Qual será a próxima melhor liga do League of Legends?

Qual será a próxima melhor liga do League of Legends?

Historicamente, em esportes tradicionais, regiões com maior investimento financeiro não demoram a se transformar em pólos de talento, mesmo que precisem importá-lo. Os melhores jogadores de futebol saem da América do Sul, mas as ligas mais ricas estão na Europa, e é pra lá que vão nossos Neymares, Maradonas, Messis e Ronaldos.

O League of Legends parece estar seguindo esta tendência. Até hoje, os grandes talentos do game foram criados na Coréia. Faker, Bang, Peanut, Rookie, entre tantos outros, estabeleceram a supremacia coreana no universo competitivo de LoL. Ainda assim, a LCK não está liderando o mercado do Esport. Do ponto de vista econômico, são os chineses e norte-americanos que detêm o comando.

O gênesis da migração de talento

O investimento na NA LCS e na LPL vêm de lugares bem diferentes. Ainda assim, ambos são parecidos no potencial que têm de atrair os maiores talentos do League of Legends. No passado, grandes nomes como Mata e Ssumday já foram “vítimas” deste poder financeiro. Atualmente, a exuberância dessas ligas continua a atrair talento de primeira. Bang e CoreJJ já foram confirmados como reforços para 100 Thieves e Team Liquid, respectivamente, para 2019.

Com a continuidade deste êxodo de grandes jogadores coreanos, é natural se perguntar até onde este processo vai. Com a limitação de jogadores estrangeiros em elencos da LCS, é provável que não vá tão longe quanto poderia, tão rapidamente. Porém, é possível que tenhamos que nos acostumar com a ideia de que, com o tempo, as ligas mais ricas se transformarão nas melhores.

SKT Bang
Bang, bicampeão mundial com a SKT em 2015 e 2016, jogará pela 100 Thieves da LCS em 2019. (Divulgação / Riot Games)

Voltando à comparação com esportes tradicionais, é importante lembrar que não é só o dinheiro que acaba influenciando a migração de jogadores, mas também a concentração de talento. No futebol, grandes jogadores sul-americanos vão à Europa não só em busca de salários astronômicos. Além disso, procuram a melhor infraestrutura possível, e competir com a elite, para que alcancem seus auges.

As mentes de competidores funcionam de formas similares, seja um atleta de futebol ou um jogador de LoL. Ao ver que grandes nomes como Bang, CoreJJ, Rookie e TheShy competem em alto nível, com salários melhores e infraestrutura melhor preparada, novos talentos verão a LPL e LCS como destinos ideais para explorar seu potencial individual. Com isso a LCK pode acabar, similarmente ao Campeonato Brasileiro de futebol, como uma liga exportadora de talentos.

O impacto do êxodo do talento coreano:

Se o cenário competitivo coreano realmente se tornar focado em formar e exportar talento, o mundo do League profissional mudará completamente. Para a LCK, isso significará o fim da soberania criada entre 2013 e 2017. Ou seja, isso pode significar que com o fracasso no Mundial de 2018, a Coreia do Sul não consiga voltar ao seu trono. Ou pelo menos não tão cedo.

Para as ligas que estão investindo mais, significará responsabilidade. A responsabilidade de mostrar que o capital traz vitórias. Não melhorar as marcas conquistadas no mundial de 2018 seria um fracasso para o League of Legends norte-americano. Para os melhores times da LPL, o sinônimo de sucesso será apenas a conquista da Summoner’s Cup.

Outras ideias também surgem. Consequências que não parecem tão palpáveis ainda, mas têm reais chances de acontecer, caso o mercado de jogadores mude drasticamente. Como a formação de seleções nacionais. Com a migração dos melhores jogadores da Coréia, pode surgir a vontade de representar o país de outras formas, e uma competição de seleções pode ser uma alternativa.

TheShy & Rookie
Os coreanos TheShy e Rookie, que venceram o Mundial 2018 defendendo a Invictus Gaming, da LPL. (Divulgação / Riot Games)

O dinheiro e seu potencial para construir, se não desperdiçado:

É fácil dizer que as ligas mais ricas têm o potencial de se tornar as melhores, um dia. Mesmo que dependam de talento estrangeiro para fazê-lo. O que é difícil, muitas vezes, é identificar quando todo este dinheiro que está a disposição não está sendo usado produtivamente. Ou quando não há administração ou recursos humanos suficientes para complementar a riqueza.

Mais uma vez voltando ao futebol, é importante lembrar que há ligas que movem tanto dinheiro quanto, senão mais que o futebol europeu. Times do futebol chinês, por exemplo, chegaram a oferecer aos melhores jogadores do mundo salários absurdos para se mudarem para a Ásia. Mas poder econômico não parece suficiente para colocar a China no mapa do esporte. Faltam bons administradores de equipes, bons técnicos e uma base decente de jogadores chineses.

Também não será suficiente para a LPL e LCS apenas pagar salários incríveis para alguns jogadores talentosos. Administrar este talento corretamente, oferecer infraestrutura de ponta, impulsionar as marcas das ligas e desenvolver talento nacional que sustentará o cenário são as responsabilidades mais importantes para as ligas em ascensão.

Dinheiro pode ajudar a consolidar algumas regiões como as mais fortes do League competitivo. Com a campanha da LPL em 2018 e o insucesso coreano neste ano, pode ser que já esteja acontecendo. Ainda assim, uma economia forte está longe de ser suficiente para construir um cenário dominante.

O ano de 2019 será um de transições e revelações. Vale a pena ficar de olho na LCS, na LEC e na LPL, além da LCK, não só para sabermos como estão jogando os melhores do mundo, mas também para acompanharmos quais ligas estão mais preparadas para se tornarem as futuras referências do mundo do esport.

  1. Mesmo acreditando que a LCK terá um de seus melhores anos, muito pela Griffin e a nova line da SKT, ainda acho que a coroa ainda é da LPL e ficará na China por um tempinho mais.

    Quem sabe EU não entra na briga. 🙂

    Ou quem sabe estamos todos errados o NA evolua. :v

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