O Draft que custou ao Flamengo o título

O Draft que custou ao Flamengo o título

O resultado da final do CBLOL foi uma surpresa para a grande maioria do público. Após uma campanha quase perfeita na fase de pontos, o Flamengo foi derrubado pela INTZ em cinco jogos. Na decisiva quinta partida, porém, os rubro-negros foram derrubados também pela própria inaptidão, em especial na seleção de campeões.


Planejamento em partidas decisivas

A dinâmica de uma série melhor de cinco é muito diferente de uma partida disputada em um único mapa. Em uma MD5 a capacidade de se adaptar e executar diferentes estratégias são essenciais para garantir a vitória. Entretanto, o Flamengo não respeitou nenhuma dessas peculiaridades na partida mais importante do semestre e foi punido pela INTZ.

É claro que é compreensível uma equipe confiar no estilo de jogo que rendeu 20 vitórias em 21 partidas durante a temporada. Ninguém deveria culpar o Flamengo por tentar repetir a fórmula que gerou seu sucesso. Ainda assim, é um pecado ser o melhor time da região e não confiar na própria versatilidade o suficiente para manter um ás na manga para situações como uma partida decisiva de uma final.

Divulgação: Riot Games Brasil

A INTZ, portanto, teve a vantagem da informação no quinto jogo. Após o draft, a INTZ sabia exatamente como os rubro-negros iriam jogar, um luxo que o Flamengo deixou de ter quando Tay selecionou a Kayle pela primeira vez em sua carreira profissional.

Primeira fase: Flamengo superestima o  próprio estilo de jogo

Na primeira fase da seleção de campeões, todos os seis banimentos fizeram sentido. O Flamengo baniu Ryze e LeBlanc pela atuação de Envy nas partidas anteriores da série, e Tahm Kench por ser um campeão confortável para RedBert. A INTZ vetou Kalista e Lissandra por serem campeões valiosos para drafts de times do lado azul, e Taliyah pela proeminência de Shrimp com o campeão.

Com a primeira escolha do draft, o Flamengo optou por Jarvan IV. Jarvan é um campeão versátil que, como jungler, consegue impor respeito no início da partida e também contribuir em lutas mais tarde. A INTZ respondeu com Draven e Morgana, uma bot lane que garante tranquilidade na fase de rotas e tem o potencial para exercer pressão no início da partida, mas não se destaca no late game.

O Flamengo reagiu com Lucian e Thresh e é aqui onde os problemas começam. Aliás, havia poucas escolhas piores para a situação. Sabendo da presença de Draven e Morgana na partida, era necessário reconhecer a improbabilidade de conquistar grandes vantagens na lane e procurar opções que tivessem um late game melhor. Com Lucian e Thresh, uma dupla inferior a Draven e Morgana depois de três itens, o Flamengo se colocou numa situação desconfortável, de necessidade de vencer a rota, porém em condições desfavoráveis de conseguir isso.

Divulgação: Riot Games Brasil

Finalizando a primeira fase com Rek’Sai, a INTZ tinha três matchups favoráveis depois de três escolhas para cada time. Os intrépidos ainda tinham a oportunidade de ampliar a vantagem utilizando a última escolha do lado vermelho.

Segunda fase: incoerência

Como na primeira fase, os bans da segunda fizeram sentido. Yorick, Vladimir, Gangplank e Poppy são campeões da top lane que complementariam bem as composições que se desenrolavam. Como justificativa bônus para o banimento de Vladimir, o campeão poderia ser flexionado para o mid.

Contrariando o senso comum, a INTZ iniciou a segunda fase de escolhas com um mid laner. Entretanto, vale ressaltar que a Ahri é uma campeã bastante segura e pode ser pickada às cegas dependendo dos banimentos já feitos. O FLA encerrou seu draft com Corki e Sion, ambas escolhas de conforto, porém problemáticas. Composições com dois atiradores geralmente são mais fortes no late game, porém isso não seria possível em função do matchup  da rota inferior. Já o pick de Sion é extremamente passivo e dava abertura para a INTZ fechar seu draft com um carry no top.

A INTZ encerrou o draft com a escolha de Kayle, algo que só seria possível em alguns matchups da rota superior. Essa estratégia explica porque a INTZ preferiu guardar o last pick para o top e não o mid, como é de costume.

Ao final dos picks e bans, o Flamengo tinha uma composição que exigia urgência para vencer, mas nenhum matchup favorável o suficiente, do top ao bot.

Condições de vitórias limitadas e circunstâncias desvantajosas

A partida confirmou os equívocos cometidos pelos rubro-negros. O FLA precisava vencer quando seus campeões tivessem entre um e dois itens, e precisava estar muito à frente para tal, mas conseguiu apenas pequenas vantagens.

No bot, brTT e Luci pouco puderam fazer para dominar Mills e RedBert. A bot lane flamenguista jogou bem e manteve uma decente liderança no farm e no ouro no early game. No mid, Goku não teve muitos problemas para farmar. Manteve a lane sob controle e não deixou a Ahri e a Rek’Sai dos intrépidos criarem oportunidades de jogadas.

No top, porém, Tay teve tranquilidade para crescer no jogo com sua Kayle, pela maior parte do tempo. Com isso e com os recursos do Flamengo investidos no Lucian, a equipe de Shrimp começou a jogar contra o relógio. Inevitavelmente, aos 20 minutos, a diferença nos power spikes dos times começaram a se manifestar e a INTZ voltou para o jogo. Aos 32, os intrépidos já destruiam o último Nexus do primeiro split do CBLOL 2019.

A partida e o resultado foram, portanto, reflexos das composições formadas pelos técnicos das duas equipes. Para se dar mais possibilidades de vitória, o Flamengo deveria ter selecionado campeões que oferecessem outras condições de vitória. Um atirador com mais poder no late game, um top laner mais proativo ou até mesmo um mid com mais capacidade de criar jogadas poderia ter feito a diferença.

Os jogadores do Flamengo foram competentes, e tiveram performances sólidas pela maior parte da quinta partida. Porém, no League of Legends competitivo, se vence em prol das condições de vitória criadas. Com isso, a vitória da INTZ na quinta partida se mostrou merecida pelo planejamento de jogo superior, e os intrépidos representarão o League of Legends brasileiro no MSI 2019.

Divulgação: Riot Games Brasil

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