Vida longa aos intrépidos

Vida longa aos intrépidos

Há exatos sete dias, estava em disputa a final do Campeonato Brasileiro de League of Legends. Com grande repercussão em redes sociais as hashtags #CBLOL, #GOCNB e #GOINTZ, usadas para interagir durante transmissão ao vivo, lideravam os trending topics do Twitter naquele dia. Em companhia das tags, uma curiosa campanha chamada “MORTE AOS INTRÉPIDOS” estava entre os assuntos mais falados no Brasil. Mesmo sendo uma brincadeira, o sucesso do tópico mostra a baixa popularidade da INTZ quando comparada com organizações de maior tradição. A história dos intrépidos é cheia de tabus que mostram os altos e baixos do time e três deles são essenciais para entender sua trajetória desde a origem.

Os reis da temporada regularttb6p8l

O nascimento da organização INTZ e a mudança do Campeonato Brasileiro de League of Legends para o sistema de liga são eventos que ocorreram de forma praticamente simultânea. Os intrépidos disputaram todas as quatro etapas do CBLOL no atual formato e é, de longe, o time mais regular até então. A INTZ jogou 56 mapas durante a fase de pontos nos últimos dois anos vencendo 44 e perdendo somente 12, resultando na impressionante taxa de vitória de 79%. Além do maior winrate acumulado em temporadas regulares, a equpe sempre terminou essa fase do campeonato entre os dois melhores times da competição.

Analisando o histórico da organização em confrontos diretos com outros times, os resultados são mais impressionantes. Nenhuma equipe de CBLOL possui um histórico positivo contra a INTZ, nem mesmo as mais tradicionais do cenário brasileiro. Dexterity, Jayob, Kabum Black, Kabum Orange e INTZ Red/RED Canids nunca venceram um mapa dos intrépidos. Em oito mapas disputados contra CNB e paiN, os Blumers venceram somente dois e o time de Kami & cia. três. Os times com melhor histórico contra a INTZ são a Keyd Stars com quatro vitórias em oito mapas e a Big Gods que venceu um dos dois jogos entre os esquadrões.

(Quase) perfeitos nos playoffscampeeos_2

O curriculum da organização em playoffs é tão impressionante quanto em temporadas regulares. Nas quatro etapas de CBLOL no formato atual, a INTZ disputou todos os playoffs e chegou em quatro finais vencendo três delas. A única derrota da organização ocorreu quando o jungler Gabriel “Revolta” Henud foi transferido para a Keyd Stars dando lugar para o support Leonardo “Alocs” Belo enquanto Luan “Jockster” Cardoso fez uma mudança de posição para fechar a line-up. Em dois anos, são oito séries de playoffs disputadas e sete vitórias. O relato dessas oito séries podem ser feitos nos 29 jogos disputados onde a INTZ saiu como vencedora em 21.

A rivalidade entre Keyd e INTZ na temporada regular se converte em um tabu nos playoffs. O time do capitão Murilo “Takeshi” Alves perdeu todos os seis mapas quando seu caminho se cruzou com os intrépidos em situações de mata-mata. O cargo de rival nessa fase da competição é tomado pela paiN Gaming, único time a bater a INTZ em uma série. O fato ocorreu na final do CBLOL 2015 Winter Season, onde o grupo liderado por Gabriel “Kami” Santos e Felipe “brTT” Gonçalves bateu a INTZ e deu o primeiro passo para sua classificação para o campeonato mundial daquele ano. Porém, não se engane, ao analisar o histórico entre as duas organizações, a INTZ ainda tem vantagem com vitórias em seis dos onze mapas disputados em playoffs.

O calcanhar de Aquilesintz-meh

Todo herói tem um ponto fraco e a criptonita da INTZ é jogar longe de terras brasileiras. Com duas derrotas em International Wild Card Invitational, o time disputou 25 partidas em torneios internacionais e venceu somente treze vezes. O cartel é positivo, mas muito abaixo do desempenho dos intrépidos durante o CBLOL e também longe das expectativas de seus fãs. O contexto do que aconteceu na Turquia em 2015 e México em 2016 é bastante parecido: a alta expectativa da comunidade brasileira no time que foi campeão de forma dominante seguida do gosto amargo da derrota.

Ao analisar o desempenho do time, é possível identificar alguns padrões e ver o nascimento de tabus. Os intrépidos nunca tiveram problemas contra nossos amigos da América Latina nem com os asiáticos somando sete vitórias e nenhuma derrota para times dessas regiões. Entretanto, a INTZ perdeu duas vezes para a Chiefs e-Sports Club, organização australiana que foi eliminada na fase de grupos nos dois IWCI que disputou, uma surpresa e tanto se considerarmos que a INTZ foi para ambos os torneios como a grande favorita.

Além dos australianos, a INTZ tem duas pedras no seu sapato: os turcos e os russos. Em 2015, o favoritismo da INTZ e do Brasil como região Wild Card morreu na Volkswagen Arena em Istambul com a vitória do Besiktas, time da casa, por 3 à 1 em cima do brasileiros. Em 2016 a região foi representada pela Supermassive que perdeu para os intrépidos no único embate entre os times mas foi campeã e carimbou seu passaporte para Xangai no Mid Season Invitational 2016. Entretanto, a maior pedra no sapato intrépido são os russos da Hard Random. Em dez mapas disputados entre os times, a vantagem é dos europeus com sete vitórias. Em 2015 os intrépidos tiveram a vantagem de 3 à 2 ao somar todos os jogos do torneio, porém em 2016 a história foi muito diferente e os russos venceram os cinco mapas disputados entre os times.

Escrevendo novos capítulos

É impossível apagar a história, porém sempre se pode adicionar novos capítulos. A INTZ é o melhor time do Brasil desde o início da “Era CBLOL” e se mostrou uma decepção enorme ao representar o país em território internacional. Em setembro, no International Wild Card Qualifier mais um episódio dessa trama irá ao ar, nele antigos tabus poderão ser quebrados ou conslidados. A atual line-up da INTZ venceu todos os campeonatos que disputou em solo brasileiro e nada melhor do que manter esse tabu já que o IWCQ será disputado em Curitiba…

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