Série de Acesso – Olhar Rubro-Negro

Série de Acesso – Olhar Rubro-Negro

O que poderia ser considerado o “duelo dos desesperados” não teve desespero apenas em seu nome, sendo também uma série caótica e disputada até o último lance. De um lado a Team oNe, sétima colocada da temporada regular do CBLoL, vinda de semanas que se mostrava irreconhecível em comparação à fase em que viveu na etapa passada, onde alcançou o ponto mais alto do cenário brasileiro erguendo a taça em pleno Mineirinho lotado e marcando presença no Mundial 2017, na China. Seus desafiantes eram os experientes e rodados jogadores de um dos projetos mais ousados e com maior expectativa já vista no país.

Com, possivelmente, o nome de maior peso do futebol brasileiro, quiçá um dos mais conhecidos do mundo, os experientes jogadores em seu plantel, Gabriel “MiT” Souza, Felipe “brTT” Gonçalves e seus companheiros de equipe tinham nas costas o peso da Nação Rubro-Negra e a obrigação de conseguir o acesso do Circuito Desafiante para o CBLoL. Após a primeira falha, sendo derrotados pela Ilha da Macacada na final do Circuitão, o Flamengo eSports aumentara ainda mais a sua obrigação de conseguir a promoção na Série de Acesso.

Esse poderia ser mais um artigo analisando a série, falando um pouco mais sobre como as duas equipes jogaram, sobre como o resultado estava aberto até o último momento da série ou até mesmo para apontar erros e acertos de Flamengo e Team oNe propondo mudanças para a próxima etapa, mas não hoje. Para construir esse artigo, antes preciso contar um pouco mais sobre minha história.


Meu pai e eu, no auge do meu 1 ano de idade, batendo um gameplay de futebol.

Nascido e criado na capital fluminense por pais e família também do estado do Rio de Janeiro, uma paixão de família me foi passada e incubada dentro de mim: a paixão de ser flamenguista. Desde pequeno, sempre tive contato com o Flamengo e Nação, passando por idas ao Maracanã, diversos uniformes e até mesmo assistir meu pai conversar com jogadores com passagens pelo rubro-negro, como Romário e Renato Gaúcho, na praia em frente ao nosso prédio. É uma paixão que foi passada de meu bisavô para meu avô, de meu avô para meu pai e de meu pai para mim. É um lance de família, saca?!

Recentemente, nos últimos 5 anos, descobri uma nova paixão que me atingiu tanto quanto o futebol. Mesmo com diversas passagens em escolinhas de clubes brasileiros e treinos com profissionais da área, infelizmente, não tive futuro como goleiro na base e desisti  rapidamente do sonho de ser esportista, de ser jogador de futebol, mas encontrei um futuro em um outro tipo de esporte: o eletrônico.

O esport no Brasil, em especialmente com a chegada do LoL, veio com tudo. O cenário do país cresceu rapidamente e diversos boatos sobre patrocínios e até mesmo o esport desbancando o esporte tradicional como paixão nacional surgiram. Em 2015, a porta se abriu e o primeiro clube entrou para o League of Legends com a parceria entre Santos FC e Dexterity.

A primeira parceria acendeu uma chama de esperança quanto a uma entrada do Mengão no meu tão amado mundo do LoL. Em 2017, o sonho do Bernardo de 2015 se realizou. Anunciado o projeto do Flamengo eSports, eu finalmente veria a paixão de meu pai no jogo em que eu amava.

Um projeto ousado e ambicioso, porém com um começo “pés no chão”. Iniciando sua caminhada no Circuito Desafiante, o FLA eSports montou um plantel que se comparava a matar um passarinho com uma bala de canhão. Nomes renomados do cenário brasileiro, um dos melhores técnicos do país e um jogador coreano que havia sido uma das sensações do AllStars. Era o projeto mais Flamengo que eu poderia imaginar: grandes e experientes jogadores com passagens por outras imensas equipes, um craque gringo que havia estourado recentemente e um nome muito forte na comissão técnica para comandar esse elenco de estrelas para a vitória.

Um projeto tão Flamengo, teve um resultado mais Flamengo ainda.

(Reprodução/Riot Games)

Em termos de comparação, a campanha do FLA eSports no Circuito Desafiante se aproxima da campanha do Flamengo na Copa Sul-americana de 2017. Começo empolgante em ambos os torneios, alguns pequenos tropeços ao longo da competição e, na grande final, uma equipe irreconhecível em relação à das partidas anteriores. Vice-campeonato no futebol e no Desafiante. Ambos times jogavam com toda a pressão de vestir o Manto de um Nação de 32,5 milhões de torcedores.

Apesar de não ter mais chances de conseguir o caneco, diferentemente do futebol, o FLA eSports tinha mais uma chance de se consagrar e conseguir seu passe ao CBLoL, na forma da Série de Acesso.

Mais uma vez, mais uma situação bem Flamengo. Situação essa que, seja no futebol, seja no basquete, seja na regata e agora no LoL, sempre me remete a recorrente imagem de meu pai sentado na cama com a mão no peito, expressão de sofrimento, entoando as palavras “O FLAMENGO AINDA VAI ME MATAR”. O próprio hino do clube reforça essa situação:

Na regata ele me mata,
Me maltrata, me arrebata
Que emoção no coração”

Flamengo é sinônimo de sofrimento. Na Série de Acesso não poderia ter sido diferente. Depois de abrir 2 a 0 na série melhor de 5, a equipe do Mengão parecia ter apagado, cedendo o empate para os Golden Boys. A quinta partida foi sinônimo de Flamengo e de sua história. Vitória na raça, num jogo que parecia estar ganho e que, momentos depois, parecia estar perdido. Raça que ficou estampada nos gritos de comemoração de brTT, mesmo com um teor de desabafo e alívio, e mostrou a maior face do que é ser Flamengo: não desistir nunca.

“Ele vibra, ele é fibra
Muita libra já pesou
Flamengo até morrer eu sou!”

(Reprodução/Riot Games)

Se eu pudesse ilustrar tudo que meu pai me ensinou sobre o que é o Flamengo e o que é ser flamenguista, esse time recém-promovido ao CBLoL seria uma grande representação. Grandes sonhos, uma pitada de sofrimento e muita raça. Isso é o Clube de Regatas Flamengo. Isso é o FLA eSports. Eu teria um desgosto pronfundo se faltasse um Flamengo no mundo, em qualquer esporte ou esport.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *