Mikyx ao elenco. Com uma equipe renovada e estrelada, a G2 venceu a nova LEC e impressionou. A organização terminou a temporada regular com 13 vitórias em 18 partidas. Na fase eliminatória, venceu duas séries contra a Origen e se sagrou campeã.

Mas não é porque a G2 dominou a Europa que são especiais. Aliás, a campanha não foi sequer a mais dominante que já vimos no velho continente. Foi como a G2 dominou e jogou que faz deles a melhor esperança do Ocidente de vencer um MSI até hoje.

Disciplina

Macro em League of Legends se tornou cada vez mais impactante nos últimos anos. Excelência estratégica é, hoje, uma característica imprescindível para os melhores times. Neste ano, a G2 mostrou isso e também disciplina que, se repetida no MSI 2019, pode ser uma ferramenta poderosa.

Um bom exemplo de como Perkz e companhia podem ser metódicos ao jogar de acordo com a condição de vitória de suas composições são alguns dos primeiros jogos da temporada.

No primeiro jogo do primeiro split, contra a Origen, Grabbz montou uma composição de siege/poke. Jayce e Zoe eram o coração da composição. A equipe também contava com Karthus para finalizar abates, Urgot para jogar nas side lanes e Rakan para adicionar utilidade. Com estes campeões e enfrentando uma composição de all-in e luta, o ideal para a G2 era lutar devagar e focar em tentar abates avulsos, evitando confrontos diretos de 4 contra 4 ou 5 contra 5. O time executou estas condições à risca durante a partida, o que os deu a vitória.

Na segunda partida, contra o Schalke, a G2 fez uma comp de 1-3-1. Akali e Aatrox foram as escolhas para as side lanes. Para a unidade de 3, Kai’sa, Alistar e Karthus foram selecionados. As condições de vitória eram deixar o Karthus à frente para que o 1-3-1 pudesse funcionar quase como um 2-3-2, por causa da ultimate do campeão. Também era importante dar vantagens à bot lane para garantir autonomia para o trio. Mais uma vez, a G2 fez o que precisava e conseguiu o resultado que buscava.

A quarta partida foi o próximo exemplo da disciplina do grupo. Enfrentando a Rogue, Grabbz montou uma composição de peel com um split-pusher. Ivern, Karma e Rakan foram escolhidos como proteção para a Xayah, enquanto a Irelia era responsável pelas side lanes. Garantir vantagens para Xayah e Irelia eram pontos importantes do plano de jogo, pois permitiria a G2 executar o 0-4-1 proposto e pressionar. Mais uma vez, entendimento exemplar do que tinham que fazer rendeu uma vitória para a G2.

Porém, nem sempre a G2 segue o plano de jogo tão bem. A terceira partida da temporada, contra a Excel, foi um exemplo disso. Mas para quando disciplina e estratégia falham, os melhores times tem…

Talento

Não é segredo que para competir contra os melhores times do mundo, uma organização precisa de jogadores capacitados. Ser um dos melhores times é uma combinação de habilidade e trabalho em equipe. Uma combinação que a SKT tem, a Invictus tem e a G2 tem.

Caps é um dos melhores mid laners do mundo, e faz muito sem custar tanto à economia do time. Entre mid laners, cinco da Europa usam maior porcentagem do ouro do time do que ele, e Caps é o último em porcentagem de farm do time aos 15 minutos. Além disso, ninguém questiona a habilidade mecânica da estrela dinamarquesa, e sua performance no Mundial 2018 deixou muitos fãs do League of Legends competitivo ávidos por ver o que ele pode fazer no MSI 2019. Há coisas demais a se dizer sobre a qualidade de Caps, então por enquanto, vamos simplificar: Caps é impressionante.

Perkz se adaptou à bot lane com facilidade impressionante, e até transformou o que significa ser o carry do bot. Muitos não acreditavam que o jogador poderia ser um dos melhores na Europa em sua nova função tão cedo, mas ele se provou rapidamente. Não só o jogador se ajustou, como também levou para a rota inferior sua champion pool do mid, o que o dá versatilidade que poucos jogadores da função tem. Perkz é também quem mais usa ouro no seu time, e ser o jogador que mais deu dano na temporada regular da LEC mostra que este investimento vale a pena.

Wunder consegue se virar contra os melhores top laners. O jogador usa tantos campeões que sua equipe pode o pedir para fazer praticamente o que quiserem. Ele jogou com 14 campeões durante a campanha de 24 partidas da G2 no primeiro split. Entre estes campeões estavam máquinas de split push, iniciadores de lutas, carregadores de late game e até suportes. Wunder é bom no que quer que a G2 precisa que ele faça.

Jankos e Mikyx estão entre os melhores do Ocidente em suas posições e são engrenagens fundamentais que fazem a G2 funcionar e fluir. Jankos faz o que quer que o time precisa que ele faça, e faz quase tudo bem. Mikyx provou ser um parceiro ideal para a mudança de função de Perkz, e tem percepção de mapa e conhecimento de posicionamento que fazem a vida do duo bot fácil. Além disso, ambos são muito competentes mecanicamente. Sem eles, a G2 não seria a equipe que é.

Talento pode, muitas vezes, vencer partidas por si só, e a G2 tem de sobra. Considerando como eles jogam bem juntos, o quanto parecem gostar de jogar juntos e como todos estão dispostos a abrir mão do que puderem pelo bem do time, todo este talento também parece estar em sintonia. Com isso, os jogadores e a comissão tomaram a liberdade de explorar diferentes composições e estilos de jogo e encontraram, graças à disciplina, o talento e a experimentação, uma arma que talvez seja a maior da G2 para o MSI 2019…

Versatilidade

Poucos times podem dizer que ganharam a final da primeira etapa de 2019 com uma composição de afunilamento. Talvez nenhum outro time possa. Mas a G2 o fez, e o quão bem fizeram mostra a habilidade que têm de jogar qualquer estilo de League of Legends. Split push, poke, snowball, afunilamento, ou o que seja. A G2 testou, e provavelmente conseguiu usar.

Versatilidade pode ser a arma de maior impacto para a G2 no MSI 2019 por causa de como influencia em séries de cinco partidas. Ter a capacidade de mudar seu estilo de jogo durante uma melhor de cinco e continuar jogando bem significa que um time versátil consegue mudar o ritmo de uma série a qualquer momento. Mudanças repentinas e significantes em estilo também podem fazer o que o time adversário sabe sobre seu time perder valor. Isto significa que o time de Perkz é mais difícil de ler do que os outros, e pode usar imprevisibilidade a seu favor.

Dito isso, a missão mais difícil para a G2 neste torneio pode não ser a fase eliminatória, mas sim as 10 partidas que tem que jogar para chegar lá. Foi assim na LEC, e alguns fatores indicam que pode ser assim de novo no MSI. Afinal, até os melhores times tem…

Fraquezas

Na temporada regular da LEC, a G2 perdeu 5 das últimas 9 partidas. Eles voltaram a mostrar força na fase final, onde venceram a Origen sem perder nenhuma partida, duas vezes. Ainda assim, aquelas derrotas mostraram alguns problemas que a G2 precisa estar tentando consertar para o MSI 2019.

Um dos problemas foi controle de objetivos neutros. Não que fossem horríveis nisso, mas de um time dominante como a G2, se espera mais do que ser o terceiro pior time da liga em porcentagem de Barões. A equipe também não estava entre os melhores da Europa nas porcentagens de Dragões Elementais e Dragões Anciãos. Para ter certeza de que sucesso está ao alcance da G2 no MSI 2019, o time precisa melhor esta parte de seu jogo.

Este problema, como outros, vem do fato de que a G2 joga um lado do mapa de cada vez. A visão da G2, por exemplo, é estabelecida geralmente de modo a ficar concentrada em um quadrante da selva ou uma metade do mapa. Isto abre oportunidade para jogadas de cross-map para responder qualquer jogada que tentarem. Contra equipes de qualidade e experiência como a SKT, a Invictus e até a Liquid, a G2 Esports terá que ser mais cuidadosa com como eles lidam com as oportunidades para o adversário que as próprias jogadas abrem.

Ainda assim, se Caps e companhia puderem consertar ou omitir suas fraquezas e jogar seu League of Legends disciplinado, talentoso e versátil, não há dúvidas de que podem fazer uma campanha produtiva e, ao fim desta quinta edição do torneio, trazer para o Ocidente um troféu do MSI.

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