Revisão e Análise: Final da Superliga ABCDE

Revisão e Análise: Final da Superliga ABCDE

PaiN Gaming e INTZ se enfrentaram ontem na final da Superliga ABCDE 2018. Além da taça do torneio, estava em jogo a segurança de que as equipes estão preparadas para 2019. A série foi marcada por versatilidade nas seleções de campeões, pela perseverança da paiN e pela força das torcidas.

As expectativas para a abordagem estratégica das equipes foram atendidas nas duas primeiras partidas. Porém, isso mudou a partir da terceira partida, na qual a paiN se viu a uma derrota do vice campeonato. Com a mudança de planos, a equipe rubro negra conseguiu se manter na briga pelo título. A série durou até a partida decisiva, na qual prevaleceram os intrépidos.

PaiN Gaming se prepara para a primeira partida da grande decisão. (Foto por Stéfanie Neuman)

JOGO 1 – AS ROTAÇÕES DA INTZ DERROTAM O TALENTO INDIVIDUAL DA PAIN

A seleção de campeões da primeira partida refletiu bem o estilo de jogo esperado das equipes. Com Fiora nas mãos de Ayel, a paiN procuraria pressionar as rotas laterais e forçar a INTZ a ficar separada, evitando lutas de time. Já a INTZ escolheu opções que conseguiriam responder o split push, mas também contribuir para lutas de cinco contra cinco: Irelia para Tay e Aatrox para Envy.

No início do jogo, a PNG conseguiu vantagens com um bom dive na rota inferior e boas iniciações ao redor do mapa. A Fiora conseguiu ficar à frente da Irelia e tinha a oportunidade de pressionar as rotas laterais. A tradicional equipe teve as ferramentas que precisava para vencer a primeira partida em suas mãos. A melhor abordagem a partir deste ponto teria sido sufocar os adversários e tentar acabar com a partida antes que a INTZ chegasse ao late game, mas sem forçar lutas e trocas. Com pressão nas rotas laterais e forçando os adversários a responderem ameaças simultâneas em múltiplas lanes, a paiN conseguiria vencer.

Porém, não foi o que aconteceu. Forçando conflitos desnecessários, Minerva e companhia concederam abates que atrasaram o fim do jogo. Além disso, uma morte do jungler da paiN acabou abrindo espaço para a INTZ conquistar o Barão e o controle da partida. O bônus do Barão é um grande impedimento para equipes que querem pressionar em múltiplas rotas para vencer, e fez o jogo da equipe rubro negra desandar. Com uma composição para lutas melhores ao final da partida, os intrépidos garantiram a primeira vitória da série.

Ayel se concentra para o segundo jogo do dia. (Foto por Stéfanie Neuman)

JOGO 2 – A PAIN SE MOSTRA PERDIDA

O segundo capítulo do confronto foi uma bagunça por parte da PaiN desde a seleção de campeões. Com uma composição formada por Fiora, Nocturne, LeBlanc, Ezreal e Gragas, não haviam muitas alternativas para Tinowns e companhia, exceto conseguir vantagens na fase de rotas e vencer o jogo o quanto antes.

Em um jogo pareado em abates, a INTZ controlou melhor o mapa e conquistou mais objetivos, o que os deu a oportunidade de prolongar a partida até o ponto em que o Ryze de Envy e a Cassiopeia de Mills ficassem poderosos demais para os adversários. Além disso, a Fiora de Ayel não ficou tão forte desta vez.

As lutas não estavam encaixando muito bem para nenhuma das equipes. Ambas mostraram falhas de comunicação e posicionamento em momentos importantes da partida. O segundo jogo da série não foi bonito ou limpo, mas a seleção de campeões melhor por parte de Maestro acabou fazendo a diferença. A INTZ abriu dois a zero na grande decisão, apesar dos problemas de execução que mostraram.

Torcedores lotaram o estúdio para apoiarem as equipes. (Foto por Stéfanie Neuman)

JOGO 3 – PAIN MUDA O PLANO, INTZ NÃO APROVEITA A VANTAGEM

Djoko, técnico da paiN, mudou o planejamento da seleção de campeões, numa tentativa de não ceder o três a zero. Ao invés de guardar a última escolha para Ayel, começou a reservá-la para o mid laner Tinowns. Isso forçou uma escolha mais segura para a rota do topo e mais focada em auxiliar em lutas de time: Sion. Ayel tinha perdido sua chance de mostrar que podia vencer as rotas laterais.

Mais uma vez fazendo rotações e escolhas melhores no início da partida, a INTZ abriu uma pequena vantagem e parecia estar a caminho da vitória. A Illaoi de Tay oprimiu o Sion de Ayel na rota e, no resto do mapa, os intrépidos não estavam em desvantagem. Shini e companhia chegaram a abrir 6.000 de vantagem de ouro em certo ponto.

Contudo, a composição da paiN tinha ferramentas para vencer lutas, desta vez. Com Swain nas mãos de Tin e uma linha de frente resistente, a paiN conseguiu segurar a partida até o ponto em que as lutas eram possíveis.

A INTZ ainda fez uma decisão perigosa de tentar executar o Barão, mesmo com quase todos os adversários vivos e próximos ao rio. A paiN conseguiu eliminar os adversários e somente Mills acabou ficando com o buff para os intrépidos, o que colocou a paiN equipe de volta na partida. A partir deste momento, a INTZ tinha perdido parte do seu controle sobre a partida e Minerva e companhia tinham a oportunidade de buscar a vitória.

A paiN Gaming sacudiu a poeira, se levantou, preparou a visão do Dragão Ancião e o executou com segurança. Após garantir o bônus, a tradicional equipe contou com um erro de Envy e Tay, que abriu a oportunidade para finalizarem a partida. Com um belo backdoor de Ayel e Tinowns, a série se prolongou para a quarta partida.

A tradicional torcida da paiN compareceu em peso. (Foto por Stéfanie Neuman)

JOGO 4 – PAIN MOSTRA SEU VALOR

A quarta parte da decisão contou com uma escolha de Anivia para Tinowns que deixou a torcida surpresa. A paiN manteve a abordagem da terceira partida e escolheu Sion para Ayel mais uma vez. Já a INTZ tinha uma composição mais próxima do esperado e do comum, com Irelia, Olaf, Ryze, Lucian e Braum.

Este foi o jogo mais limpo da série. Os 20 primeiros minutos foram mornos, sem muitas lutas, e muito menos caóticos do que nas partidas anteriores. Porém, a Anivia de Tinowns se mostrou uma escolha confiável e a paiN controlou a partida a partir da primeira oportunidade que teve. Nesta partida, a equipe fez o que deveria ter feito na primeira: sufocou os adversários rapidamente e garantiu a vitória antes que os intrépidos pudessem virar o jogo.

Tay, ex-paiN, mostrou seu valor ao enfrentar sua antiga equipe vestindo a camisa da INTZ. (Foto por Stéfanie Neuman)

JOGO 5 – INTZ FAZ VALER SEU MACRO SUPERIOR

As duas equipes tomaram decisões pouco arriscadas na seleção de campeões da partida decisiva. Na rota do meio, magos que limpam ondas de minions e contribuem para lutas de equipe. No topo, tanques com utilidade. Na selva, lutadores com ultimates impactantes. Na rota inferior, suportes de utilidade e atiradores que contribuem para lutas de time.

A partida final começou equilibrada. Até os 26 minutos, vantagens de ouro, abates e objetivos eram inexistentes ou temporárias. Erros e acertos de um time eram quase sempre respondidos pelo outro.

O possível maior equívoco da paiN, no momento em que começaram a ceder o controle da partida para a INTZ, foi ter colocado Tinowns nas rotas laterais com sua Syndra. Syndra é um campeão que oferece limpeza de ondas de minions e boas lutas, como mencionado acima, e portanto seria ideal tê-la junta do time quando lutas começassem a aparecer. Porém, Tinowns não estava com seus companheiros quando, entre os 27 e 28 minutos de partida, a INTZ forçou uma luta. Com isso, os intrépidos garantiram os abates que procuravam, o que os permitiu conquistar o bônus do Barão.

A partir deste ponto, a INTZ teve apenas que fazer o simples: levar objetivos, sufocar os adversários em sua base, negar recursos e finalizar a partida. A INTZ se sagrou bicampeã da Superliga ABCDE depois de uma última luta decisiva e 36 minutos de partida.

(Foto por Stéfanie Neuman)

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