Assunto em foKo: a reciclagem de jogadores do CBLOL

Assunto em foKo: a reciclagem de jogadores do CBLOL

Após mais um fracasso brasileiro, os jogadores começaram a tecer suas teorias para justificar a fraqueza de nosso cenário. Esse comportamento não é recente e a lista de desculpas é extensa: falta de experiência, problemas de infraestrutura, jet lag e até mesmo o famoso tilt. Alguns desses itens fazem sentido, mas não mudam nosso retrospecto.
A bola da vez em 2018 foi a Solo Queue. Os profissionais afirmam que o nível das partidas online é baixo, fazendo com que a qualidade de seus treinos (e, por consequência, dos times) também seja baixa. Pessoalmente não quero entrar nessa discussão (e o Gabriel fez um ótimo trabalho em seu último post), mas quero expor um tema pouco debatido pelos players: a reutilização incessante de talentos.

O Brasil recicla jogadores?

Muitos membros da comunidade e até mesmo especialistas dizem que não. Eles usam os nomes de jovens vencedores como Titan, Dynquedo e 4Lan para refutar a proposição inicial. Porém, estes atletas são a exceção em um mundo onde a regra é reutilizar veteranos até a sua exaustão. Esse não é apenas meu ponto de vista, são fatos comprovados pelos números.

Fiz um estudo e analisei os 61 jogadores que disputaram do CBLOL em 2018 de acordo com a longevidade de sua carreira. A seguir, os principais pontos encontrados nessa pesquisa.

Os Dinossauros Brasileiros:

Ao longo da análise, percebi a importância da criação de rótulos para categorizar os players. Dinossauro foi o apelido carinhoso dado aos participantes do CBLOL 2018 que estrearam nas edições de 2012, 2013 e 2014.

Este grupo ocupa 25% do total de inscritos do Campeonato Brasileiro de League of Legends, ou 15 jogadores. O número é alarmante e dois padrões confirmam a minha preocupação:

  • Nenhum dinossauro foi campeão nas últimas três etapas;
  • Seis deles foram rebaixados em 2017 e 2018: Takeshi (paiN Gaming), Tinowns (paiN Gaming), Loop (paiN Gaming e RED Canids), Lep (RED Canids), Danagorn (KaBuM) e TheFoxz (KaBuM).

Ou seja, os veteranos estão se distanciando dos títulos e cada vez mais presentes em times relegados ao Circuito Desafiante. Isso comprova a reutilização de talentos e os efeitos negativos dessa prática.

Três campeões brasileiros de 2014 atuaram no CBLOL desse ano: tinowns (paiN Gaming), LEP (RED Canids) e Minerva (Progaming Esports)

A Velha Guarda em Peso:

Composto por jogadores que iniciaram sua jornada no CBLOL entre 2015 e 2016, a velha guarda representa um terço dos competidores em 2018. Muitos destes 20 estão fazendo hora extra graças à mentalidade falha das organizações. Outros, como RedBert, Zantins e Riyev, estão longe de seu auge individual, mas contribuem no desenvolvimento de novatos devido à sua experiência.

O volume de players nessa faixa é normal, mas alguns deles não deveriam fazer parte da elite do League of Legends brasileiro. As suas aposentadorias seriam acontecimentos tristes, porém necessários para a aparição de novos prodígios.

Riyev e Zantins deram a estabilidade necessária para Titan e Dynquedo brilharem no CBLOL 2018.

The Young Guns:

Essa turma compõe 20% dos atletas envolvidos no CBLOL 2018. O número (13) poderia ser maior, porém a qualidade desses jogadores surpreende. Seis deles já foram campeões nacionais, enquanto outros são destaques individuais em suas equipes.

A leva é boa, mas as futuras gerações precisam manter esse ritmo. A evolução do nosso cenário depende das estrelas do amanhã e a sua capacidade de performar em palcos internacionais.

Os novatos (não tão) promissores:

Esse grupo é formado por atletas que debutaram no CBLOL em 2018. É a segunda menor categoria, com 15% da elite brasileira (9), a frente somente dos “gringos” (6%).

A baixa quantidade de novatos é preocupante e a situação se agrava ao analisarmos a número de oportunidades que eles tiveram:

Jogador Equipe Número de jogos
Anyyy IDM Gaming 22
Bydeki CNB e-Sports Club 2
Cariok IDM Gaming 22
Hy0g4 CNB e-Sports Club 2
Lynkez ProGaming Esports 11
Maynah INTZ e-Sports 2
Mills INTZ e-Sports 2
Prb Team oNe eSports 1
Steal Team oNe eSports 8
Média 8

 

Três dos nove calouros atuaram mais de dez vezes nesse ano, apenas Anyyy, Cariok e Lynkez quebraram essa marca. O volume de jogo é baixíssimo se considerarmos que cada time jogou, no mínimo, dezesseis partidas por Split. Como podemos ter esperanças no futuro do CBLOL se ainda estamos presos ao passado?

Qual é a solução?

Renovar é necessário, isso é óbvio. Então o primeiro passo é simples: os times devem dar mais espaço e oportunidade para novos talentos. Porém, a formação nossas futuras estrelas demanda cuidado. Criar um ambiente com valores que os afastem da mentalidade errônea de muitos pro-players é fundamental. Em um tweet, o analista Melão13 comentou que as equipes deveriam apostar em jogadores da Solo Queue. Eu não sei se essa é a melhor saída, mas é uma possibilidade real. Enquanto isso, as atitudes de veteranos como Baiano, brTT e o jovem 4LAN não vão melhorar a qualidade do nosso cenário, elas servem somente para preservar sua carreira e massagear seu ego.

Acesse o estudo no link abaixo:

https://docs.google.com/spreadsheets/d/1MbOQt-efNcKifFVgtW0gTxs-1qCJ-8rGcExu-1Bg_ps/edit?usp=sharing

  1. Eu discordo muito do que foi dito. Um jogador antigo tem 5 anos de carreira? Isso é muito pouco pra um esporte que nem físico é. O cara ser mais velho no jogo não quer dizer que ele é incompetente, existem diversos jogadores em outras ligas que são muito mais antigos no jogos que esses caras e continuam bem. Vou dar exemplos: Faker, Score, Mata, SoAz, Reckkles, Doublelift, etc. Todos esses jogam a muito tempo e continuam bons. Mas ai você vai pensar que eu só to citando os gênios. Bom, então vou citar um monte de jogador mediano nessa condição: Impact, Ryu, Wildturtle, Meteos, Pobelter, Amazing, Vizicsacsi, Kikis, etc. É que em e-sports tem essa mentalidade escrota que se vc não ganhar você é um bosta e é melhor nem continuar, e jogadores medianos tem sim seu valor, a maior parte das ligas que geram renda são formadas por eles.

    O problema é que é diferente ser pro-player no NA e no Brasil.

    Por mais que muitos times mantenham as games houses no NA, cada jogador tem seu quarto, mais comodidade, salários melhores e por aí vai. Aqui no Brasil é um desgaste do caralho, os caras jogam 12h por dia, divedem quarto com outros 3 marmanjos, praticamente não tem descanso e se você for um jogador mediano seu salário nem é tão alto. Se você tem 19 anos, talvez isso não faça diferença, mas quando vc já tem 24+, você não quer mais essa vida.

    Os e-sports são coisas completamente novos, e pra mim a tendência é que cada vez mais se torne uma profissão de atleta como qualquer outra, com game office e carteira assinada. Acredito que o envelhecimento dos jogadores vai se tornar algo normal e não sinônimo de falta de qualidade do player.

  2. “Enquanto isso, as atitudes de veteranos como Baiano, brTT e o jovem 4LAN não vão melhorar a qualidade do nosso cenário, elas servem somente para preservar sua carreira e massagear seu ego.”
    Eu acredito que deva se dar oportunidade a novatos para que apareçam novas estrelas que possam fazer o cenário evoluir mas desdenhar de bons veteranos como você fez no final da matéria acho muito injusto. Baiano, BrTT e 4lan são jogadores que ainda se empenham e estão longe de manter a carreira só pelo comodismo. Principalmente o brTT que é o único veterano de 2012 que ainda disputa título e figura entre os melhores da posição no Brasil. Um jogador veterano que se dedica e mantém um nível é um exemplo e não um estorvo pro cenário, acredito que a longevidade de um jogador de e-sports é algo que ainda está sendo descoberto e com um jogador que seja comprometido, apaixonado e dedicado pelo que faz acredito que essa longevidade possa ser tão grande quanto o de um jogador de futebol. No CS estamos vendo jogadores passando dos 30 em alto nível e acredito que isso vai ser cada vez mais comum nos próximos anos. Eu acho que o problema é de disciplina no geral de “cultura”. Temos muitos “jogadores de lol” e precisamos de mais atletas.

  3. Gostaria muito de ter 30 min sobre este assunto contigo pessoalmente… Acredito que a culpa nao seja das estrelas, mas sim dos seus gestores.
    Uma pergunta: quanto tempo de carreira um jogador de esports tem? E quando parar de jogar? Qual o futuro desses jogadores?
    Bem, acredito que seja assunto para mais de 30 min… rsss Estou aki e adoraria sentar ajudar a complementar esta tese que faz todo sentido, mas pode ficar ainda melhor!
    Toti Falkol.

    1. Fala, Toti!

      Antes de tudo, obrigado pela atenção e pelo feedback. Durante a pesquisa tenho as respostas dessas perguntas e acredito que seria interessante continuar essa discussão. Acho que fica melhor combinarmos isso de maneira privada. Por onde podemos definir os detalhes desse bate-papo?

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