Os insights das finais da Pro League no Rio

Os insights das finais da Pro League no Rio

Update: Devido a um bug de áudio relacionado aos operadores Hibana e Thermite o início da Pro League LATAM foi adiado para o dia 12 de dezembro de 2018, e não no dia 5, conforme versão anterior da matéria.

 

As finais da Pro League ocorreram no Rio de Janeiro, nos dias 17 e 18 de novembro de 2018. Ver a Pro League fazer uma “sequência” no Brasil foi gratificante (as finais da Season 6 ano passado foram aqui, em São Paulo, e as da Season 7 foram nos Estados Unidos). Os jogos ocorreram dentro da Jeunesse Arena, palco de vários eventos importantes, dentre eles eventos dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Para as finais da Pro League, as duas melhores equipes da fase de pontos corridos das quatro grandes regiões foram convocadas. Pela América do Norte vieram Evil Geniuses e Rogue. Pela Ásia-Pacífico, Nora-Rengo e Fnatic foram os enviados. Da Europa, Mock-It e os favoritos da G2 Esports vieram marcar presença. E, da América Latina, FaZe Clan e Immortals foram a representar, bem como o país-sede.

Prós e Contras

A escolha do Rio de Janeiro como sede das finais da Pro League não foi ruim, muito pelo contrário. A cidade mais representativa do Brasil, com suas praias, calor intenso (especialmente no final de semana das finais) e os pontos turísticos mais conhecidos mundo afora, como o Cristo Redentor e a Praia de Copacabana, estavam ali, prontos para receber os visitantes do próprio país, como este que vos fala, e do mundo.

A Jeunesse Arena se provou ser um palco digno de receber as finais da Pro League. Dentro, era espaçosa, comportando espaços para quiosques alimentícios, a própria loja oficial de produtos Ubisoft e vários sanitários distribuídos ao longo dos três andares e o piso térreo da estrutura. Os camarotes eram agradáveis e davam vista para toda a arena. Os convidados da Ubisoft, assim como a imprensa, não tem muito do que reclamar em relação como foram tratados ao longo do evento. (Obrigado Ubisoft, #PagaNóis!)

Porém, nem tudo são flores. Um ponto a se observar é que a Jeunesse Arena, por mais que seja bem equipada, se localiza a uma distância considerável do centro da cidade do Rio, o que dificulta o acesso ao local. Se não se está hospedado na região da Barra da Tijuca, chegar ao Parque Olímpico se fazia questão de quase 2 horas via transporte público. Sem falar que, no final de semana da Pro League, ocorreu o evento da Villa Mix no Rio, o que ligeiramente afetava o trânsito da região no domingo.

FaZe vs Mock-It: Começando com emoção

As finais da Pro League começaram com um dos representantes da casa, a FaZe Clan, jogando. E, sendo a FaZe, o jogo já prometia emoção. Isto se deve principalmente por ter a tradição brasileira de equipes de FPS jogando, de sempre ter jogos emocionantes. Esta tradição já vem de longa data, mas se popularizou com FalleN e companhia no CS:GO, em especial na época em que títulos não eram incomuns para eles.

Fãs marcaram presença no Rio (Divulgação | Ubisoft)

O primeiro jogo do sábado começou muito mal para a equipe brasileira. A Mock-It conseguiu emplacar rounds atrás de rounds e chegaram no placar de 5-1 a seu favor, com qualquer round vencido em seguida lhes conferindo a vitória. O problema para os europeus foi que “brasileiro não desiste nunca”. A FaZe buscou os rounds, chegou ao “overtime” pelo qual André “Meligeni” Santos é tão conhecido, e venceu por 7-5. Sim, foram 6 rounds seguidos para a FaZe Clan em Oregon. Alguns deles com dificuldade.

Já no segundo jogo a Mock-It não se deixou abater. Pelo contrário, começaram e terminaram na frente na Casa de Campo, deixando pouco espaço para uma reação brasileira, terminando o round por 6-2. Na partida decisiva, a FaZe Clan mostrou que sabia jogar no mapa Banco, brilhou nos rounds de defesa, e conseguiu fechar a série com um placar de 6-3 no mapa. (Espero que os meninos da Mock-It tenham aproveitado para conhecer as praias da Barra. Foram 14 horas de viagem, como Bryan “BakaBryan” Tester, da própria Mock-It, me contou no pós-jogo.)

Nora-Rengo vs Rogue: Jogo que não importava muito até acabar

A segunda série do sábado tiveram os japoneses da Nora-Rengo enfrentando a Rogue, um dos representantes americanos nas finais da Pro League. O primeiro mapa acabou sendo levado pela Rogue, mesmo com a Nora-Rengo começando na frente, chegando a abrir 4-2 já nos rounds de ataque, no Consulado.

Se os japoneses provaram que conseguiam ficar na frente dos americanos no primeiro mapa, no segundo mapa puseram a vantagem para engrenar a vitória no segundo mapa. Em Oregon, a Nora-Rengo começou fazendo 3-2 nos rounds de ataque, e fez boas defesas, garantindo a vitória pelo placar de 6-3.

Por fim, o terceiro mapa foi de certa forma disputado. No Litoral, as equipes precisaram se desdobrar para buscar os rounds, até um certo ponto. A Rogue terminou seus rounds de ataque em 3-2, mas a partir daí, Merieux e JJ, em especial, fizeram seus tiros valerem a pena e não deram trégua para os defensores da Rogue, fechando a série com vitória por 6-4.

Evil Geniuses vs Fnatic: Quem precisa da estrela do time com o técnico em campo?

A terceira série do dia teve Evil Geniuses enfrentando os Fanáticos australianos. Quem se depara pela primeira vez com a Fnatic como representante da Ásia-Pacífico no Rainbow Six Siege pode até estranhar o fato de não estarem representando a Europa (o mesmo pode acontecer com o FaZe Clan, Team Liquid e Immortals registradas como equipes brasileiras).

Não bastasse os japoneses da Nora-Rengo da série anterior quase não virem para a Pro League por causa de vistos, Etienne “Magnet” Rousseau, um dos astros e capitão da equipe australiana, não pôde vir para as finais da Pro League devido a um caso de apendicite, e teve que realizar procedimento cirúrgico um dia antes do voo. Como substituto, a Fnatic escolheu o próprio técnico da equipe, Jayden “Dizzle” Saunders.

O que poderia abalar a equipe laranja na verdade se demonstrou uma força que a equipe levou para dentro dos jogos contra os americanos. Levando o primeiro mapa (Fronteira) pelo placar de 6-3, os Fanáticos foram “embalados” pela vitória para o segundo mapa, em Oregon. A Evil Geniuses não conseguiu conter a ação de Dizzle e seus companheiros, que jogando em conjunto, venceram por 6-4.

(Divulgação | Ubisoft)

G2 vs Immortals: … Foi quase, não deu

Se o final do jogo anterior foi inusitado, a última partida do sábado não ficou para trás. Pelo menos, no quesito de emoção. Os campeões do Six Major de Paris vinham com a pressão de mostrarem porque estavam topo do mundo e derrotarem a Immortals, com tinha a torcida a seu favor.

Claro que a Immortals aproveitou a oportunidade para tentar emplacar uma vitória em cima dos campeões mundiais. E parecia ser possível, em um primeiro momento. No primeiro mapa, Consulado, a Immortals começou atrás, perdendo por 0-2, mas conseguiu empatar, e a partir deste ponto, Immortals e G2 trocaram rounds até mais um “overtime” com o Meligeni. Na prorrogação, porém, a G2 se fez valer das qualidades individuais de seus jogadores e derrotaram a Immortals por 7-5.

Já no segundo mapa, a G2 esports iniciou bem novamente abrindo um placar de 2-0 no Banco. A Immortals empatou e depois a troca de rounds parecia se repetir. Para a Immortals, infelizmente apenas parecia. No round que poderia forçar outro “overtime”, a os brasileiros demoraram para fazer o “plant” no último ataque, e a G2, pacientemente, esperou o desespero dos Imortais para fechar a série com um placar de 6-4.

FaZe vs Nora-Rengo: Emoções, como sempre

A FaZe Clan iniciou os jogos de sábado com uma virada emocionante no primeiro mapa. A expectativa era uma partida tranquila contra a Nora-Rengo que, em teoria, era um dos adversários mais fáceis da competição. Quem tinha essa opinião acabou se surpreendendo no domingo.

Meriaux, JJ e Wokka se provaram adversários capazes de mudar os rumos de um round. E no primeiro mapa, Banco, a FaZe acabou tendo um início forte, com escolhas excelentes de Montagne e Lion em seus ataques. Mas, como havia dito, a Nora-Rengo queria desequilibrar.

E o tentaram fazer, impedindo um “plant garantido” por parte da FaZe no ataque. O Montagne dos brasileiros protegia seu companheiro que plantava o desativador. Até o Wokka conseguir um belo disparo, matando o “planter” e vencendo o round no tempo. Isto acabou dando ânimo nos rounds de ataque da Nora, mas a FaZe conseguiu assegurar boas vantagens em suas defesas, vencendo o primeiro mapa por 6-4.

O problema para a Nora-Rengo era, em algumas ocasiões, assegurar a vantagem que abriam nos rounds, como foi no segundo mapa, Fronteira. Apesar de iniciarem na frente em números, os japoneses acabaram perdendo os dois primeiros rounds. Assim como um terceiro round que foi estranho e acabou definido em uma “trocação”. E o quarto round. E o quinto também. Mas não seria nesta série que um time perderia de zero, com os representantes da APAC marcando 1, e somente 1 round, na defesa.

(Divulgação | Ubisoft)

G2 vs Fnatic: “Passar debaixo da mesa, perdeu de zero”. Nos dois mapas.

Considerando o desfalque, a Fnatic fez muito ao avançar para as semifinais. Mas eles acabaram por enfrentar os campeões mundiais, que mostraram ainda estar em forma após a eletrizante série contra a Immortals no dia anterior. Seria possível outro milagre acontecer na Jeunesse Arena?

A resposta para a pergunta anterior foi um “não”. Um “não” ensurdecedor, que escancarava a diferença técnica entre a equipe europeia e a australiana. E que, de certa forma, não era esperado pelos espectadores, ao menos 1 round contra a G2 Esports em um momento de relapso.

Infelizmente para a Fnatic, os membros da antiga formação da Penta Esports somente estavam interessados na final, agora já sabido que seria contra a FaZe Clan. E qualquer um que estivesse no caminho seria devidamente atropelado. No primeiro mapa, Banco, e no segundo mapa, Litoral, a Fnatic até conseguia alguns abates, mas a formação e rotações precisas dos europeus conferia os rounds para si.

A parte curiosa de tudo isto é que os horários no evento tiveram que ser reajustados em decorrência de as duas semifinais terminarem antes do esperado, o que incluiu uma pausa de quase 30 minutos até a retomada do evento com a apresentação das novidades para a Season 9, como a Operação Wind Bastion, expansão que traz os novos operadores Kaid e Nomad, bem como o mapa Fortaleza, situado em Marrocos.

FaZe vs G2: Mesmo contando com o fator “casa”, reinam novamente os europeus

A final entre FaZe Clan e G2 Esports era, sem dúvidas, o grande evento da noite de domingo, com promessa de muita disputa entre ambas equipes. Em si, a final ocorrendo entre FaZe e G2 já era esperada pela maioria das pessoas do cenário e dos espectadores, a não ser que a G2 fosse surpreendida nas quartas-de-final pela Immortals.

O primeiro mapa disputado foi o mapa Banco, onde a FaZe havia inclusive jogado contra a Nora-Rengo, dando base de estudo para a G2 utilizar alguma estratégia ou pick voltado para neutralizar os brasileiros. Apesar do começo acirrado, mas favorável à esquadra da casa, os europeus souberam reverter e controlar o jogo, fazendo bons ataques, e revertendo um placar de 3-4 para 6-4, com Goga e Fabian sendo bastante consistentes.

O segundo mapa, Litoral, havia sido jogado a pouco pela própria G2, mas como foi o segundo 6-0 contra a Fnatic, era certo que outra estratégia seria aplicada. Mantiveram os bans com foco no Lion e em operadores que tem controle de visão na defesa, como a Valkyrie contra a Fnatic e o Maestro, contra a FaZe.

Os brasileiros acabaram cometendo alguns erros, em especial ao longo desta partida, como não usar o drone em algum cômodo estratégico no ataque. E com a excelente atuação de Kantoraketti, mais um título foi garantido para a G2 Esports. Uma jogada especial no Litoral foi a de Kanto, que conseguiu vencer um 1v3 no round 6, mesmo após uma ótima C4 jogada por Yoona.

Considerações finais:

As finais da Pro League podem não ter terminado como a torcida gostaria, mas foi um evento digno de entrar para a história. A torcida em si foi uma das atrações principais da Jeunesse Arena, como vários jogadores chegaram a comentar durante os intervalos das partidas.

Quem esteve no Rio de Janeiro pôde conhecer várias figuras do cenário de Rainbow Six Siege de perto, como os próprios jogadores presentes no evento, além claro dos casters André “Meligeni” Santos, Otávio “Retalha” Ceschi, Ricardo “qeP” Fugi e Guilherme “Guizao” Kemen, que se revezaram durante o evento para trazer mais emoção e informação às partidas. Inclusive a participação de Leo “ziG” Duarte, Guilherme “Guille” Scalfi e André “nesk” Oliveira como analistas foi muito bem-vinda na bancada de análises.

O clima do feriado também colaborava a atmosfera das finais. Do lado do fora da Jeunesse Arena beiravam os 40 graus Celsius, o que tornava o ambiente refrigerado da arena extremamente convidativo. Sem falar que, do lado de fora, o Parque Olímpico era uma atração turística por si só. Inclusive sorte a minha o quarto onde estive alojado no final de semana possuir ar-condicionado.

Agora os times estão se preparando para mais uma temporada, a nona, da Pro League. Inclusive a competição da América Latina começa hoje. Além do rebaixamento da Black Dragons e ascensão da ReD DevilS, há outras mudanças a serem observadas, como o banimento do operador Lion e o aumento de 10 para 12 rounds, continuando sem “overtime”. É hora de acompanhar mais uma temporada, e com ela, ver quem se consagrará e chegará às finais, em maio de 2019!

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