O que falta para as equipes ocidentais?

O que falta para as equipes ocidentais?

O palco internacional é, sempre, a provação para as equipes ocidentais. Por mais dominantes que elas sejam em suas respectivas regiões, quando enfrentam equipes do resto do mundo, seus erros são escancarados e utilizados como caminhos para o adversário conseguir a vitória. A inconsistência e dificuldade de apresentar um nível de jogo alto, similar ao que apresentam em campeonatos domésticos, são marcas registradas das equipes western em eventos internacionais. No MSI 2017, isso não poderia ser diferente.

A primeira competição internacional de 2017 já prometia antes mesmo de começar. Repleta de equipes que demonstraram extremo domínio e facilidade dentro de suas regiões, o MSI contava com os melhores representantes de cada canto do mundo. Apesar de não terem um retrospecto muito bom em competições internacionais, grande parte dos olhos estavam voltados para as equipes do Ocidente.

Vindos da América do Norte, a Team Solo Mid conseguiu vencer a primeira temporada das NALCS 2017 sem muitas dificuldades. No palco da final norte-americana, os jogadores da TSM enfrentaram a C9, onde foram levados ao quinto jogo da série após terem seus erros explorados pelo adversário. Essa, talvez, tenha sido a primeira vez durante toda a etapa em que o elenco galáctico da TSM tenha tido alguma dificuldade. Mesmo enfrentando uma equipe forte e que, durante toda a série, impôs uma certa dificuldade, a TSM se sagrou campeã da NALCS e carimbou o passaporte para o Brasil, onde jogaria a Fase de Entrada do MSI 2017.

Os europeus da G2 tiveram um caminho bem próximo, mas com destino diferente. Durante toda a temporada, a G2 demonstrou o motivo de ter se tornado o time sensação da EULCS e, sem muitos problemas, alcançou o palco final. A decisão da primeira temporada de 2017, contra a Unicorns of Love, não foi um desafio muito grande para a equipe que viria a se tornar tricampeã da EULCS, despontando como a equipe mais dominante da Europa atualmente, estabelecendo uma hegemonia recente no cenário. O título levou os europeus direto para a Fase de Grupos do MSI 2017 onde, ao lado de gigantes como Team WE e SKT, iria começar a trilhar um surpreendente caminho.

(Divulgação/Riot Games)

As duas equipes chegaram ao MSI com um objetivo: levantar a taça. O caminho para ambas iria ser bem complicado, cedo ou tarde esbarrando em outras equipes favoritas, mas isso não abalaria os representantes do Ocidente. A Team Solo Mid conseguiu, após ser levada ao quinto jogo de uma série melhor de 5, garantir uma vaga na Fase de Grupo, já a G2 aguardava a definição das equipes que terminariam de compor a Fase de Grupos.

Os dois duelos entre as duas equipes, válidos pela Fase de Grupos, seriam, também, a primeira vez em que elas se enfrentariam. Os olhos do ocidente estavam voltados para a rivalidade entre NA e EU, o resultado das partidas ditariam o andamento do grupo e, especialmente o resultado do segundo duelo, definiria um dos classificados para os playoffs.

Os resultados favoreceram a G2 que, com a vitória sobre a TSM na segunda partida entre as equipes, garantiu uma vaga na semifinal. A derrota colocou a equipe norte-americana contra a parede, os forçando a jogar pela última vaga dos playoffs. Enquanto a Europa já havia se garantido, a América do Norte ainda teria que jogar uma partida de tie-break contra a Flash Wolves, representantes da LMS, valendo a última vaga.

Derrotados pela Flash Wolves, a TSM não só perdeu sua última chance ir para as semis como também decretou o fim de seu caminho na competição internacional.

(Divulgação/Riot Games)

A Fase de Grupos apontou, mais uma vez, a fase ruim das equipes ocidentais internacionalmente. Mesmo com investimentos milionários, altos salários e ampla experiência internacional, a Team Solo Mid repetiu o fracasso de outras equipes western e não conseguiu atingir os playoffs. A eliminação fica pior quando, analisada em comparação as outras equipes do MSI 2017, a equipe norte-americana quase foi superada por uma equipe vietnamita recém-formada e com pouquíssimo investimento. Os representantes da NALCS tiveram bastante trabalho em todos os jogos contra a Gigabyte Adonis Marines que, próxima dos seus 6 meses de existência, não possui metade do investimento e experiência dos jogadores da TSM.

Pelas semifinais, a G2 tinha pela frente a WE, com o vencedor dessa partida enfrentando a SKT na grande final. Os europeus eram desacreditados pelo público e especialistas, que apontavam a vitória dos chineses com extrema facilidade. Os europeus surpreenderam e, jogando em sua melhor forma, bateram a Team WE e traçaram seu caminho rumo à final.

Durante toda a competição, a representante europeia não mostrou consistência. A G2 conseguiu atingir picos e pontos muito baixos em seus jogos, tendo grandes partidas, com poucos erros e superando suas deficiências, e apresentando péssimos jogos, se afogando em seus erros e não impondo dificuldade ao adversário.

Num panorama geral, as equipes ocidentais não têm tido bons resultados internacionalmente, porém o último ano vem apresentando novidades. Em 2016, no MSI de Shanghai, a CLG conseguiu bater seus adversários e alcançar a grande final. A equipe norte-americana, de maneira similar à G2, tinha pela frente a poderosa SKT na final após derrotar grandes equipes mundiais. Já a TSM, ao longo da competição, teve o desempenho ruim e reincidente da maioria das equipes ocidentais, não conseguindo emplacar bons jogos e acabando desclassificada.

Os europeus surpreenderam. Na primeira partida da série final conseguiram impor um bom earlygame, porém, cederam à pressão dos tricampeões mundiais. No segundo jogo, seguindo a fórmula da partida anterior, a G2 conseguiu criar vantagem no early, dessa vez a ampliando até o final da partida, atropelando os sul-coreanos da SKT.

A vitória foi solitária. A superioridade dos atuais campeões mundiais prevaleceu e, sem muitos problemas, a SKT fechou a série com um 3-1.

(Divulgação/Riot Games)

A cada ano que passa, a cada participação em competições internacionais, o aproveitamento das equipes ocidentais tende a melhorar. O único porém é que, mesmo conseguindo alguns resultados expressivos, a média dos representantes do Ocidente é abaixo das expectativas da torcida e do investimento feito por suas organizações. Quando questionados sobre a má fase que assombra as equipes western, jogadores de todas as regiões afirmam: apesar de não conseguirem resultados expressivos, os representantes do Ocidente têm mostrado estratégia e mecânicas próximas às de campeões mundiais.

Com o fim do MSI, onde tivemos uma equipe ocidental na final, um pequeno time asiático que, em sua primeira participação em torneios internacionais, conseguiu ser mais impactante que muitas equipes desse lado do globo e um representante do Ocidente não alcançando os playoffs, e sabendo tudo o que é investido somado ao potencial de seus jogadores, uma pergunta surge:

O que falta para as equipes ocidentais?

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