Organizações que fazem sucesso fora do servidor

Organizações que fazem sucesso fora do servidor

Se fosse feita uma enquete para eleger a maior organização da história dos esports, eu não sei quem venceria. Porém, tenho certeza que nomes como Ninjas in Pyjamas, SK Telecom, Fnatic e SK Gaming estariam entre os mais votados e isso não é surpresa nenhuma, afinal são equipes com uma longa jornada e muitos títulos conquistados. Meu objetivo não é determinar qual delas é superior, e sim mostrar que alguns times conseguiram se destacar mesmo sem nenhum troféu em sua sede.

Copenhagen Wolves – Transformando meninos em lobos:

Hoje a Dinamarca é uma das maiores nações de Counter Strike Global Offensive. O país tem três times no top 20 do HLTV (Astralis em 8º, Heroic em 11º e North em 17º), além de exportar talentos para o OpTic Gaming e o FaZe Clan. As equipes citadas acima contam com 17 jogadores dinamarqueses e 13 deles já tiveram ao menos uma passagem pela Copenhagen Wolves. Apenas niko (Heroic), JUGi (Heroic), gade (OpTic) e k0nfig (OpTic) chegaram à elite sem defender os lobos. Mesmo sendo peça fundamental do cenário nórdico de CS, a organização nunca conquistou um título importante.

A sua trajetória em League of Legends também se marcou pela capacidade de descobrir estrelas, porém as histórias aqui são curiosamente semelhantes. Com cinco participações no EU LCS e nenhum bom resultado, o maior feito dos Wolves foi revelar três campeões. Søren “Bjergsen” Bjerg, Maurice “Amazing” Stückenschneider e Dennis “Svenskeren” Johnsen já venceram o LCS, todos defendendo o Team Solo Mid na versão norte-americana da competição. Além de cultivar atletas que faziam os olhos da TSM brilhar, o time desenvolveu atiradores de alto nível, entre eles o tcheco Aleš “Freeze” Kněžínek, o grego Konstantinos-Napoleon “FORG1VEN” Tzortziou e o sueco Martin “Rekkles” Larsson.

Revelou três campeões de LCS e três AD Carries de alto nível? Not bad…

O enorme potencial de desenvolver prodígios não impediu o fechamento de suas portas em 2016. Ainda assim, a Copenhagen Wolves é um exemplo de time que se destacou e criou um legado sem ter sequer um troféu em sua sede.

Roccat – Ditando as regras da comunicação:

Presente em todos os splits do EU LCS desde o início de 2014, o melhor resultado da Roccat foi o 3º lugar em seu torneio de estreia. O desempenho dentro do jogo muitas vezes deixa a desejar, mas o time foi pioneiro e inovador na forma que interage com os fãs. Eles foram os primeiros a usar memes no Twitter, a fazer provocações bem-humoradas e a criar uma conta para interagir no Reddit.

Além de um ótimo support, Wadid se destacou na Roccat por ser uma máquina de memes.

Mesmo sem vencer, a organização tem muitos torcedores e uma das marcas de periféricos mais famosas do mundo, provando que o investimento feito na área de comunicação traz retornos no ponto de vista de imagem e também na área de vendas. A evolução é lenta, porém a Roccat parece estar ganhando corpo a cada temporada que passa. Isso não aconteceu somente por causa do trabalho da comissão técnica e dos jogadores, os recursos acumulados ao longo dos anos que a organização “sobreviveu” a base de um bom planejamento também são essenciais para essa tendência de crescimento que o time vive.

MVP – Desenvolvendo equipes campeãs:

A relação entre a MVP e League of Legends é marcada por dois acontecimentos: a vitória surpreendente no OGN Champions Spring 2013 e a venda de suas line-ups para a Samsung no ano seguinte. O tema do post são organizações que brilharam mesmo sem ter sucesso no jogo, entretanto é importante analisar os triunfos da Samsung Galaxy para compreender a importância da MVP no cenário de LOL.

A White não venceu nenhuma competição regional em 2014, porém sempre se manteve no top 4 e se consagrou campeã mundial daquele ano. Já a Blue disputou duas finais e garantiu um título, seu pior resultado no período foi a derrota para a SK Telecom nas quartas de final do OGN Champions Winter 2013-2014 (torneio que a SKT conquistou de maneira invicta). Tamanha consistência só nasceu com o desenvolvimento de times capazes de integrar estrelas como Choi “DanDy” In-kyu, Kim “Deft” Hyuk-kyu e Gu “Imp” Seung-bin e jogadores individualmente inferiores, mas importantes para o sistema. Esse nível de desempenho só pôde ser alcançado através da combinação de um bom modelo de recrutamento, técnicos experientes e boas práticas de treinamento, que são os méritos da MVP.

A vitória em cima da CJ Blaze foi só o começo do legado da MVP Ozone.

A MVP foi a única grande organização sul-coreana a investir no DOTA 2. Apesar do começo tímido, eles podem se orgulhar de suas participações no International de 2014, 2015 e 2016. A equipe não se classificou para o TI 2017, porém deixou sua marca no torneio mesmo sem estar presente: todos os jogadores coreanos participantes naquele campeonato já vestiram o manto branco e azul em algum ponto de sua carreira. Hoje o time está em reformulação, mas seu impacto no desenvolvimento de uma nova região do DOTA é inegável.

Vencer é muito bom, mas a glória vem para poucos. São raros os times que conseguem construir dinastias e se manter no topo por um longo período. Sabendo disso, as equipes precisam encontrar formas de ter sucesso fora do jogo. Em um mundo onde as novas organizações surgem a todo momento e o volume de investimentos é cada vez maior, ter alternativas para se manter competitivo é essencial.

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