Team oNe – Unidade para Vencer

Pela primeira vez em 6 anos envolvido com e-sports, como fã e, mais recentemente, como imprensa, meus pais resolveram acompanhar algum evento para tentar entender o mundo em que estou imerso. A competição escolhida foi a transmissão ao vivo da grande Final do CBLoL 2017, realizada no Mineirinho no último sábado, onde, segundo minha mãe, “o azarão da final era o time dourado devido ao claro favoritismo da torcida com o time rubro-negro”. A escolha deles não poderia ter sido um cartão de visitas melhor para o mundo dos e-sports.

Durante grande parte da final, as palavras de minha mãe faziam perfeito sentido para a maioria dos espectadores brasileiros, mas não para a própria Team oNe.

Juntos, com um plantel vindo do Circuito Desafiante, os garotos dourados brilharam e alcançaram o seu lugar ao sol. Após uma série brilhantemente executada, até mesmo na primeira partida onde saíram com a derrota, a narrativa clichê “do Circuitão para a final” tomou proporções épicas e inesquecíveis.

Com um estilo de jogo caótico, porém controlado, repleto de agressividade calculada e escolhas inesperadas, o time se movia pelo mapa como um pelotão pronto para atropelar seus adversários e cravar a equipe como uma das melhores do país, agindo como uma unidade.

(Divulgação/Riot Games)

Unidade. Aliás, essa é a melhor palavra para descrever a Team oNe. A equipe dos seis jogadores com personalidades completamente diferentes, mas que, quando entram no Rift, jogam como um só. Unidos, fazendo jus ao nome da organização que os acolheu e, juntamente com o técnico Neki, os transformou em Golden Boys, o time embalou a fase regular da segunda etapa do CBLoL, não ligando para críticas e desmontando quase todos que tentavam pará-los.  

A união da equipe aparecia em todos os momentos vividos por eles durante a etapa. Em meio à enxurrada de elogios para algum jogador, os demais tinham sempre o cuidado de apontar que haviam outros destaques dentro da equipe, caso do atirador Luis Felipe “Absolut” Carvalho que tinham o apoio de seus companheiros durante toda a fase regular e era sempre colocado como uma das estrelas do time, apesar de ausente dos holofotes em algumas séries disputadas. O mesmo aconteceu com o topo Álvaro “Vvert” Miguel que, apesar de ter um perfil mais sereno e calado, fez o oposto da imagem que passa pessoalmente e brilhou durante toda a etapa, sendo apontado por seus colegas como o melhor da posição no Brasil, mesmo com grandes nomes competindo pelo posto.

Em meio a esse mar de apoio mútuo, caras novas no cenário e promessas de outras etapas, existem duas cabeças experientes por trás da equipe. Bruno “Brucer” Pereira e Vinicius “Neki” Ghilardi foram duas grandes peças na estratégia da Team oNe para montar uma equipe campeã.

Após uma passagem repleta de críticas pelo CBLoL, o técnico dos garotos dourados retornou para mostrar que ainda tem bastante lenha para queimar e que vai deixar seu nome marcado na história do CBLoL. Neki, durante toda a etapa regular e início dos playoffs, teve o cuidado de moldar sua equipe, corrigindo erros dentro de jogo, mas, principalmente, erros fora de jogo. Após o título, na coletiva de imprensa, toda a equipe afirmou que a presença do técnico foi de grande ajuda para o título, começando pela disciplina individual e coletiva que ele conseguiu implementar na casa através da mentalidade de que, caso houvesse dedicação por parte de todos, os resultados viriam tranquilamente. E vieram.

Não menos importante, Brucer mostrou que sua importância é tão grande fora quanto dentro de jogo. Segundo o técnico Neki, o profissionalismo apresentado por Brucer durante todas as semanas da fase regular e, em especial, durante a semifinal e final, onde cedeu lugar para seu companheiro de posição João “Marf” Luis por sentir que ele teria uma atuação melhor, foram apenas a ponta do iceberg que mostra como a Team oNe pensa e joga como uma unidade, não individualmente.

(Divulgação/Riot Games)

Para representar a “cara” dos campeões, o caçador Alanderson “4Lan” Meireles encontrou sua redenção após ser rebaixado com a Remo Brave na etapa passada. Nome recorrente nas conversas sobre promessas do cenário brasileiro, 4Lan era taxado como a nova geração da selva do país, porém encontrou um destino amargo ao fim da primeira etapa de 2017. Sua contratação pela Team oNe foi um voto de confiança num jogador que, mesmo em uma equipe rebaixada, teve boas aparições e tinha bastante espaço para crescer. Irreverente, desbocado e intenso em suas emoções e declarações, 4Lan teve uma grande mudança de postura fora do Rift, sendo recompensado com uma etapa fenomenal, mas mantendo a essência que faz uma das bases dessa equipe campeã: “meter o loko”

A última peça do plantel vitorioso é, talvez, um pingo de sanidade nesse conjunto. Com uma das vozes ativas na tentativa de retomar o controle das rédeas da partida para a Team oNe, o suporte Ygor “RedBert” Freitas também precisa receber os méritos pela etapa individual apresentada. Poucas semanas de fase regular foram necessárias para se colocar no topo, entre os melhores de sua posição.

Num misto de profissionalismo, disciplina, garra, “meteção de loko” e pés no chão, os Golden Boys conseguiram virar o panorama a favor deles. Desacreditados no começo, cercados por desconfiança no meio e azarões no final, a Team oNe não teve sorte ao conquistar a taça, o título foi fruto de uma etapa construída e friamente calculada, passo a passo, para alcançar, unidos no começo, meio e final, um objetivo e sonho em comum de seus membros: a vitória.

(Divulgação/Riot Games)

Para o Mundial, o “Um por Todos e Todos por oNe” pode ser a chave para os Golden Boys continuarem trilhando esse belo caminho. As palavras de um personagem que entende bem de One For All podem ser uma grande fonte de inspiração para a Team oNe:

Go Beyond!

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